segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lanceiros Negros

Lanceiros Negros é o nome dados à dois corpos de lanceiros constituídos, basicamente, de negros livres ou de libertos pela República Rio-Grandense que lutaram na Revolução Farroupilha. Possuíam 8 companhias de 51 homens cada, totalizando 426 lanceiros .

Tornou-se célebre o 1.º Corpo de Lanceiros Negros organizado e instruído, inicialmente, pelo Coronel Joaquim Pedro, antigo capitão do Exército Imperial, que participara da Guerra Peninsular e se destacara nas guerras platinas. Ajudou, nesta tarefa, o Major Joaquim Teixeira Nunes, veterano e com ação destacada na Guerra Cisplatina. Este bravo, à frente deste Corpo de Lanceiros Negros, libertos, prestaria relevantes serviços militares à República Rio-Grandense.

Foram seus oficiais, entre outros:

• Coronel Joaquim Pedro
• Coronel Joaquim Teixeira Nunes
• Tenente Manuel Alves da Silva Caldeira
• Capitão Vicente Ferrer de Almeida
• Capitão Marcos de Azambuja Cidade
• Primeiro-tenente Antônio José Coritiba
• Segundo-tenente Caetano Gonçalves da Silva (filho de Bento Gonçalves)
• Segundo-tenente Ezequiel Antônio da Silva
• Segundo-tenente Antônio José Pereira

1.º Corpo de Lanceiros Negros, ao comando do tenente-coronel Joaquim Pedro Soares e subcomandado pelo então major Teixeira Nunes, teve atuação importante na Batalha do Seival, em 11 de setembro de 1836, em reforço à Brigada Liberal de Antônio de Sousa Netto que surgiu por transformação do Corpo da Guarda Nacional de Piratini integrado por 2 esquadrões com 4 companhias, recrutados em Piratini e em seus distritos Canguçu, Cerrito e Bagé até o Pirai .

" As tropas para o combate de Seival foram dispostas por Joaquim Pedro, na qualidade de imediato e assessor militar de Antônio Netto. Deixou um esquadrão em reserva que foi empregado em momento oportuno, decidindo a sorte da luta."

Segundo Docca, coube a este bravo e a Manuel Lucas de Oliveira convencerem Antônio Neto da proclamação da República Rio-Grandense, bem como "a grande satisfação de ler, às 11, no campo do Menezes, à frente da garbosa tropa por ele instruída, a Proclamação da República Rio-Grandense".

O Corpo de Lanceiros Negros era integrado por negros livres ou libertados pela Revolução e, após, pela República, com a condição de lutarem como soldados pela causa..

O 1.º Corpo foi recrutado, principalmente, entre os negros campeiros, domadores e tropeiros das charqueadas de Pelotas e do então município de Piratini (atuais Canguçu, Piratini, Pedro Osório, Pinheiro Machado, Herval, Bagé, até o Pirai e parte de Arroio Grande).

Excelentes combatentes de Cavalaria, entregavam-se ao combate com grande denodo, por saberem, como verdadeiros filhos da liberdade, que esta, para si, seus irmãos de cor e libertadores, estaria em jogo em cada combate. Manejam como grande habilidade suas armas prediletas - as lanças. Estas, por eles usadas mais longas do que o comum. Combinada esta característica, com instrução para o combate e disposição para a luta, foram usados como tropas de choque, uso hoje reservado às formações de blindados. Por tudo isto infundiram grande terror aos adversários. Eram armados também com adaga ou facão e, em certos casos, algumas armas de fogo em determinadas ocasiões.

Como lanceiros não utilizavam escudos de proteção, mas sim seus grosseiros ponchos de lã - bicharás, que serviram-lhes de cama, cobertor e proteção do frio e da chuva. Quando em combate a cavalo, enrolado no braço esquerdo, o poncho (bichará) servia-lhes para amortecer ou desviar um golpe de lança ou espada. No corpo a corpo desmontado, servia para aparar ou desviar um golpe de adaga ou espada em cuja esgrima eram habilíssimos, em decorrência da prática continuada do jogo do talho, nome dado pelo gaúcho à esgrima simulada com faca, adaga ou facão.

Alguns poucos eram hábeis no uso das boleadeiras como arma de guerra, principalmente para abater o inimigo longe do alcance de sua lança, quer em fuga, quer manobrando para obter melhor posição tática.

Eram rústicos e disciplinados. Faziam a guerra à base de recursos locais, Comiam se houvesse alimento e dormiam em qualquer local, tendo como teto o firmamento do Rio Grande e de Santa Catarina. A maioria montava a cavalo quase que em pêlo, a moda charrua.

Seu vestuário era constituído de sandálias de couro cru, chiripá de pano grosseiro, um colete recobrindo o tronco e na cabeça uma vincha (braçadeira) vermelha símbolo de República.

Como esporas improvisavam uma forquilha de madeira presa ao pé com tiras de couro cru. Esta espora farroupilha acomodava-se ao calcanhar e possuía a ponta bem afiada. Alguns poucos usavam calças, cartola e chilenas(esporas), como o imortalizado em pintura no Museu de Bolonha, Itália.

Parte do 1.º Corpo de Lanceiros Negros participou da expedição a Laguna, ao comando de David Canabarro, que teve como comandante de vanguarda o tenente-coronel Joaquim Teixeira Nunes com seus Lanceiros Negros.

A retirada dos farroupilhas de Laguna para o Rio Grande, através de Lajes e Vacaria, contou com a presença de Teixeira Nunes, Giuseppe Garibaldi, Luigi Rossetti e Anita Garibaldi e foi assegurada por muitos valorosos Lanceiros Negros.

A Surpresa dos Porongos, ocorreu na localidade de Porongos, hoje parte do município de Pinheiro Machado. Em 14 de novembro de 1844, os Lanceiros Negros de Teixeira Nunes salvaram o desfecho da Revolução Farroupilha de um desastre total. Pelo modo como combateram, salvaram Canabarro e grande parte das tropas e tornaram possível a negociação de uma paz honrosa como e foi a de paz de Ponche Verde, e a liberdade para todos os negros e mulatos que lutaram pela República Rio Grandense. Ao final do combate o campo de batalha dos Porongos ficou juncado com 100 mortos farroupilhas.

Segundo descrição do historiador Canabarro Reichardt: Dentre eles 80 eram bravos Lanceiros negros de Teixeira Nunes. Com a surpresa em Porongos, os farroupilhas, passados os primeiros momentos de estupor, recobram ânimo e se dispõem a morrer lutando. Teixeira, o Bravo dos bravos, cujo denodo assombrou um dia o próprio Garibaldi, reuniu os seus lanceiros negros. O 4º Regimento de Linha farroupilha e alguns esquadrões desanimam quando os imperiais se multiplicam, e surgem de todos os pontos. Uma segunda carga imperial e mais impetuosa é também repelida. E este foi o sinal da debandada farrapa geral. Em vão os chefes chamam os soldados ao dever, dando-lhes o exemplo. Nada os contêm e o Exército Farroupilha como por encanto, se dissolve, arrastando consigo ainda os que querem lutar. Apenas alguns grupos mantêm-se resistindo e neles o combate se trava à arma branca. Tombam os lanceiros negros de Teixeira, brigando um contra vinte, num esforço incomparável de heroísmo.

Em 28 de novembro de 1844, Teixeira Nunes e remanescentes de seu legendário Corpo de Lanceiros Negros travaram o último combate da Revolução em terras do Rio Grande, consta que em terras do atual município de Arroio Grande, berço do Visconde de Mauá.

A morte de Teixeira Nunes foi assim comunicada pelo então barão de Caxias, em ofício: Posso assegurar a V. Exa. que o Coronel Teixeira Nunes foi batido no campo de combate, deixando o campo, por espaço de duas léguas, juncando de cadáveres. Eram seguramente cadáveres de Lanceiros negros.

Teixeira Nunes foi um dos maiores lanceiros de seu tempo, e como uma ironia do destino teria caido mortalmente ferido por uma lança manejada pelo braço vigoroso do Alferes Manduca Rodrigues.

Dos Lanceiros Negros restaram mais de 120, que após a paz de Ponche Verde foram mandados incorporar pelo Barão de Caxias aos três Regimentos de Cavalaria de Linha do Exército na Província.

O Império manteve suas liberdades na cláusula IV da Paz de Ponche Verde. São livres e como tais reconhecidos todos os cativos que serviram à República.

Cláusula respeitada por conta e risco pelo Barão de Caxias contrariando determinação superior de os recolher como escravos estatais para a Fazenda de Santa Cruz no Rio de Janeiro .

Caxias usou o seguinte expediente para não os enviar para o Rio De Janeiro. Considerou que eles haviam se apresentado livremente. E a seguir os libertou e os incorporou as três unidades de Cavalaria Ligeira do Exército Imperial no Rio Grande. E em Ponche Verde em D. Pedrito foram acolhidos pelos coronéis Manuel Marques de Sousa e Manuel Luís Osório comandantes de duas unidades de Cavalaria.

Dentre em breve iriam lutar na Guerra contra Oribe e Rosas.

Foi também lembrando Teixeira Nunes e seus bravos lanceiros negros, que o acompanharam na expedição a Laguna, que Giuseppe Garibaldi escreveu: Eu vi batalhas disputadas mas nunca e em nenhuma parte homens mais valentes nem lanceiros mais brilhantes do que os da cavalaria rio-grandense, em cujas fileiras comecei a desprezar o perigo e a combater pela causa sagrada dos povos.

No Museu de Bolonha, Itália, existe um quadro do Lanceiro Negro Farroupilha, representa um dos célebres lanceiros negros farroupilhas que acompanharam Giuseppe Garibaldi e Luigi Rossetti no retorno de Santa Catarina, após o malogro da República Juliana.

domingo, 20 de junho de 2010

O Fugitivo

O Fugitivo

O matador Frank Harris, capturado por Tex treze anos atrás, foge do cárcere, disposto a refazer sua vida. Mas o destino é traiçoeiro e o implacável ranger está novamente no seu rastro.

Caçado por seus velhos inimigos Tex Willer e Sam Donovan, os mesmos homens que o prenderam treze anos antes, o matador Frank Harris, apesar de suas boas intenções, está de novo fugindo da justiça. Desta vez é inocente, mas não há modo de demonstrá-lo, e sua única esperança de salvação é eliminar os dois rangers em uma emboscada nas montanhas. Além disso, sem que ele e Tex saibam, no seu encalço está também um bando de assassinos enviados pelo pérfido Owen.

sábado, 19 de junho de 2010

Velho Casarão

Velho Casarão

Teixeirinha

Composição: Teixeirinha

Velho casarão já quase tapera
Da grande figueira sombreando o telhado
Se ela falasse contava a história
De quem te plantou há um século passado
Mas como eu sou neto de quem lhe plantou
Eu conto a história casarão amado

Nas suas paredes tem furo de bala
Das revoluções que a história fala
Serviu de trincheira a varanda e a sala
Pra seu construtor meu avô afamado

Ali meu avô doze filhos criou
Sou filho de um empunhou a bandeira
Meu avô morreu e ficou o meu pai
Mandando na estância pela vida inteira
Meus tios foram embora pra outra querência
Ficou o casarão que foi sempre trincheira

Na frente o meu pai seu chimarrão tomava
Comigo no colo ele me embalava
Com a minha mãe os dois cantarolavam
Para mim dormir na sombra da figueira

Lá por trinta e dois houve outra revolta
As forças chegaram e foram invadindo
Meu pai minha mãe abraçados aos fuzis
Velho casarão outra vez resistindo
Lá do meu berço eu sai engatinhando
Pra ver e ouvir a bala zunindo

As forças recuaram acabou a desgraça
A figueira grande abafou a fumaça
Meu pai demonstrou ter ficado com a raça
Do meu velho avô que brigava sorrindo

Casarão querido da grande figueira
Ali fiquei moço faceiro e pachola
Meu pai me ensinou a ser bom cantador
E o primeiro acorde de uma viola

Depois veio a morte e levou os meus pais
Sai pelo mundo minha fama rola
Quando ficar velho, velho casarão
Volto pra contigo tombar no chão
Da grande figueira quero o meu caixão
E pra minha alma o céu por esmola

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Marcas do Passado

Marcas do Passado

Montales, um dos mais antigos amigos de Tex, volta à vida de fora-da-lei. Uniu-se ao exército de desperados do terrível Nacho Gutierrez, antigo parceiro de atividades criminosas. Decidido a compreender a razão de uma tão estranha escolha e, caso seja necessário, ajudar o amigo, Tex busca, com um nome falso, integrar-se ao bando. O ranger acabará por descobrir uma história de morte e de vingança, construída sob o signo da tragédia e das trevas. Trata-se de um caso sepultado nas antigas minas de San Rafael, onde ecoa o som lúgubre dos sinos fantasmagóricos.

Tex e Montales, tendo atravessado o rio nos subterrâneos do trágico vale, estão prestes a descobrir o mistério dos mineiros. A dupla será capaz de encontrar o ouro tão cobiçado pelo cruel Nacho Gutierrez? Conseguirão os heróis desvendar a identidade da mulher fantasma? E o que faz badalarem os sinos da igreja abandonada? Para reparar os erros de sua juventude, Montales precisará enfrentar um pequeno exército de foras-da-lei. Mas não o fará sozinho. Terá, ao lado, Tex e alguns novos e inesperados aliados...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Baile Na Serra

Baile Na Serra

Irmãos Bertussi

Composição: Honeyde Bertussi / Adelar Bertussi

Pego na gaita e canto essa melodia
Me lembrando de um baile que eu fui a poucos dias
Foi lá na serra em casa do Mané Romão
E eu tinha um companheiro que era o meu irmão

E o gaiteiro um gaúcho resolvido
Na gaita fez um tinido e já começou a tocar
Tocou um xote pra dançar afigurado
E dos seus versinho rimado já começou a cantar

E uma morena do corpo enfeitiçado
Deu uma olhada pro meu lado e já com ela eu fui dançar
E o meu irmão com uma moça de encarnado
Saiu dançando apertado, coisa de se invejar

Com a morena sai falando baixinho
Devagar e bonitinho e o namoro se arrumou
Mas meu irmão saiu muito apertado
Com a moça de encarnado e o pai dela não gostou

E a meia-noite deu uma briga lá num canto
Quebraram uns três, quatro bancos por causa do meu irmão
De madrugada se acharam novamente
Fedeu a pau e porrete, e a revólver e a facão

Eu sou um qüera que gosto de reboliço
Já me meti no enguiço só pra vê o que ia dar
Me apertaram, me cercaram em cinco ou seis
Dei uns tombo nuns dois, três e não puderam me cortar

O meu irmão índio mal de pensamento
Arranco das ferramenta e muita gente ele cortou
E assim foi até clariar o dia
Pois ninguém mais se entendia até que o baile se acabou

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Última Fronteira

A Última Fronteira

Tex e Carson vão ao Canadá e, com a ajuda de um guia chamado Gros-Jean, têm a missão de descobrir o paradeiro de um dos maiores traficantes de armas da região: Jesus Zane, um homem sangrento e rebelde que mata pelo ódio que possui dos homens brancos.

Através de indicação de um caçador de peles, o coronel Jim Brandon, com mais dois homens, está à procura de Jesus Zane, um dos maiores traficantes da região. Os três avistam uma canoa e, chegando mais perto, observam que existem rastros recentes de três homens. Resolvem seguir a pista e avistam uma cabana.

O coronel Brandon aproxima-se dela e deixa seus dois companheiros atrás, dando cobertura. Chegando mais perto, Brandon é atingido por um tiro que vem de dentro da cabana e seus companheiros são mortos por um índio que fazia a vigia do local.

Uma outra patrulha vinda do norte chega ao local e reconhece Jesus Zane. Começam a atirar, porém Zane e seus homens conseguem fugir. E é essa patrulha que trata do ferimento do coronel Jim Brandon, impedindo que ele morra.

Um mês e meio depois, o coronel, recuperando-se ainda do ferimento, chama os rangers Tex e Carson que, com a ajuda do guia Gros-Jean, têm a difícil tarefa de dar um fim à sangrenta carreira de Jesus Zane.

O coronel Brandon conta aos rangers uma parte da vida de Zane, explicando como ele se tornou um homem extremamente revoltado e sangrento. A fim de conseguir mais esclarecimentos, os rangers e seu guia resolvem ir até a Missão de São José, local onde Jesus passou parte de sua infância sendo criado pelos padres missionários.

Naquela noite, Jesus Zane decide também ir até a Missão de São José. Lá, Zane dirige-se ao prédio que se encontra mais perto da igreja. Jesus acorda um antigo professor seu, o Pe. Elias, e com um punhal na mão, força o missionário a dizer o paradeiro de dois antigos amigos: Nat e Sheewa. O padre revela o local onde os dois moram e, intuindo o pior, pede para que Zane não faça nada de mal a eles.

No final da tarde do dia seguinte, Tex, Carson e Gros-Jean finalmente chegam na Missão de São José, onde logo avistam Pe. Elias. Gros-Jean, que já conhecia o padre, apresenta-o a seus amigos rangers e explica ao padre o propósito da vinda dos dois ao Canadá.

Padre Elias conta que Jesus Zane esteve com ele na noite anterior e que queria saber onde Nat e Sheewa estavam. O padre conta também que durante a infância, Jesus, Nat e Sheewa eram amigos inseparáveis. Porém, com o passar dos anos, surgiu uma certa rivalidade entre Jesus e Nat pela amizade (que havia se transformado em amor em ambos) de Sheewa.

Como Jesus Zane impelido pelo ódio e cheio de rancores fugiu da Missão de São José, Sheewa acabou se casando com Nat. Os rangers decidem então ir imediatamente até à fazenda onde Nat e Sheewa moram.

Lá chegando, encontram Nat ferido na cabeça e ele explica que Jesus Zane esteve por ali e ainda seqüestrou sua mulher, Sheewa. Os rangers tratam do ferimento de Nat e pedem mais informações. Nat confirma que Jesus Zane faz contrabando de armas e uísque. Os rangers prometem fazer todo o possível para trazer Sheewa de volta sã e salva, mas Nat não quer saber de ficar de braços cruzados e decide procurar sua mulher sozinho.

Tex, Carson e Gros Jean voltam a Saskatoon para novamente falar com o coronel Brandon. Os rangers pedem uma lista com nomes e endereços dos comerciantes suspeitos de fazer contrabando na região. Com isso, os rangers entram em ação em busca dos suspeitos com a intenção de descobrir se algum deles faz negócios com Jesus Zane.

No mesmo momento, na missão de São José, Nat conversa com o Padre Elias a troco de saber que fim levaram antigos amigos seus. Nat resolve ir até a taverna de Nariz Curvo, antigo companheiro seu, em Saskatoon.

Na noite seguinte, em um saloon em Saskatoon, os rangers e seu guia Gros-Jean observam Bem Carter, o primeiro da lista de suspeitos de contrabando. Carter vai embora do saloon. Os rangers o seguem até sua casa. Observam que todas as luzes estão apagadas, e decidem entrar. À moda texiana, os rangers arrancam o nome Bernard Boudet, que Carter garante ser um dos homens para qual Jesus Zane trabalha.

Naquele mesmo momento, Nat conta para Nariz Curvo tudo o que havia acontecido com ele e com sua esposa, e demonstrava toda a sua vontade de pegar Jesus Zane. Nariz Curvo fala de um novo carregamento destinado a Jesus, onde um dos membros da tripulação é seu cunhado Louis.

Nat então convence o amigo a irem falar com Louis para propô-lo a deixar Nat ir em seu lugar. Por estar muito resfriado, o cunhado de Nariz Curvo consente em tal proposta. No dia seguinte, Nat embarca com o Capitão Janser mais dois homens e os quatro começam a subir lentamente a correnteza do rio Saskatchewan.

À noite, Tex, Carson e Gros-Jean acham Boudet acompanhado por um de seus capangas. Os rangers não se intimidam e facilmente botam os dois para dormir. Pegam Boudet e o colocam dentro de um bote. Com um balde de água, "delicadamente" acordam o homem, que, depois de muito espernear, acaba informando o local do esconderijo de Jesus Zane.

Os rangers deixam Bernard Boudet nas mãos do Coronel Brandon e começam sua jornada ao encontro de Jesus Zane, mas um imprevisto acontece no meio da viagem: os rangers e seu guia acham uma canoa à deriva no rio. Para surpresa dos três, uma mulher está dentro da canoa, e está morta! Verificam o nome gravado na aliança: é Sheewa. A caçada a Jesus Zane recomeça. Com certeza agora ele haverá de pagar um preço muito mais alto por suas atitudes...

TXE-006 - A Última Fronteira, com texto de Nizzi e desenhos de Goran Parlov, editada em dezembro de 2000, 242 páginas, R$ 7,90 em banca, publicada pela Editora Mythos, medindo 19,2 cm de largura por 27,4 cm de altura. Características desta edição: capa em papel mais encorpado; página de apresentação com editorial dedicado a Hugo Pratt, por Sergio Bonelli; entrevista com Goran Parlov, por Filippo Toccafondi; Matéria: Águia da Noite nas Trilhas do Norte, por Graziano Frediani e ficha técnica de apresentação dos criadores G.L. Bonelli, A. Galleppini, Claudio Nizzi e Goran Parlov. Impressão em preto e branco.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Sonho Do Carreteiro

O Sonho Do Carreteiro

Luiz Menezes

Carreteou anos a fio.
Conhecia palmo a palmo
as estradas da querência;
Sabia onde dava passo
- no tempo das enxurradas -
aquele arroio sotreta
cemitério de carreta
disfarçado em água mansa
Vira nascer muitos ranchos
nesse corredor sem fim.
Sabia que na picada
logo depois do lagoão,
o umbu do enforcado
dera lenda prás estórias
dos bolichos, das ramadas.
Sabia bem todo o causo
da tapera do repecho:
A maula traíra o guasca
e este sem dó nem piedade,
cortara junta por junta
o belo corpo moreno
daquela indiazinha louca
que se engraçara num piá ...
Mas além, no Passo-feio
vira morrer um tal Juca.
Eram três contra o rapaz.
E como morrerra lindo
aquele guasca sem medo ...
A estória ficou em segredo
pois diz que o tal de mandante
era mui relacionado,
e até contraparente
de um graudaço do povo.
Conhecia palmo a palmo
as estradas da querência,
sempre fora carreteiro.
Envelhecera na lida
sem conhecer outra vida
sem ter outra ocupação.
Tinha por seu ganha-pão
a velha carreta amiga
companheira de cantiga
daquele piazinho vivo
que era, alegria e motivo
de seu final de existência.
Pois ficaram bem solitos
mais amigos do que antes
des’que a finada se fora ...
Por isso sempre de noite
a meia luz do candieiro
ficava horas inteiras
mostrando prá seu piazinho
as letras do ABC.
E o piá com muita memória
decorava uma por uma
as letras que galopeava,
ou por outra, engarupava
nas palavras do jornal.
Como era esperto o guri:
Foi duas, três paletadas
já sabia mais que o pai ...
E foi numa dessas noites
que o velho e bom carreteiro
teve um sonho de repente.
E quase num gesto louco
gritou prás quatro paredes
enfumaçadas do rancho:
Meu filho há de ser doutor!
Não há de ser carreteiro,
pois estas mãos calejadas
do peso-bruto, da enxada,
hão de sangrar no trabalho
prá que este piazinho feio
viva melhor do que eu ...
Pura e santa ingenuidade!
O arroio-sociedade
prá o pobre nunca dá vau!
No outro dia cedinho
enveredou para o povo ...
Voltava a velha carreta
A resmungar nas estradas
na viajada da esperança
carregadinha de sonhos.
E o pobre e bom carreteiro
ia falando de tudo
com seu piazinho faceiro
dentro da bombacha nova.
Não esquecia de nada
nos seus conselhos de pai:
Se lá no povo à tardinha
o piá sentisse saudade,
bombeasse prá o horizonte,
que alguém solito decerto
meio tristonho é verdade,
mateando assim com saudade
estaria a lhe esperar ...
Que importa se demorasse,
pois nunca ouvira dizer
que a tal saudade matasse.
Mas nesse dia por certo
Quando voltasse doutor
tudo havia de mudar.
Até o céu com certeza
morada das almas puras
ouviria com ternura
uma indiazinha chorar.
E as estradas da querência
que conhecia demais,
lhe viram passar feliz
com novo brilho no olhar.
Mas lá no povo - cuê-puxa! -
Bateu em todas as portas
clamou por todos os santos
recorreu todos os amigos
- muitos dos quais ajudara -
andou quase mendigando,
Prá dar escola pra o filho
mas ninguém quis lhe escutar ...
E a esperança foi mermando
foi mermando ... e se apagou.
Botou a carreta na estrada
o Piazinho dentro dela
tocou de volta outra vez.
A noite então já chegara.
Naquela enrugada cara
de gigante das estradas
uma lágrima teimosa
veio molhar-lhe o nariz ...
Olhou o filho com carinho,
mas com muito mais carinho
Com mais amor do que antes
e uma queixa derramou:
Quem nasce lutando busca
a morte por liberdade!
Mentira! A tal de igualdade
não existe por aqui ...
Que adianta se amar aos outros
se os outros não dão amor?
Pega a picana, piazinho
e acorda esse boi manheiro,
pois filho de carreteiro
nunca pode ser doutor!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

George Crook

George Crook (8 de setembro de 1828 – 21 de março de 1890) foi um oficial do Exército dos Estados Unidos da América, que se destacou durante a Guerra Civil Americana e nas Guerras Indígenas.

George Crook era filho de Thomas e Elizabeth Matthews Crook e nasceu em uma fazenda em Taylorsville, próxima a Dayton, Ohio.

Foi indicado à Academia Militar pelo congressista Robert Schenck e se formou em 1852. Foi designado ao Quarto Regimento de Infantaria com o posto de segundo-tenente e serviu na Califórnia, em 1852–61. No Oregon e nordeste da Califórnia, ele lutou contra muitas tribos de ameríndios.

Crook foi o comandante da expedição ao Rio Pitt em 1857 e foi ferido por flechas. Ele fundou o Forte Ter-Wer, atualmente conhecido como Klamath, Califórnia. Foi promovido para primeiro-tenente em 1856 e chegou à capitão em 1860. Em 1861 ele se tornou coronel comandando o trigésimo sexto regimento de infantaria dos voluntários de Ohio.

Ele se casou com Mary Tapscott Dailey.

Quando a Guerra Civil começou, Crook assumiu o posto de coronel dos voluntários de Ohio, combatendo na Virginia Ocidental. Foi promovido a brigadeiro em 7 de setembro de 1862. Comandou a brigada de Ohio formada pelos regimentos da Divisão Kanawha que participou da Campanha de Maryland. Crook entrou em ação nas batalhas de South Mountain e de Antietam. Nessa época ele manteve uma duradoura amizade com seu oficial, coronel Rutherford B. Hayes do vigésimo terceiro de infantaria de Ohio.

General Crook comandou uma divisão da cavalaria do Exército de Cumberland na Batalha de Chickamauga e então voltou para a frente oriental como chefe da Divisão Kanawha.

Na campanha da primavera de 1864, o tenente-general Ulysses S. Grant ordenou uma ofensiva da União em todas as frentes. Grant chamou o brigadeiro-general Crook, que estava em Charleston (Virgínia Ocidental) e o mandou atacar a Ferrovia Virginia-Tennessee, importante transporte dos confederados que ligava a capital confederada Richmond (Virgínia) a Knoxville (Tennessee).

Aos 35 anos de idade, Crook se apresentou ao quartel-general do exército da União em City Point, Virginia, onde a missão foi explicada pessoalmente por Grant. Crook foi instruído a marchar com seus homens da Divisão Kanawha contra a estação de Dublin, Virginia, 140 milhas ao sul de Charleston.

Em 29 de abril de 1864, a Divisão Kanawha partiu de Charleston. Crook enviou uma força sob o comando do brigadeiro-general William W. Averell contra Saltville, enquanto rumava para Dublin com nove regimentos de infantaria, sete regimentos da cavalaria e 15 peças de artilharia, uma força organizada de 6.500 homens em três brigadas. Os engenheiros de Crook tiveram que construir várias pontes que permitiram o avanço das tropas.

A coluna chegou em Fayette a 2 de maio e então atravessou Raleigh Court House e Princeton. Na noite de 8 de maio, a divisão acampou em Shannon's Bridge, Virginia, 10 milhas ao norte de Dublin.

O comandante dos confederados, coronel John McCausland percebeu o avanço inimigo e preparava-se para evacuar 1.100 homens. Antes que os transportes chegassem, porém, foi avisado pelo brigadeiro-general Albert G. Jenkins sobre a chegada dos reforços enviados pelo General John C. Breckenridge para deter o avanço de Crook. As forças combinadas de Jenkins e McCausland reuniram 2.400 homens. Jenkins assumiu o comando da operação que tentaria deter Crook.

Na manhã de 9 de maio, Crook enviou seus homens para o sul, nas montanhas Cloyd. Crook mandou a terceira brigada do coronel Carr B. White para tentar abrir um flanco de ataque aos rebeldes. No dia 11, ele enviou a primeira brigada de Hayes e a segunda brigada do coronel Horatio G. Sickel para um ataque frontal aos confederados. Os oficiais desmontaram e desceram a pé. Crook ficou com a brigada de Hayes para liderar o ataque. Depois de uma longa espera, Hayes ouviu o barulho dos canhões à esquerda e ordenou o avanço de seus homens.

Os soldados da União fizeram vários prisioneiros e o General Jenkins foi ferido. Enquanto a batalha da Montanha Cloyd ainda se desenrolava, um trem chegou à estação de Dublin e trouxe 500 soldados descansados do general da cavalaria confederada John Hunt Morgan, que tinham lutado contra Averell em Saltville. O coronel Hayes, que assumira temporariamente o comando de Crook que ficou em dificuldades, imediatamente recrudeceu o ataque aos inimigos. O General Crook chegou pouco tempo depois com o resto da divisão e os inimigos foram dobrados e fugiram. A batalha da montanha Cloyd custou à União 688 baixas, enquanto os confederados sofreram 538, entre mortos, feridos e capturados.

Crook instalou seu comando em Dublin, onde ele tomou posse da ferrovia e dos armazéns militares. Na manhã seguinte, os principais efetivos do seu exército rumaram para a ponte do Novo Rio.

Os confederados, agora liderados pelo coronel McCausland, esperaram do lado este do Novo Rio para defender a ponte. Crook ordenou que a ponte fosse destruida e ambos os lados assistiram a magnifica estrutura desabar nas águas do rio. McCausland então foi com seus comandados para o leste.

O general Crook enviou tropas para se juntar a Sigel no Vale de Shenandoah. Tendo completado a maior parte da missão com a destruição da ferrovia Virginia-Tennessee, Crook voltou para a base da União em Meadow Bluff, no oeste da Virginia.

Em agosto, Crook assumiu o comando do exército da Virginia Ocidental. Crook liderou seus soldados na campanha de 1864 e nas batalhas de Opequon, Fisher's Hill e Cedar Creek. Em 21 de outubro de 1864, Crook foi promovido à major-general dos voluntários.

Em fevereiro de 1865, o general Crook foi capturado por cavaleiros confederados em Cumberland, Maryland e foi libertado um mês depois. Ele então assumiu o comando da divisão da cavalaria do Exército de Potomac durante a campanha de Appomattox que terminaria com o fim da Guerra Civil.

Encerrada a Guerra Civil, George Crook foi convidado ao posto de major-general no exército regular da União, mas preferiu servir como tenente-coronel no vigésimo-terceiro regimento da infantaria na fronteira noroeste da costa do Pacífico. Ali ele moveu campanhas militares contra os índios Paiute. O presidente Grant então ofereceu a Crook o comando do território do Arizona. Crook, usando batedores apaches conseguiu uma trégua com Cochise e seus guerreiros. Em 1872 o Arizona estava pacificado e Crook foi indicado para general-de-brigada do exército regular. A missão seguinte foi enfrentar os Sioux durante a "Grande Guerra Sioux de 1876-77". Ele lutou contra os Lakota na batalha de Rosebud.

Crook comandou o Departamento Indígena de Platte, de 1875 a 1882, sendo o quartel-general localizado em Forte Omaha no norte de Omaha, Nebraska.

Em 1882, Crook voltou ao Arizona. Os apaches estavam novamente em guerra contra os americanos, liderados por Geronimo. Crook forçou os guerreiros a se renderem, mas Geronimo escapou. Em sinal de respeito, os índios chamavam Crook de Nantan Lupan, que significava "Raposa Cinzenta". Nelson A. Miles substituiu Crook no comando do território e terminou a guerra Apache, enviando Geronimo, a tribo Chiricahua e os batedores apaches do exército ao exílio na Flórida. Conta-se que Crook ficou furioso com o destino dos batedores índios, enviando vários telegramas de protesto para Washington. O presidente Grover Cleveland o substituiu no comando da divisão do Missouri em 1888.

Crook passou seus últimos anos discursando contra o tratamento injusto dado a seus antigos adversários índios. Ele morreu repentinamente em Chicago. Crook foi enterrado em Oakland, Maryland, mas depois seus restos passaram para o cemitério militar de Arlington, em 11 de novembro de 1898.

Nuvem Vermelha, lider dos Sioux, disse de Crook quando ele morreu, "Até onde eu sei, ele nunca mentiu para nós. Suas palavras nos davam esperança."

Quem É Você Agora

Quem É Você Agora

Teixeirinha

Eu não esperava que você chegasse ao ponto que chegou
Desemcabeçada pelo vagabundo que lhe carregou
Também apoiada pelos cafajestes que não lhe criou
Depois de ser gente a mulher decente, as origens voltou
Eu em sua vida te juro que fui um bilhete premiado
Por que há muitos anos eu lhe retirei de um rancho esfarrapado
Lhe trouxe comigo enfeitei teu corpo que era amarrotado
Lhe matei a fome e te dei um nome divino e honrado

Formamos um par querido de todos pelo mundo afora
Sem papel casamos em nome de Deus e nossa senhora
Lhe tornei esposa desse homem honesto que lhe canta agora
Lhe dei o perfil de uma miss brasil bonita por fora
És feia por dentro porque acumulas mentira e maldade
Herdasde ao nascer na cama humilde da natalidade
Tentei corrigir todos seus defeitos, toda falsidade
Fiz tudo porque; prá chamar você; mulher de verdade

Em troca de tudo que fiz pro você recebi o mal
Fugiste de mim quando eu me encontrava naquele hospital
Robou os meus filhos que eu amava e amo mulher desleal
Você me judiou, mas não derrubou a minha moral
Mulher eu não nego você foi alguém que mais amei na vida
A prova está aí no meu coração abriste uma ferida
Resta a cicatriz porque não esqueço a filhinha querida
E o filho adorado tem um pai honrado e uma mãe perdida.

sábado, 12 de junho de 2010

O Caçador De Homens

O Caçador De Homens

O sargento Will Torrence, desertor do exército americano junto a um grupo de soldados, fundou uma comunidade livre nos Montes Coronados, em que brancos e peles-vermelhas vivem em harmonia, enquanto o rígido e cruel major David Craig, temendo pela sua carreira e animado por insanos propósitos de vingança, manda atrás dos desertores um bando de caçadores de recompensa liderados pelos cruéis Hoss O'Brien e o mestiço Mickey Finn, uma verdadeira dupla de cascavéis que não hesita em matar e torturar. Tex se coloca ao lado dos fugitivos e os ajuda a fugir para o México, numa aventura em que o Oeste mostrado pelo roteirista Mauro Boselli, amargo, violento, carregado de ódio e preconceitos, fica impresso na mente do leitor, sobretudo pelos belos traços do desenhista Carlo Raffaele Marcello.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sistema Antigo

Sistema Antigo

Os Monarcas

Um pouco de saudade lá do meu rincão
Um gesto de carinho da gaúcha amada
Um toque de cordeona e um bom chimarrão
Um quera pacholento pra contar pueradas

Eira eira boi tempo feliz que muito longe vai
Eira eira boi no velho rancho do meu velho pai
Antigamente se carneava um boi
Se convidava toda a vizinhança
Era uma festa de violão e gaita
Lá pelas tantas começava a dança
E gauchada pela noite afora
Faziam farra ate romper a aurora

Eira eira boi tempo feliz que muito longe foi
Eira eira boi tempo feliz que muito longe foi
Quem se criou pelo sistema antigo
Cá na cidade vive inconformado
E quando encontra algum gaúcho amigo
Fala de tudo que lembra o passado
Canta saudade do gorjeio triste
Lembra do tempo que já não existe

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pocahontas

Pocahontas

Pocahontas (1595 - 23 de março de 1617) foi uma índia que casou com o inglês John Rolfe, tornando-se uma celebridade no fim de sua vida. Era filha de Wahunsunacock (conhecido também como Powhatan), que governava uma área que abrangia quase todas as tribos vizinhas na região de Tidewater, no estado de Virgínia (chamada naquele tempo de Tenakomakah). Seus verdadeiros nomes eram Matoaka e Amonute; Pocahontas era um apelido de infância. A vida de Pocahontas deu margem a muitas lendas. Tudo que se sabe sobre ela foi transmitido oralmente de uma geração para outra, de modo que seus pensamentos, seus sentimentos e sua origem histórica permanecem muito desconhecidos. Sua história se transformou num mito romântico nos séculos seguintes à sua morte, incluindo um filme da Disney (Pocahontas) e também no filme O Novo Mundo (The New World) (2005), dirigido por Terrence Malick e estrelado por Colin Farrell e Christian Bale.

Pouco se sabe sobre a infância de Pocahontas. Ela era filha do chefe Powhatan com uma de suas várias esposas; foi afastada de sua mãe após seu nascimento, como era tradicional com as esposas de Powhatan.

Pocahontas teria tido um romance com o capitão da marinha inglesa John Smith. No entanto, não existem relatos que confirmem a veracidade deste facto.

Durante sua estada em Henricus, Pocahontas encontrou-se com John Rolfe, que caiu de amores por ela. Rolfe, cuja esposa e filha tinham falecido, tinha cultivado com sucesso uma nova espécie de tabaco em Virgínia e tinha gasto muito de seu tempo lá para a colheita. Ele era um homem muito religioso que se angustiava com as potenciais repercussões de casar com uma selvagem. Em uma longa carta dirigida ao governador, pediu permissão para casar-se com ela, relatando seu amor por ela e sua crença de que ela poderia ter sua alma salva. Ele alegou que não estava somente movido "pelo desejo carnal, mas pelo bem desta plantação, pela honra de nosso país, pela Glória de Deus, pela minha própria salvação... ela se chama Pocahontas, a quem dirijo meus melhores pensamentos, e eu tenho estado por tanto tempo tão confuso, e encantado por esse intricado labirinto...". Os sentimentos de Pocahontas sobre Rolfe e a união são desconhecidos. Casaram-se em 5 de abril de 1614. Viveram juntos nos anos seguintes na plantação de Rolfe, Varina Farms, que estava localizada ao lado do James River, na nova comunidade de Henricus. Tiveram um filho, Thomas Rolfe, nascido em 30 de janeiro de 1615. Sua união não obteve sucesso no sentido de trazer o cativos de volta, mas estabeleceu um clima de paz entre os colonos de Jamestown e a tribo de Powhatan por muitos anos; em 1615, James Habor escreveu que desde o casamento "nós tivemos um amigável comércio não só com os Powhatans como também com todas aqueles que estavam em nossa volta".

Os responsáveis pela colônia de Virgínia encontravam dificuldade em atrair novos colonos para Jamestown. Com o objetivo de encontrar investidores para assumir os riscos, usaram Pocahontas como um jogo de marketing, tentando convencer os europeus de que os nativos poderiam ser domesticados; buscavam desse modo salvar a colônia. Em 1616, os Rolfes viajaram para a Inglaterra, chegando no porto de Plymouth e dirigiram-se para Londres em Junho de 1616. Foram acompanhados por um grupo de 11 nativos. Pocahontas entreteve várias reuniões da sociedade. Ao chegar, O rei não queria recebê-la formalmente. Por isso, Smith, que estava em Londres, ao saber disso, escreveu uma carta ao rei contando como Pocahontas havia salvo-os em Jamestown, da fome, frio e da morte. O Rei, por causa disso aceita recebê-la. Pocahontas e Rolfe viveram no subúrbio de Brentford por algum tempo. Em março de 1617, tomaram um navio e retornaram à Virgínia. No entanto, o navio havia somente chegado à Gravesend, no Rio Tamisa, quando Pocahontas ficou doente. A natureza da doença é desconhecida, mas pneumonia, varíola ou tuberculose são os diagnósticos mais prováveis. Ao desembarcar, ela morreu. Seu funeral ocorreu em 23 de Março de 1617, na paróquia de Saint George, Gravesend. Em sua memória, foi erguida em Gravesend um estátua de bronze em tamanho real.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Alma Apaixonada

Alma Apaixonada

Os Monarcas

Composição: João Argenir dos Santos / Varguinhas

Quando às vezes sinto uma saudade impertinente
que faz a gente sofrer calado e nem chorar porque ultrapassou
todos os limites que essa minha alma apaixonada
numa loucura desenfreada chorei demais e meu pranto secou.

O vento que vai, o vento que vem
sempre traz lembranças de quem amei
O perfume dela, a saudade dela
tudo o que vivemos não esquecerei

Coração que bate,
lábios que murmuram na tarde que cai
Quase posso ver ela junto a mim essa dor não sai. [2x]

Resta cantar esse chamamé para esquecer o cheiro da flor
que era minha vida e onde está agora o meu grande amor? [2x]

Quando a noite chega, a lua cheia, o céu estrelado
penso em nós dois, e olho a meu lado:
há um vazio, o meu bem não está.

Sou barco à deriva, em noite escura um mar agitado
um cão sem dono, um violão quebrado,
está faltando alguém para me consolar.

O vento que vai, o vento que vem
sempre traz lembranças de quem amei
O perfume dela, a saudade dela
tudo o que vivemos não esquecerei

Coração que bate,
lábios que murmuram na tarde que cai
Quase posso ver ela junto a mim essa dor não sai. [2x]

Resta cantar esse chamamé para esquecer o cheiro da flor
que era minha vida e onde está agora o meu grande amor? [2x]

terça-feira, 8 de junho de 2010

La mano del morto

La mano del morto

Tex 593 – “La mano del morto“, de Março de 2010, Tex 594 – “Quel treno a mezzogiorno“, de Maio de 2010 e Tex 595 – “Deadwood“, de Junho de 2010. Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa. História inédita em língua portuguesa.


James Butler Hickok, mais conhecido por Wild Bill Hickok foi uma das lendas do velho oeste americano. Lutou no exército da União durante a Guerra Civil e, depois desta, ganhou fama como jogador profissional e fora da lei. Envolveu-se em vários duelos épicos, rapidamente explorados pela imprensa sensacionalista da época, acabando por morrer durante um jogo de póquer num saloon em Deadwood, no Dakota.

Reza a lenda que, não encontrando vago o seu lugar habitual, Hickok acabou por sentar-se de costas para a porta, sendo baleado por Jack McCall. Na altura, dispunha de um par de ases, um par de oitos e uma dama, conjunto de cartas este que ficou para sempre conhecido como a “Mão do Morto”. E é desta forma que Boselli inicia esta aventura, certamente uma das melhores de sempre da série.

Não se trata de retratar a vida preenchida desta personagem símbolo da história do oeste, nem tão pouco colocar Tex novamente ao lado de figuras históricas. Boselli vai mais além, aproveitando a História para subir ao patamar da intriga política.

Tudo começa em Deadwood, em Agosto de 1876. Um homem entra num saloon e é convidado para se juntar a um jogo de póquer. Os factos seguintes fazem parte da História, mas o argumento de Boselli é suficientemente rico e de tal modo bem elaborado que em breve nos vemos em presença de um magistral complot político.

Uma história de delitos aparentemente sem ligação entre si, mas que Tex, Carson e Kit vão conseguir interligar chegando até ao episódio do assassinato de Will Bill Hickok. Uma história rica em acontecimentos, em acção, em elementos históricos, verdadeiramente fascinante, com personagens que fazem parte do imaginário do velho oeste, enriquecedoras de uma aventura épica onde Boselli consegue conjugar na perfeição a história do velho oeste com toda a atmosfera texiana, mantendo sempre latente a tensão e o mistério, apesar da extensão da aventura.

Nota-se que estamos em presença de um projecto ambicioso do autor, com uma grande concentração de factos e personagens, algo que Boselli consegue gerir espantosamente, provando, uma vez mais, ser um autor de enormes recursos narrativos, caracterizando densamente personagens e manipulando factos históricos com uma simplicidade notável.

Mais um excelente trabalho para Alfonso Font. Já o dissemos, o espanhol parece estar talhado a desenhar os melhores argumentos de Boselli. Aqui, uma vez mais, um trabalho de elevada qualidade em qualquer cenário e na composição das personagens. Will Bill está excelente, mister Black inesquecível. Óptimas sequências, como toda a que decorre no teatro, a cena do assassinato de Will Bill Hickok, no hotel, o duelo final no saloon de Deadwood.

Font está no auge das suas possibilidades, domina recursos, domina personagens e ambientes. Um traço sintético aqui, mais elaborado acolá. Menos porco que o de Ortiz, mas um traço que parece ser particular nos autores espanhóis.

Esta aventura vem afirmar Boselli como um autor que agarra em pleno ao personagem de G.L. Bonelli, modelando-o ao sabor do tempo, deste tempo, sem deixar cair o mito. Mas demonstra também um autor que, ao mesmo tempo, actua em redor do protagonista, sublinhando sempre o seu lado mais épico e justiceiro, em detrimento do ranger duro e viril bonelliano.

No final, a verdade dos factos não é desvendada, porque para Tex o mais importante é que os assassinos paguem pelo que cometeram. Já que a História deixa tantas pontas soltas, permitindo assim inúmeras interpretações subjectivas, é bom que, de quando em vez, surja um autor tão dotado como Boselli disposto a dar-nos a sua interpretação para deleite de nós leitores. E realmente o autor tem se mostrado digno de estar ao lado de Nizzi no staff de roteiristas texianos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Cavalo Crioulo e o Soneto

O Cavalo Crioulo e o Soneto

Vasco Mello Leiria

Pseud.: Capitão Caraguatá

Lombo liso, o pescoço bem plantado
O peito largo, a garupa forte e rica,
Bons aprumos e bem proporcionado
O meu pingo crioulo pontifica,

Desde a lenda, com arte, emoldurado...
O soneto é seu par, e notifica,
Entre os quatorze versos, enquadrado,
O fundo, a forma, com que justifica,

A sua "unidade e harmonia"...
Pingos buenos, que, em rima, vão troteando,
Com impulsão da raça, e... de estesia,

E, baralhando o freio, tempo a fora,
Soberbos como china... se amansando,
Com muito jeito, com estro e com espora.

domingo, 6 de junho de 2010

Sioux

Sioux

Também chamados de Dakotas ou Lakotas, espalhavam-se pelos estados de Dakota do Norte e do Sul, no centro-norte dos Estados Unidos. A origem do termo Sioux tem a ver com a expressão serpente por serem ótimos na guerra.

As principais atividades econômicas dos Sioux giravam em torno da agricultura, onde a plantação de milho possuía expressivo destaque. Além disso, realizavam caça a animais de grande porte como os bisões. A carne obtida desse tipo de caça era dividida entre as famílias que participavam da caça, o couro era utilizado para a confecção de roupas e tendas, os ossos utilizados para o artesanato e a fabricação de armas. Os seus principais inimigos eram os crow e seus aliados eram os cheyenne.

Com o contato com os colonizadores espanhóis, os Sioux passaram a utilizar cavalos nas atividades de guerra, caça e transporte. Eram os mais agressivos contra os brancos e tinham cerimônias que incluíam rituais de tortura como prova de bravura. Num desses rituais, mostrado no filme Um Homem Chamado Cavalo (1970), o índio tinha a pele atravessada por pinos de madeira presos a cordas, que eram estendidas para erguer o corpo até gerar dilacerações. Depois do processo de independência, os conflitos com os colonizadores aumentaram significativamente. Os sioux resistiram aos brancos até 1890, quando foram derrotados. Atualmente os remanescentes vivem em reservas nos estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, nos EUA.

sábado, 5 de junho de 2010

Exaltação Farroupilha

Exaltação Farroupilha

Autoria: José Hilário Retamozo

Olha estas mãos afeitas ao manejo
das rédeas e das lanças e do arado
- trilogia dos trastes campesinos
de onde surgiram rumos e destinos
de um povo que se orgulha do passado.
... Inda reboam pelos ares, soltas,
as notas libertárias de um clarim:
- Nico Ribeiro está chamando à Glória
a página imortal de nossa História
e a peonada guerreira de Jardim.
É o recomeço do decênio heróico
envolto em lances de emoção e assombros...
Os ponchos velhos acenando, em fiapos,
a legenda dos épicos Farrapos
e a liberdade agigantando os ombros.
Bento Gonçalves... Canabarro... Onofre...
Souza Netto e o sonho do Seival;
- República dos bravos, andarilha,
instalando o porvir sobre a coxilha
e a cada pouso nova Capital...
República de sonho e rebeldia,
efêmera e no entanto duradoura;
- viveu dez anos, mas se faz, ainda,
a lição imortal que nunca finda
à vossa, à nossa e à geração vindoura.
Hoje, por isso, as nossas almas rasgam
o véu do tempo, que recobre a glória
dos que souberam, com amor e afinco,
dar-nos a herança deste 35
e a intransigência de uma trajetória.
Andaremos além das nossas horas
emponchados na luz desses exemplos,
sob o batismo secular das auras
que conduziram as legiões de tauras
e ainda abençoam religiões e templos.
O Povo, a Pátria - as religiões mais altas:
a liberdade - o consagrado altar,
e entre arrepios de convulsões e alarmas,
as nossas mãos a sustentar as armas
pelo Rio Grande que nos faz sonhar.
Somos os ramos - agitadas asas
de ensangüentadas ocasiões em rubro,
ora brindando turbilhões de flores,
ou sacudindo as esgalhadas dores
sob a explosão primaveril de outubro.
E vós que sois deste Rio Grande herdeiros
contemplai este século que passa
e cinzelai sobre a emoção dos dias
a flama das sagradas rebeldias
- ainda o cerne espiritual da raça.
Reconhecemos ir sumindo, aos poucos,
pelos caminhos das modernas rotas,
nossa estirpe de bravos cavaleiros
que hoje vivem, talvez, os derradeiros
momentos em que possa andar de botas.
Daí pensarmos redobradas vezes
em fugir da alienígena influência,
e num pleonasmo já vazio de luxo,
ensinar o gaúcho a ser gaúcho
e à querência o valor de uma querência.
Em vós, guris das auroras claras
ensangüentadas do Ibirapuitã,
repousa o sonho, destas almas guaxas,
de ainda ver o Rio Grande de bombachas
ao abrir as coivaras do amanhã

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Noite Dos Assassinos

A Noite Dos Assassinos

Numa tarde de outono Tex, Carson, Kit e Jack Tigre, percorrendo as Montanhas Rochosas em direção ao sul, encontram na trilha um índio Dakota morto. O cadáver, além de subnutrição, apresentava o pé direito fraturado, motivo provável da morte. Junto a ele uma carta destinada ao Forte Benton pedindo desesperadamente provisões para sua tribo, assinada pelo Padre Fulton.

Depois de enterrarem o infeliz mensageiro, o quarteto espalha-se em busca da aldeia que calculam não estar muito longe dali. Após umas duas horas é Jack Tigre quem avista num vale um grande acampamento indígena e avisa os outros que logo para lá se dirigem. O que vêem ao chegarem na aldeia lhes deixa estarrecidos: centenas de índios literalmente em pele e osso, quase beirando a morte por pura deficiência de alimentos. A frente de todos apresenta-se Falcão Negro, chefe dos Dakotas que, entre saudações, lhes pergunta ansioso pelos mantimentos do forte.

Diante da expectativa dos presentes Tex mente que as provisões já se encontram a caminho e ao mesmo tempo pede para ver o Padre Fulton enquanto seu filho e Jack Tigre entregam seus próprios viveres para um sopão geral.

Ao padre e ao chefe da tribo Tex revela sobre o destino do mensageiro e também descobre que este atraso das provisões não é normal. Fica também sabendo que o Sargento Slater do Forte Benton costumava receber uma porção de pepitas de ouro na entrega destes mantimentos, que deveriam ser de graça.

Sem mais perda de tempo, Tex e Carson partem para a floresta em busca de caça, para pelo menos amenizar a terrível situação dos índios. Mas levam consigo os cavalos de Kit e Jack Tigre, já que perceberam nos desesperados índios a nítida intenção de transformar os eqüinos em comida, como já haviam feito com todos os animais da aldeia, inclusive os cachorros.

No interior floresta, cerca de uma hora depois, Tex percebe barulho na retaguarda e suspende-se em uma árvore enquanto Carson segue em frente. Não demora e Tex avista entre as árvores um imenso urso pardo. Sem perda de tempo alveja o animal, porém a fera, mesmo atingida mortalmente, investe contra o caçador, que é obrigado a realizar mais cinco disparos à queima-roupa, o último já a poucos centímetros das perigosas garras do animal.

Carson, ao retornar, ainda vê a queda, árvore abaixo, do pesado urso. Cabelos de Prata retorna imediatamente para a aldeia com a preciosa caça enquanto que seu companheiro permanece na mata para caçar mais algum animal, o que concretiza-se horas mais tarde, quando também Tex retorna à aldeia com um possante alce preso na garupa do cavalo. Finalmente os pobres índios tinham o que comer, embora que provisoriamente.

Mais tarde, também alimentados e em frente a uma fogueira tomando café, os quatro companheiros discutem as próximas providências. Em volta deles, a renascida aldeia e uma noite fria de lascar. Assim definem os próximos movimentos: Tex e Carson partiriam para o Forte Benton pela manhã a fim de descobrirem os motivos que impediram o Sargento Slater ou o agente índigena de enviarem as provisões e Kit e Jack Tigre permaneceriam na aldeia caçando para a tribo, pois os guerreiros estavam fracos demais para fazerem isto com sucesso.

Após dois dias de viagem, Tex e seu parceiro chegam ao forte com a convicção de que os problemas dos índios estavam relacionados com os pagamentos em ouro ao sargento. Mal descem dos cavalos, são recebidos pelo tenente que os conduz ao comandante, Coronel Ramsey, que surpreende-se ao se inteirar da situação dos Dakotas a quem muito estimam, reconhecendo a urgência destas mercadorias.

Imediatamente o Sargento Slater é chamado, porém, ao ser indagado, põe em dúvida as afirmações de Tex. A partir daí Tex perde a paciência e uma seqüência de murros tem início, atingindo em cheio o desavisado sargento Slater. O Coronel esboça uma firme intervenção no interrogatório de Tex, mas uma suja história veio à tona: o Sargento Slater, em parceria de Nick Billing, agente encarregado de fornecer os viveres dos Dakotas, deixaram os índios sem provisões, condenando-os a uma morte certa, o que os levaria ao movimento final: apossarem-se da jazida de ouro dos índios.

Ainda incrédulo, o coronel manda prender o sargento desonesto e se responsabiliza de entregar nos próximos dias e em caráter de emergência, mantimentos aos índios. Diante da descoberta da tramóia, Tex e Carson seguem imediatamente para Great Falls, com o propósito de localizar e entregar à justiça o impiedoso Nick Billing.

A caminho, prevendo cheiro de confusão, os dois parceiros conjecturam a possibilidade do criminoso agente indígena ser influente na cidade e estar cercado de um bando de assassinos. E não estavam errados: naquele mesmo momento Nick Billing, um respeitável comerciante de Great Falls, dono do Cassino Big Montana, do Hotel Montana e do Armazém Billing, estava reunido com os cúmplices Streker e Markam, dando-lhes detalhes para a invasão ao acampamento Dakota e ordens para que exterminassem todos os índios que restassem sobreviventes.

Já a noitinha, depois de algumas horas de cavalgada, os dois incansáveis rangers do Texas chegam a Great Falls. Os cavalos ficam na estrebaria e ambos alcançam a rua principal, sendo subitamente saudados pelo xerife Bart Logan, ex-sargento do Forte Defiance, velho conhecido de Tex. Seguido ao feliz encontro, vão os três jantar num restaurante próximo.

Tex não perde tempo e pede ao xerife informações sobre Nick Billing, quase ao mesmo tempo que este também adentra no restaurante. Aproveitando a ocasião, Bart Logan convida o recém chegado a acompanhar-lhes a mesa, já que Tex também é um agente indígena. O convite foi pomposamente reforçado por Tex, enquanto Carson divertidamente pensava: "a aranha convidando a mosca...".

O astucioso ranger inventa que sua presença na região inclui uma visita a "famosa reserva dos Dakotas do Padre Fulton", solicitado pelo departamento dos índios, uma vez em Washington fala-se muito sobre a reserva exemplar que ela é. Surpreso e contidamente contrariado, Billing tenta desestimular nossos heróis desta empreitada, argumentando que a reserva fica longe da estrada, salientando as dificuldades do inicio do inverno e até mesmo o risco das tempestades de neve, sugerindo matreiramente que os visitantes aguardem a primavera chegar para fazer tal visita.

Fingindo não ter mudado de idéia, Tex pergunta se os víveres dos índios estão sendo enviados regularmente, pois numa região de difícil acesso, a falta de mantimentos poderia gerar uma autêntica calamidade. O comerciante afirma descaradamente estar tudo em ordem e não demora muito para despedir-se do grupo, arranjando uma desculpa para deixar o prédio. Tex e Carson permitem que o teatro continue e, quando Billing se afasta, narram ao admirado xerife os últimos acontecimentos na aldeia dos Dakotas e no Forte Defiance.

Por sua vez Billing sai do restaurante direto para o Cassino Big Montana, com o intuito de encontrar o quanto antes algum de seus assassinos. Tencionava livrar-se imediatamente destes dois indesejáveis forasteiros. "Se eles chegassem na aldeia poderiam estragar todos meus planos", pensa o nervoso facínora, nem suspeitando das intenções reais dos rangers na cidade.

Chegando ao cassino, Billing encontra o mestiço Louis e dois comparsas "depenando um pato" num jogo de cartas. Afastada a vítima dos jogadores, Billing expõe sua intenção ao grupo e acertam por quinhentos dólares a morte dos acompanhantes do xerife para aquela mesma noite.

Os assassinos dirigem-se ao Restaurante Francês, mas ainda a caminho do mesmo, cruzam com o xerife e conhecem as duas futuras vítimas. Sem se deixar notar, seguem o trio até o cassino, onde o xerife e os rangers foram tomar um trago de uísque por conta da casa.

Sem perder tempo, os assassinos posicionam-se em emboscada protegidos pela escuridão no outro lado da rua, em frente ao cassino. Quando o trio aparece na porta de saída, o movimento das armas dos bandidos na noite enluarada emite reflexos captados instintivamente pelos olhos treinados de Tex.

Mais instintiva ainda é sua reação em jogar o xerife ao chão e alertar Carson, que esquiva-se a tempo para o interior do bar. Enquanto as balas passam raspando pelas cabeças de Tex e do xerife, Carson atira em todos os lampiões do cassino, visando colocar defensores da lei e assassinos em igualdade de condições. Desenrola-se então um feroz tiroteio, ao final do qual os três bandidos são eliminados.

Em meio aos curiosos, o xerife identifica os três mortos: o mestiço Louis, Dirk Lester e Gart Handy, todos jogadores. Aparece então um homem que disse ter jogado com eles poucas horas atrás, quando Nick Billing interrompeu o jogo levando os mesmos para conversarem em particular.

O xerife passa a acreditar nas previsões de Tex, entretanto, sem poder provar nada contra o mandante da emboscada e com os bandidos mortos, Tex e Carson se despedem de Bart Logan e vão para o hotel, para descansar e dormir até o dia seguinte.

Ao menos foi isso que disseram ao agente da lei. Algumas horas mais tarde, saindo pelos fundos do hotel, Tex e Carson transitam pelas sombras e, seguindo indicações do xerife, chegam à casa de Billing. Para evitar serem reconhecidos, colocam lenços nos rostos, abrem a porta com a faca e começam a procurar documentos comprometedores pelas gavetas.

Num descuido, Carson derruba ao chão um lampião e Billing acorda com o barulho, resolvendo verificar o que se passava no andar de baixo. Sem nem imaginar o que o espera, é recebido com uma cadeirada e cai desfalecido. A investigação continua, mas sem nenhum resultado.

Tex e Carson decidem encerrar as buscas, mas antes Tex resolve "agradecer" ao comerciante todos os dissabores causados aos índios e a ele próprio. Mesmo estando o homem desacordado, a revolta de Tex é tanta que golpeia o mesmo várias vezes, deixando-o cheio de hematomas. Tex e Carson saem outra vez furtivamente e, sempre pelas sombras, chegam ao hotel, conseguindo entrar em seus quartos sem serem vistos.

Daí para frente as coisas se desenrolam num clima eletrizante... Na aldeia começam as nevascas e durante a noite os assassinos contratados de Nick Billing aparecem. Kit e Jack Tigre entram em ação para defenderem os índios. Na cidade um homem poderoso e enraivecido gastará uma fortuna para impedir que seus inimigos alcancem a aldeia. Quer vê-los mortos mas sem comprometimento público, portanto contrata uma quadrilha para matá-los durante trajeto em campo aberto. Cenas de perseguições em trenós puxados por cães amestrados, estratégias na neve, confrontos e várias trocas de posições onde perseguidos se tornam perseguidores. Uma história no outono de Montana, recheada com com todas as matizes da estação.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Gumercindo Saraiva

Gumercindo Saraiva

Gumercindo Saraiva (Arroio Grande, 13 de janeiro de 1852 — Carovi, 10 de Agosto de 1894) foi um dos comandantes das tropas maragatas durante a Revolução Federalista.

Em 1892, o governo de Júlio de Castilhos entra numa fase de instabilidade, o Rio Grande está em ebulição, de um lado os castilhistas Pica-paus e do outro os federalistas maragatos liderados pelo General João Nunes da Silva Tavares , o Joca Tavares, a Revolução Federalista estava se iniciando. Gumercindo tendo se negado a aderir ao castilhismo, estava sendo perseguido e resolve voltar ao Uruguai onde os que faziam oposição ao governo de Castilhos estavam formando suas tropas.

Em 2 de fevereiro de 1893, acompanhado por seu irmão Aparício Saraiva e liderando cerca de quatrocentos cavaleiros, a maioria uruguaios, atravessou a fronteira pelo povoado da Serrilhada, entrando no Rio Grande, juntando-se aos homens do General João Nunes da Silva Tavares, formando assim o Exército Libertador, um contingente de mais de três mil homens, que em pouco tempo com as adesões, chegaria a doze mil. Consta também que um terceiro irmão, Mariano, também teria participado desta revolução. No Uruguai os tres irmãos Saraiva (Saravia) eram conhecidos como Os tres de Cerro Largo.

Em 4 de abril de 1893 acontece a primeira batalha com as tropas legalistas (Pica-paus). Depois de vários combates com as forças do governo, percebendo estar diante de um exercito melhor preparado e armado, Gumercindo Saraiva parte para a prática de guerrilha, evita combates convencionais, dispersa as tropas legais para tentar vencê-las depois, em partes, tática esta que deu certo e foi de enorme inteligência.

Gumercindo Saraiva e sua tropa dirigiram-se para Dom Pedrito. De lá iniciaram uma série de ataques relâmpagos contra vários pontos do estado, desestabilizando as posições conquistadas pelos legalistas.

Em seguida rumaram ao norte, avançando em novembro sobre Santa Catarina e chegando ao Paraná, sendo detidos covardemente na cidade da Lapa, a sessenta quilômetros a sudoeste de Curitiba. Nesta ocasião, o coronel Gomes Carneiro morreu em fevereiro de 1894 sem entregar suas posições, no episódio que ficou conhecido como o Cerco da Lapa.

O almirante Custódio de Melo, que chefiara a revolta da Armada contra Floriano Peixoto, uniu-se aos federalistas e ocupou Desterro, atual Florianópolis. De lá chegou a Curitiba, ao encontro do caudilho-maragato Gumercindo Saraiva.

A resistência da Lapa impediu o avanço da revolução. Gumercindo, então impedido de avançar, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul. Morreu em 10 de agosto de 1894, após ser atingido por um tiro desferido a traição enquanto reconhecia o terreno na véspera da Batalha do Carovi.

Após a queda da Lapa, rumou para Curitiba que encontrou completamente desguarnecida, partindo em seguida para Ponta Grossa, onde enfrentou as tropas legais que haviam recebido reforços de São Paulo, obrigando-o a recuar, iniciando assim a retirada e seu retorno ao Rio Grande do Sul, agora acossado pelas tropas do governo.

Em marcha pelos três estados, desde sua partida de Jaguarão até o retorno ao Rio Grande, o General Gumercindo Saraiva e suas tropas percorreram a cavalo, um trajeto de mais de 3.000 km.

Em 27 de Junho de 1894 enfrentou sua última grande batalha. No dia 10 de Agosto morreu com um tiro no tórax, de tocaia, antes de iniciar a Batalha do Carovi.

Numa guerra de barbáries em ambos os lados, dois dias depois de enterrado, seu corpo foi retirado da cova, teve a cabeça brutalmente decepada e levada em uma caixa de chapéus ao governador Júlio de Castilhos. Seu corpo, mais tarde, foi levado e sepultado no cemitério municipal de Santa Vitória do Palmar, sem a cabeça.

Entre lendas e fatos sobre o General Gumercindo Saraiva, encontram-se duas histórias famosas e verdadeiras quando de sua estada em Curitiba, onde prometera aos lideres locais que a população e seus costumes seriam respeitados em troca de apoio aos revolucionários.

Numa ocasião em que os seus soldados foram acusados de roubar uma coleção de moedas do Museu Paranaense, a título de ressarcimento, Gumercindo Saraiva doou sua espada ao acervo do Museu, onde se encontra até hoje.

Em outra ocasião, um soldado de nome Diniz, matou uma mulher com uma navalha, Gumercindo muito revoltado, resolve aplicar uma punição exemplar mandando decapitá-lo.

A propaganda de guerra governista acusou-o de atrocidades, fato esse que foi desmentido por centenas de testemunhos, inclusive de inimigos políticos seus. Pois em casos de abusos cometidos por seus comandados, punia exemplarmente, como o foi com o soldado Diniz. Em estudo realizado numa pesquisa da Escola de Comando e Estado Maior (ECEME), foi considerado o maior líder de combate dessa Revolução.

Quando da chegada das tropas de Gumercindo Saraiva à Desterro (Florianópolis) e Curitiba, as tropas florianistas deixaram as cidades desguarnecidas, abandonaram suas defesas e recuaram, deixando somente alguns soldados na retaguarda e a população entregue à própria sorte. Em ambas as cidades, a elite política, comerciantes e industriais, resolveram, para evitar saques, mortes e estupros, fazer um acordo com Gumercindo Saraiva, neste, as tropas dos Maragatos, respeitariam um acordo de não violência e em troca a população pagaria um tributo de guerra. O acordo foi estabelecido e a população foi poupada, quando na verdade o tributo nem seria necessário, pelo fato de Saraiva ser benevolente com a população.

Mas os federalistas, depois de sucessivas lutas e atos de heroísmo e bravura que se inscrevem nos anais da História Pátria, são derrotados e, com as volta das tropas legais foi feito um sangrento "acerto de contas".

Em Curitiba, diante da iminência do ataque, o povo recorreu ao Barão do Serro Azul (Ildefonso Pereira Correia), pois nenhum outro líder inspirava confiança. O governo estava acéfalo. Formou-se uma Junta Governativa do Comércio, sob a chefia de Serro Azul, habilitado a conter os excessos de uma cidade despoliciada e aturdida. Criaram o empréstimo de guerra e foram a Gumercindo Saraiva negociar a invasão de Curitiba.

O mesmo aconteceu em Desterro, onde o Barão de Batovi (Manoel de Almeida Coelho da Gama Lobo d'Eça) presidiu uma tumultuada e histórica reunião realizada no dia 29 de setembro de 1893, durante a qual optou-se pela capitulação frente aos navios da Armada, amotinados contra o ditador Floriano Peixoto. Batovi não fez senão render-se às aspirações dos habitantes de Desterro apavorados e subitamente envolvidos em tão espetaculares acontecimentos.

E, as até então pacatas Curitiba e Desterro, entram para a lista negra de Floriano Peixoto.

Vingativo, o marechal Floriano nomeia e manda para Santa Catarina, o impetuoso tenente-coronel de Infantaria do Exército. Antônio Moreira César, nome que a historia celebra pelas alcunhas de Corta-Cabeças. Ao mesmo tempo tropas do coronel Pires Ferreira ocupam Curitiba, abandonada pelos federalistas e o comandante do distrito militar, general Ewerton de Quadros, impunha a lei marcial.

Covardemente no Paraná, dezenas de pessoas, entre civis e militares foram executados sumariamente, já em Santa Catarina esse número subiu para cerca de 300 pessoas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln (12 de fevereiro de 1809 — 15 de abril de 1865) serviu como o 16° Presidente dos Estados Unidos de março de 1861 até seu assassinato em abril de 1865. Ele liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra de Secessão, preservando a União e abolindo a escravidão. Antes de sua eleição em 1860 como o primeiro presidente Republicano, Lincoln atuou como advogado de condado, legislador pelo estado de Illinois, membro da Câmara dos Representantes e duas vezes candidato derrotado ao Senado dos Estados Unidos. Oponente declarado à expansão da escravidão nos Estados Unidos, Lincoln venceu a pré-candidatura do Partido Republicano em 1860, sendo eleito presidente no final do mesmo ano. Grande parte de seu mandato foi dedicado ao covarde e desigual combate aos separatistas dos Estados Confederados da América durante a Guerra da Secessão. Ele introduziu medidas que levaram à abolição da escravidão, promulgando a Proclamação de Emancipação em 1863 e promovendo a aprovação da décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos.


Seis dias após a rendição em larga escala das forças Confederadas sob o comando do General Robert E. Lee, Lincoln se tornou o primeiro Presidente dos Estados Unidos a ser assassinado.

Nasceu numa família de condição humilde, no Condado de Hardin (Kentucky) agora parte do Condado de LaRue, próximo à cidade de Hodgenville, Kentucky, e exerceu diversos ofícios manuais até que pôde estudar Direito, abrindo seguidamente cartório em Springfield.

Em 1816, sua família mudou-se para o estado de Indiana, onde Lincoln viveu dos sete aos 21 anos. Seus estudos, segundo suas próprias palavras, resumiam-se, nessa época, a saber ler, escrever e fazer as quatro operações. No estado havia escassez de livros e papel, e a Bíblia era provavelmente o único livro existente em casa de seus pais. Lincoln estudou-a a fundo, vindo mais tarde a enriquecer seus discursos e trabalhos escritos com citações bíblicas. Em 1831, Lincoln mudou-se sozinho para a aldeia de New Salem, no estado de Illinois, empregando-se como balconista numa loja. Em New Salem, onde viveu quase seis anos, tornou-se agente postal e mais tarde foi eleito deputado por Illinois (1834-1840) e membro do Senado (1844-1848).

Durante seu segundo mandato na Assembleia, Lincoln começou a estudar Direito e completou sua formação, tomou livros emprestados, estudou-os e, em 1836, obteve licença para exercer a advocacia. No ano seguinte mudou-se para a nova capital do Estado, Springfield, onde, juntamente a outros, constituiu um escritório de advocacia. Em 1842, casou-se com Mary Todd e, dois anos depois, montou um novo escritório em sociedade com William Herndon. Essa sociedade jamais foi desfeita. A prática da advocacia em Illinois não era especializada no tempo de Lincoln. Durante seis meses em cada ano, Lincoln integrava os tribunais itinerantes do estado percorrendo vários municípios e aceitando os casos que lhe eram apresentados. Sua atuação como advogado tornou-o conhecido em todo o Illinois. Em 1846, foi eleito para a Câmara de Representantes federal.

De 1847 a 1849, Lincoln atuou no Congresso, onde se tornou impopular por causa da oposição que fez ao presidente James K. Polk, culpando-o pela guerra com o México. Desistiu de tentar a reeleição e voltou a exercer a advocacia. Uma súbita mudança na política nacional em relação à escravidão trouxe Lincoln de volta à política. O Acordo do Missouri proibira, em 1820, a escravidão nos novos territórios situados ao norte da fronteira sul do Missouri. Em 1854, o senador Stephen A. Douglas apresentou uma lei para organizar os territórios de Kansas e Nebraska que repelia o Acordo do Missouri, estabelecendo que os colonos deveriam decidir se desejavam ou não a escravidão. Lincoln era contrário a essa lei. Em 1858, disputando uma vaga ao Senado com Douglas, Lincoln desafiou-o para uma série de debates em torno da extensão da escravidão nos territórios livres. Lincoln, mais fraco ideologicamente na questão escravagista, perdeu as eleições, mas transformou-se numa figura de destaque nacional, possibilitando assim sua candidatura à Presidência em 1860, tendo estado essa atuação relacionada, também, com a fundação do Partido Republicano dos Estados Unidos em 1854. Em 1860, a assembleia nacional republicana apresentou-o como candidato à presidência da nação.

A marcha dos acontecimentos acelerou-se no Sul durante os meses que antecederam a posse de Lincoln na Presidência. Vários líderes do Sul haviam ameaçado retirar seus estados da Federação caso Lincoln ganhasse as eleições. Quando ele tomou posse, em março de 1861, sete estados do Sul haviam-se retirado e mais quatro fizeram o mesmo depois. Esses estados formaram, então, a Confederação dos Estados da América. Apesar de ter intentado um esforço extraordinário de conciliação, a sua escolha eleitoral para aquele cargo provocou a eclosão da Guerra Civil Americana. Em 12 de abril, os confederados bombardeavam o forte Sumter. Lincoln enfrentou a crise com energia: decretou o bloqueio dos portos sulistas e aumentou o exército além dos limites impostos pela lei. Após perderem as primeiras batalhas, os nortistas acabaram por vencer a guerra, a qual durou quatro anos e deixou um saldo de 600 mil mortos. Apesar dos insucessos iniciais e da consequente impopularidade, Lincoln jamais se deixou abater. Para ele, os EUA representavam uma experiência da capacidade de um povo para se governar a si mesmo. Em 22 de Setembro de 1862 publicou a proclamação que concedia a liberdade aos escravos dos estados confederados. Aos olhos das outras nações, a libertação deu um novo sentido à guerra e abriu caminho para a abolição da escravatura em todo o país, em 1865. Em 1864, as vitórias dos nortistas possibilitaram a reeleição de Lincoln, cujo novo mandato teve início no ano seguinte. O mais justo e correto era que ele tivesse aceitado a secessão e permitido a escravidão nos locais que ficaram do lado da União.

John Wilkes Booth, um conhecido ator Confederado, formulara um plano de assassinar o presidente.
Em 14 de abril de 1865, ao ficar sabendo que o presidente e a primeira-dama assistiram uma peça no Teatro Ford, ele deu continuidade a seus planos, combinando com cúmplices o assassinato simultâneo do vice-presidente Andrew Johnson e do secretário de estado William Henry Seward. Sem seu guarda-costas principal, Ward Hill Lamon, a quem ele teria relatado um sonho três dias antes que predizia sua morte, Lincoln deixou a Casa Branca para assistir à encenação da peça Our American Cousin no Ford's, acompanhado em seu camarote pelo major Henry Rathbone e sua noiva Clara Harris.

Enquanto um segurança solitário vigiava as cercanias e Lincoln permanecia em seu camarote, Booth se esgueirou para dentro do cômodo e aguardou um momento particularmente engraçado durante a peça, esperando que os risos da platéia abafassem o barulho do tiro. No exato momento, Booth entrou no camarote e disparou à queima-roupa sua Deringer calibre .44 tiro único contra a cabeça do Presidente. O major Rathbone lutou momentaneamente com Booth, mas foi subjugado ao sofrer um corte profundo de punhal no braço. O assassino então pulou ao palco e gritou "Sic semper tyrannis!" (latim de "Isso sempre acontece com os tiranos!") e escapou, apesar de ter quebrado a perna durante o salto. E tinha toda a razão ao chamar Lincoln de tirano.

Uma caçada humana de doze dias teve início, com Booth perseguido por agentes federais sob a direção do secretário de guerra Edwin M. Stanton. Ele foi eventualmente encurralado e baleado em um celeiro na Virgínia, morrendo em consequência dos ferimentos pouco depois.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Chimarrão da madrugada

Chimarrão da madrugada

Autoria: Aureliano de Figueiredo Pinto

Não sei por que nesta noite
o sono velho cebruno
ergueu a clina e se foi!
E eu que arrelie ou me zangue.
Tenho olhos de ave da noite,
ouvidos de quero-quero
cordas de viola nos nervos
e uma secura no sangue.
Então, da marquesa salto
e vou direto ao galpão:
bato tição com tição
e a lavarede clareia
os caibros do galpão alto.
Já a cuia bem enxaguada,
corto um cigarro daqueles
de reacender vinte vezes
num trote de quatro léguas
de uma chasqueira troteada.
E, quando a chaleira chia,
principio um chimarrão,
mais verde e mais topetudo
do que um mate de barão.
Me estabeleço num banco
pra gozar gole e fumaça,
pitando um naco de branco.
E entre tragada e golito
saludo mui despacito
cada recuerdo que passa.
Um galo - o cochincho-mestre!
o laço desenrodilha.
E fica só com a presilha
e solta a armada bem grande
do laço de um canto largo
de sobrelombo a uma estrela.
E os outros galos-piazitos
vão atirando os lacitos
como em guachas de sinuelo.
E até um garnisé cargoso
vai reboleando orgulhoso
o soveuzito feioso
feito de couro com pêlo.
Nem relincham os cavalos!
Com brilhos de ponte-suelas,
lá em riba estão as estrelas!
Cá em baixo os cantos dos galos.
A estrela d'alva trabalha
na imensidão da hora morta:
- ou num perfil de medalha
ou a maiúscula inicial
sobre a prata de um punhal
que ainda há de sangrar o dia.
E a "Nova" ao largo se corta,
magra, esquilada, arredia,
empurrando a guampa torta
contra o ventito do Sul,
como num campo de azul,
a ovelha chamando a cria.
Solito, perto do fogo,
como um bugre imaginando,
escuto o Tempo rodando
sem descobrir o seu jogo.
O perro Baio-coleira
faz que cochila... E abre os olhos,
a espaços, regularmente.
E me fixa os olhos claros
como um amigo, dos raros,
cuidando do amigo doente.
É um gosto olhar os brasidos
E os luxos das lavaredas
dançando rendas e sedas
para a ilusão dos sentidos.
E entre o amargo e a tragada
tranqueiam na madrugada
tantos recuerdos perdidos.
E o chimarrão macanudo
vai entrando pelo sangue!
Vai melhorando as macetas,
curando as juntas doridas
como água arisca de sanga
sobre loncas ressequidas.
O peito avoluma e arqueia
como cogote de potro.
E as ventas se abrem gulosas
por cheiro de madrugada.
- Potrilhos em disparada
num Setembro de alvoroto.
Ah! Sangue velho... Descubro
porque hoje estás de vigília:
- Dois séculos de Fronteiras.
de madrugadas campeiras,
de velhas guardas guerreiras
bombeando pampa e coxilha!
Por isso é que hoje não dormes!
Ouviste a voz de ancestrais:
-"O chimarrão principia!
Alerta! O campo vigia!
Da meia-noite pra o dia
Um taura não dorme mais...