Um quarteto de cavaleiros tem a paz de seu café interrompido pelo detonar inconfundível dos disparos de rifles e revólveres na beira da estrada entre Parowan e Cedar City, sudoeste de Utah. Homens de ação, imediatamente montam seus cavalos e vão ver do que se trata. Logo se deparam com um cavaleiro mas são recebidos a bala pelo sujeito. Porém isto não Tex, Carson, Kit e Jack Tigre e estes, ao invés de recuar, ao contrário, respondem na mesma moeda.
Diante daquela reação o inimigo prefere dar meia volta e fugir, alertando na manobra a um companheiro de tocaia um pouco mais atrás, e logo ambos desaparecem na mata selvagem. Tex já articulava uma estratégia para captura do hostil atirador quando percebe no leito do rio uma charrete tombada com dois corpos inertes, ao seu lado.
Tex encontra uma jovem desmaiada e um homem morto. A jovem chama-se Judy, que sobrevivera à traiçoeira emboscada e, de quebra, à violenta queda da ribanceira. Safara-se com algumas poucas escoriações. O mesmo não ocorrendo com seu pobre pai Ely Kanab, guia de caravanas, que morreu antes de cumprir o compromisso de conduzir uma comunidade Quakers de Cedar City até a Califórnia.
Enquanto Carson e Kit levam a jovem para a cidade mais próxima, Tex, acompanhado de Jack Tigre, procura pistas dos assassínos descritos pela moça. Com a vista atenta, pouco depois o ranger avista importante pista na estrada: um vistoso chapéu, perfurado por um dos disparos de Judy durante sua breve e fatídica fuga. No chão encontra também vários cartuchos de rifles, confirmando a mortal tocaia.
Rumando para a cidade de Cedar City, meia hora depois já estão no interior do saloon Silver Dóllar, onde Carson e Kit já estão juntos ao xerife, procurando o sujeito que seria o proprietário do chapéu perdido na estrada. Não demora muito para avistarem a dupla Yunker e Scott adentrando no saloon. Baseado nas dicas do homem da lei que suspeitara de quem era o chapéu e percebendo um deles sem a cobertura na cabeça, Tex aproxima-se dos dois e, numa ação rápida, estende o chapéu ao homem, quase lhes barrando a passagem. E um deles, por puro reflexo, apanha o objeto que lhe era familiar.
Tex é implacável e imediatamente desfere um inesperado soco no rosto de Yunker, colocando-o a nocaute. Além disso, como Scott estava sacando uma arma, fere rápido como o raio a mão deste. Para terminar, aplica inesquecível surra no "brutamontes" Sam Boulder, comparsa da dupla e guarda-costas do Sr. Goldfield. Os fregueses do saloon ficaram estupefatos com o que viram, enquanto Carson, Tigre e Kit, escorados num balcão, a tudo observavam, num misto de prontidão e diversão. O xerife nem tempo teve para reações.
Sam tenta inocentar os assassínos e logo forja um álibi, de que ambos os homens estavam em companhia de Boulder, no acampamento de Clayton. Isto impede o ranger de continuar a linha "forçada" de interrogação que mantinha, já que, na presença do xerife e dos cidadãos, as prerrogativas da lei se impunham necessárias. Decidem então ir ao guia de caravanas nas imediações da cidade, verificar a versão dos facínoras.
Tex descobre pelo xerife durante o trajeto que os dois acusados prestam pequenos serviços para Goldfield e que são também homens da escolta de Klayton na condução de caravanas para o Oeste. Tex descobre ainda que o Sr. Goldfield é uma espécie de "manda-chuva" local, pois além de possuir diversos estabelecimentos comerciais e ter parceria no banco da cidade, é também um agenciador de pioneiros que desejam se aventurar em caravanas cruzando o oeste em direção a Califórnia.
Em meio a estas informações o esperto ranger comenta: "Parece que o caso começa a ficar claro!" e não esconde do xerife suas suspeitas da participação de Goldfield na morte do infeliz Kanab. Quando ainda prevê a perda de tempo em consultar este tal de Klayton já que tudo indica se tratar de uma quadrilha bem organizada. E Tex não estava errado... pois naquele exato momento, por outro caminho, chegava às pressas no acampamento de Klayton um mensageiro, para o alertar sobre a iminente visita do xerife e os motivos de sua inusitada presença. E assim Jim Klayton e seu parceiro Bert Adams corroboram com as afirmações do guarda-costas, encerrando provisoriamente aquela situação.
Após os homens da lei saírem, Klayton, que já conhecia a fama de Tex e Carson, manifesta ainda mais preocupação após encontrá-los cara-a-cara. Assim os dois sócios enviam mensagem ao Sr. Goldfield falando de suas apreensões sobre o caso, mas este por sua vez, já embaralhava suas cartas para dar um fim nos "intrometidos".
Rodeado por três capangas, Goldfield tramava naquele momento, em seu escritório, o sequestro de Judy para atrair numa cilada mortal Tex e seus parceiros. Estes, ainda acompanhado do xerife, visitam agora o acampamento dos Quakers, a quem o Sr. Kanab conduziría à Califórnia.
Apresentado aos irmãos Marcus e Elias Glendon e vendo a volta muitas mulheres e crianças, Tex se oferece como guia, pois mesmo não sendo um guia profissional, conhece bem o caminho. Sobretudo por que percebe neles presas fáceis para os asseclas de Goldfield. Após uma reunião, os Quakers aceitam a oferta.
Próximo da meia-noite, com a maioria dos cidadãos recolhidos em seus lares, tudo é calma e silêncio em Cedar City. No primeiro andar do Hotel Flora, o mesmo de Judy, a moça que teve o pai morto na emboscada, descansam após atribulado dia, quatro valorosos pistoleiros. Mas de repente um grito rompe a paz do prédio. "Era um grito de mulher! Vinha do quarto de Judy!" Fala Kit, saltando da cama e, de arma em punho, vai para a porta seguido de perto por Tex. Enquanto isso no quarto ao lado Carson e Tigre já faziam o mesmo.
Yunker abre a porta do quarto de Judy e depara-se com Kit saindo do seu quarto em frente. Numa ação rápida, o bandido retrocede fechando novamente a porta, ao mesmo tempo que duas balas sibilam ao seu lado após atravessarem o frágil obstáculo de madeira. O seqüestro não deu certo! Agora, para aquele facínora e seu parceiro, só restava sair pela janela do prédio e contar com a cobertura dos três parceiros em baixo, para protegerem a fuga.
Acontece que eles perturbaram o sono de pistoleiros que não deixavam uma conta deste tamanho em aberto. E, em poucos minutos, metade da cidade estava acordada contemplando os cadáveres de Yunkler, Scott e Boulder, estatelados ao chão. Os outros dois outros fugiram.
Tom e Billy chegam pouco depois à casa de Goldfield, para relatar o fracasso da missão. Daí, numa manobra de oportunismo e esperteza, acabam subjugando o proprietário e fugindo em direção ao México com uma pequena fortuna subtraída do ex-patrão. Este só acorda uma hora depois, fortemente amarrado e amordaçado.
Irritado e tentando se libertar, Goldfield derruba um lampião iniciando um incêndio. O homem então, a muito custo, consegue rolar escada abaixo e, mesmo amarrado, arrasta-se para fora do prédio. Enquanto isto, moradores alertados pelas chamas impedem a propagação do fogo ao mesmo tempo que libertam seu mais influente cidadão.
Após se recompor e com os ânimos acalmados, o esperto Goldfiled denuncia ao xerife seus assaltantes, tendo o cuidado de incluir entre eles os nomes dos três mortos no malfadado seqüestro, afastando de si suspeitas de cumplicidade. Promete ele mesmo caçar os bandidos e para isso contrata dois pistoleiros: quer recuperar parte de seu dinheiro e dar um fim nos traidores. Porém, Tom Hazel e Billy Watt se mostram muito mais perigosos que se imaginava e, num acirrado confronto com seus perseguidores nas pradarias, tombam todos, caçadores e caçados.
Kit Willer e Jack Tigre, que seguiam os cães de caça de Goldfield, só chegam após o tiroteio e apenas lhes resta deixar o caso para o xerife. Então Kit tem uma idéia: "Este dinheiro sujo vai ganhar uma finalidade mais nobre!" e pegando o dinheiro partem, sem deixar pistas ao xerife e sua patrulha que logo aparecerão.
E os novos guias de caravanas Tex e Carson?... Após quase incendiarem o Mercantil de Goldfiled, após o esmurrrarem em público, ainda conseguem se livrar da acusação de incendiários. Acontece que estavam tendo dificuldades em adquirir provisões e munição no comércio local, então... Enquanto isso, vendo as coisas esquentarem na cidade, Clayton e seus homens tratam de levantar acampamento e partir com sua caravana de emigrantes rumo ao oeste.
Naquela noite, no restaurante, frente a uma montanha de batatas fritas cobrindo suculento bife em um desaparecido prato, está Tex. A sua volta Carson, Kit e Tigre: igual. Carson ainda, reserva uma torta de maçã, de sobremesa. E, neste saudável clima, chega o xerife para afogar suas mágoas com os companheiros.
Ele relata o encontro com os quatro cadáveres na pradaria, do desentendimento com Goldfield pela ausência do dinheiro e da possibilidade de não se eleger mais xerife, justo agora que a família ganhara um novo membro, a jovem Judy. É neste instante que o pobre xerife quase tem um ataque do coração: Kit joga na mesa, a sua frente, os dólares desaparecidos. E explica que Judy é quem merece aquela bolada, uma vez que foi a maior vítima dos últimos eventos criminosos de Goldfield.
A muito custo Tex convence o honesto xerife a aceitar o dinheiro. Este só concorda em ficar definitivamente com o dinheiro depois dos rangers provarem as acusações que pesam contra Goldfield, enquanto por ora, tudo ficaria secretamente e provisoriamente sob sua custódia. Todos de acordo, encerram o assunto com uma rodada de uísque, da preferência do homem da lei.
Na manhã seguinte, bem cedo, os quatro cavaleiros deixam a cidade para, junto com os Quakers e sua caravana, irem atrás da "Terra Prometida", certa região da Califórnia. Eles já sabem das trapaças de Clayton com os viajantes e estarão alertas para descobrirem "como" ela é preparada e "o que" farão para neutralizar os cúmplices de Goldfield.
Neste momento, Clayton dá início ao seu golpe. Enquanto desvia o rumo de sua caravana para o sul, instrui Bert para encontrar-se secretamente com Kento, chefe dos cheyennes, a fim de, em dois dias nos Montes Diamond, seus índios praticarem falso ataque à caravana e roubarem o gado dos emigrantes. Também avisa Kento que um pouco atrás deles segue outra caravana, menor mas bem abastecida e quase sem proteção.
Bert diz a Kento que com esta "outra" podem fazer o que quiserem, apenas devem tomar muito cuidado com quatro pistoleiros muito perigosos. Pela descrição destes pistoleiros o chefe cheyenne reconhece um deles como Águia da Noite, chefe branco dos navajos. Sem se impressionar, o líder indígena fecha o acôrdo e combina de levar o produto do roubo ao posto comercial de Harport, como de costume.
Nisso, Tex, sempre precavido, após já estar em marcha, combina com seus pards uma avançada solitária em direção a caravana de Clayton para sondar seus movimentos. Esta manobra lhe salvaria a vida e a de todos atrás, pois logo percebe que o rumo tomado pela outra caravana conduz a lugar nenhum. Intrigado e atento, avista rastros de um cavaleiro solitário.
Tex segue estas pistas e descobre que ocorreu um encontro com vários índios, confraternização com bebidas e regresso em direção a primeira caravana. Seguindo os rastros dos índios, percebe que um grupo segue paralelo ao cavaleiro, outro índio vai para o sul e outro parte em direção a caravana dos religiosos quakers.
Então deduz que algum traidor combinara com os índios, cheyennes ou paíutes, ataque ao comboio de Clayton, provavelmente nos Montes Diamond, e um dos índios fora até a caravana dos Quakers investigar, para outro ataque mais tarde. Era necessário retornar imediatamente aos seus pards e surpreender o índio espião.
Já é noitinha quando Tex avista nas imediações do seu acampamento o cavalo do batedor espião e, em seguida descobre o índio. Aproximando-se sorrateiramente surpreende o cheyenne com um potente murro no queixo, desmaiando-o. Em seguida chama seus companheiros e relata as recentes descobertas enquanto o espião é conduzido amarrado ao centro do acampamento. O bravo cheyenne nada revela aos viajantes de suas intenções e assim permanece prisioneiro dos viajantes enquanto os quatro pistoleiros estão de prontidão para os próximos dias.
Mas o irriquieto Tex resolve seguir de perto a caravana de Clayton e acompanhado de Tigre se fixa a dois quilômetros do acampamento deles, já nos Montes Diamond. Montes estes muito propício a uma emboscada e provável ponto de um ataque surpresa.
Á noite, com todas as carroças dispostas em círculo e com alguns homens vigiando os cavalos, acontece o pior. Um dos pioneiros da caravana de Clayton é atingido por uma flecha que vem seguida de selvagens gritos de guerra. É dado o alarma geral. Clayton, aos gritos posiciona seus homens em abrigos, ao mesmo tempo que os selvagens roubavam os cavalos dos viajantes, causando um caos na caravana. Toda a farsa corria bem até que um dos membros da caravana atinge um dos cheyennes. Kento sente-se traído no acordo com o agente de Clayton.
Então o chefe cheyenne revolta-se e rompe ali o acordo com os facínoras e manda seus guerreiros atacarem sem misericórdia, começando com flechas incendiárias. Cercados, os pioneiros já antecipavam seu fim. E a dupla de traiçoeiros, sem entender o que se passava com Kento.
Tex e Tigre que a tudo assistiam escondidos a uma certa distância, resolvem intervir. Esgueirando-se na vegetação alta e com certeiros tiros de rifles, começam a causar baixas nos peles-vermelhas que percebem ter inimigos ás costas. Infalíves, e sempre mudando de posição, os dois pards causam pavor entre os índios que, sem localizar os atiradores preferem bater em retirada se contentando com os cavalos adquiridos. A dupla infernal se retira em silêncio mas, permanece por perto sondando a caravana.
Após passada a tensa noite de vigília no acampamento, Klayton envia Bert ao encontro de Kento para descobrir o motivo daquele ataque, ao mesmo tempo que, aos emigrantes propunha irem ao posto comercial de Harport a fim de abastecimento e aquisição de novos cavalos. Seu plano original seguia conforme o planejado.
O que a infame dupla não previa era da decisão dos cheyennes no rompimento da parceria. E Bert Adams descobre isto da pior forma quando é recebido hostilmente, sozinho e em campo aberto, pelos ex-aliados, é feito prisioneiro e logo é enterrado, em pé, amordaçado, com apenas a cabeça e o pescoço acima do nível da grama da pradaria.
Ao seu redor uma dezenas de enraivecidos peles-vermelhas, pela derrota noturna, tendo Kento entre eles. Sua sorte é decidida indiferente aos apelos para o bom-senso. Esvaziado o uísque do prisioneiro, os selvagens cravam uma lança entre seu peito e a terra. Com a ponta da lança a ferir-lhe a pele, matam seu cavalo e partem, deixando-o assim... sem sequer olhar para trás. Não consideram aquele homem digno de morrer pelas mãos de um guerreiro.
Em breve Bert Adams vê a cara da morte nos olhos dos sinistros abutres que desceram dos céus e estão pacientemente lhe fitando, a poucos palmos, enquanto escuta a carne do seu cavalo sendo rasgada por bicos afiados ao lado. Quando já estava com os nervos em frangalhos e, quase enlouquecendo, por aquela tortura psicológica, escuta estampidos de revólvers, o bater de asas das odiosas aves e um tropel de cavalos se aproximando.
A sua frente aparecem Tex e seu companheiro índio. Da fogueira para o fogo, mas ao menos não seria devorado vivo; era a posição em que agora se encontrava um dos responsáveis por muitas das inocentes vítimas das emboscadas de viagens programadas em Cedar City.
Angustiado para livrar-se daquele buraco, Bert concorda em "cuspir o sapo" das ligações obscuras de Goldfield com Klayton e Harport e dos ataques índigenas e roubos de gado das caravanas. Assim Tex e Tigre ficam sabendo que o posto comercial é também o local de troca que abastece os cheyennes com bebidas, munições e outras mercadorias.
"Clayton conduz as infelizes vítimas até o mesmo posto para, de forma abusiva e desumana, extorquir-lhes o quanto ainda lhes resta, antes de seguirem seu destino. Goldfield explorava os imigrantes em Cedar City, na partida da caravana e, por último, na parte enviada por Harport após cada assalto. Desta forma, eles todos lucravam sem riscos, numa operação que se repetiría enquanto houvessem viajantes para a Califórnia". Tex escuta indignado a pôdre armação explicada por Bert que, ao fim, não lhe acena qualquer esperanças de indulto, ao contrário, acrescenta a ele apenas a certeza de uma longa carreira quebrando pedras numa prisão estadual.
Então, num gesto desesperado, o truculento facínora saca uma pequena pistola de dois tiros, escondida na bota e, alveja Tex enquanto este esta distraído. Em seguida atira também em Jack Tigre, um pouco mais a frente, atingido seu ombro esquerdo. Tigre ainda consegue, numa ação muito ágil, empunhar e arremessar a lança indígena em direção ao bandido que, procurava alcançar a arma de Tex, deitado próximo. Assim, numa estocada fatal, morre Bert Adams com a lança cheyenne cravada no peito.
Tigre acode o companheiro que, felizmente sofrera apenas uma violenta pancada de raspão na testa. O projétil de Bert atingira a lateral de couro da faixa do chapéu de Tex causando-lhe breve desmaio e razoável hematoma local.
Reestabelecidos dos últimos acontecimentos, a dupla de aventureiros retorna ao seu comboio com novos planos, sabendo que no máximo em dois dias os cheyennes atacarão novamente. Já é quase noite quando chegam no acampamento dos Quakers. Após relatarem todos os acontecimentos aos espantados companheiros, Tex expõe seu novo plano: acelerar ao máximo a marcha para unir as caravanas para juntos resistirem com mais vantagens aos ataques dos peles-vermelhas.
Conforme a meta de TEX, antes do anoitecer do dia seguinte, as duas caravanas estavam reunidas ao comando de Tex, seu novo líder. E Clayton...? Ah, sim: Jim Clayton quase fora linchado pelos pioneiros quando Tex o desmascarou e denunciou sua dupla missão nesta viagem. Este larápio encontrava-se devidamente amarrado e convalescendo numa das carroças da caravana.
Naquela noite todos dormem mais confiantes, quase todos, porque os quatro pards postaram-se fora do círculo das fogueiras, vigiando em meio a vegetação e prontos para qualquer intervenção surpresa dos peles-vermelhas.
Confirmando as previsões pessimistas, por volta da meia-noite um grupo de dez cheyennes muito barulhentos investem contra o acampamento. Mas são recebidos por uma chuva tão violenta de chumbo quente que, completamente desarticulados, e diante de numerosas perdas, os sobreviventes batem em desabalada retirada.
Aos primeiros raios de sol todos avistam no uma imagem misto de beleza e horror: no alto da colina, imóveis e ameaçadores, dezenas de peles-vermelhas com seus apetrechos de guerra, sedentos de sangue e prestes a atacar. No interior do círculo de carroças, quatro pards bem armados e decididos a fazer os índios arrependerem-se de suas hostilidades.
Dado o alarma, o combate se inicia, mas rapidamente conclui-se: Tex e seus companheiros espertamente tinham postado dinamite a uma razoável distância das carroças! E com muita precisão nos rifles, recebem os atacantes com "sangue frio e muita dinamite quente". Muitos índios morrem e Kento, astutamente, prefere a retirada, decidindo ir em busca de presa mais fácil: o armazém de Harport.
Passada uma hora deste conflito e agora com ânimo renovado, estes emigrantes reiniciam a marcha. Porém, Tex sabe que as coisas ainda não estão sob controle. Com a falta dos cavalos da caravana de Clayton, mesmo usando os dos índios capturados e os de reserva dos Quakers, ainda era lento o andar. Seriam presas fáceis para aqueles selvagens ao longo do caminho que restava, precisavam de outra solução.
É durante uma conversa com Carson que Tex descobre uma possível saída. Então pede a Rocky, um dos emigrantes, que reúna os chefes de família e fala a eles: "tomei uma decisão e quero que todos saibam! Enquanto isso, vou conversar com o amiguinho Clayton!"
Com Clayton, Tex fica sabendo da posição e situação do posto comercial de Harport, onde pretendia buscar "emprestado" os cavalos e víveres que lhes faltam. Também fica sabendo que o lugar é bem construído, quase uma fortaleza, e bem guardado por dez bons pistoleiros, muito difícil de ser subjugado. Mas Tex não desiste da idéia e expõe seu plano, para horror dos dóceis Quakers.
O que Tex não poderia adivinhar é que o furioso Kento e seus guerreiros acalentavam idéias muito parecidas e, já neste momento, se dirigiam ao mesmo posto comercial. E é a partir deste embate de três grupos de homens com interesses distintos, na região semi-desértica do sul de Nevada, que Tex e seus pards resolveriam os principais problemas da sua atual missão: a derradeira contribuição dos rangers na vida daquelas desbravadoras famílias de colonizadores, conduzindo a grande caravana pelo oeste dos EUA, rumo a tão almejada Terra Prometida.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Prece a Tiradentes
Por Carlos Zatti *
José Joaquim da Silva Xavier,
Irmão, camarada do mesmo ideal autonomista e libertário, eu te cumprimento pelo teu heroísmo.
“O autoritarismo me caça
e me cassa essa esfola
contribuinte perfeito
ao fisco, que me controla”.
Liberdade, dignidade, eis tudo o que tu querias Tiradentes, para o teu povo das Minas Gerais, mas o trogloditismo centralizador não só te esfolou e te calou, mas te enforcou e te esquartejou.
A autodeterminação do povo mineiro estava na tua cabeça, irmão, tal na minha está a do Sul.
José distinto, Joaquim estrela, Silva da esperança, Xavier camarada do povo: Libertas quae será tamen !
Os nossos inimigos são os mesmos, meu amigo. Teu algoz te considerou indigno da pátria, ao não aceitares a súbita subida de impostos de 20% para 25% taxados aos teus conterrâneos mineiros. Pois, amigo velho, as “derramas” de nossos dias são os escorchantes 40%.
É. A independência se fazia necessária para o bem do povo mineiro, assim como pensou o Frei Caneca para os Nordestinos, assim como Zumbi dos Palmares e o Antônio Netto Farroupilha e a Anita Catarinense.
Hoje, José Joaquim da Silva Xavier, irmão, camarada, amigo de fé e de esperança, até Portugal já ergueu estátuas em tua honra, reconhecendo teu valor, tua dignidade, teu espírito independentista...
E agora, mais de dois séculos depois de tua morte, eu te invoco para que derrames sobre minha cabeça a tua lição de vida, ainda antes que nossas riquezas sejam todas carreadas para os Palácios blanditosos do poder central. Os sulistas rogam tua presença, com o amor que tens pela autonomia de cada povo, de cada nação, para juntos erguermos a bandeira da Liberdade.
Se acaso, caro Tiradentes, meu ano for igual ao teu, não quero que reserves um cantinho aí no céu, só para mim, mas uma baita querência para que caibam todos os sulistas que morrem pela falta de um governo local autônomo.
Tiradentes, “o Sul é o meu País”. Esta é minha confidência, camarada inconfidente.
Será que meus inimigos também te renderão homenagens nesse ano? Ou será que farão apenas finta? Ou será que nem lembrarão de ti, e de tua luta que eu luto?! – Se esquecerem de ti, eu te peço perdão pela ignorância deles.
José Joaquim da Silva Xavier – Tiradentes,
O Sul te saúda: Parabéns ! ! !
(*) CARLOS ZATTI é escritor e historiador gaúcho, membro do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico do Paraná) e Secretário-Geral do Movimento O Sul é o Meu País.
José Joaquim da Silva Xavier,
Irmão, camarada do mesmo ideal autonomista e libertário, eu te cumprimento pelo teu heroísmo.
“O autoritarismo me caça
e me cassa essa esfola
contribuinte perfeito
ao fisco, que me controla”.
Liberdade, dignidade, eis tudo o que tu querias Tiradentes, para o teu povo das Minas Gerais, mas o trogloditismo centralizador não só te esfolou e te calou, mas te enforcou e te esquartejou.
A autodeterminação do povo mineiro estava na tua cabeça, irmão, tal na minha está a do Sul.
José distinto, Joaquim estrela, Silva da esperança, Xavier camarada do povo: Libertas quae será tamen !
Os nossos inimigos são os mesmos, meu amigo. Teu algoz te considerou indigno da pátria, ao não aceitares a súbita subida de impostos de 20% para 25% taxados aos teus conterrâneos mineiros. Pois, amigo velho, as “derramas” de nossos dias são os escorchantes 40%.
É. A independência se fazia necessária para o bem do povo mineiro, assim como pensou o Frei Caneca para os Nordestinos, assim como Zumbi dos Palmares e o Antônio Netto Farroupilha e a Anita Catarinense.
Hoje, José Joaquim da Silva Xavier, irmão, camarada, amigo de fé e de esperança, até Portugal já ergueu estátuas em tua honra, reconhecendo teu valor, tua dignidade, teu espírito independentista...
E agora, mais de dois séculos depois de tua morte, eu te invoco para que derrames sobre minha cabeça a tua lição de vida, ainda antes que nossas riquezas sejam todas carreadas para os Palácios blanditosos do poder central. Os sulistas rogam tua presença, com o amor que tens pela autonomia de cada povo, de cada nação, para juntos erguermos a bandeira da Liberdade.
Se acaso, caro Tiradentes, meu ano for igual ao teu, não quero que reserves um cantinho aí no céu, só para mim, mas uma baita querência para que caibam todos os sulistas que morrem pela falta de um governo local autônomo.
Tiradentes, “o Sul é o meu País”. Esta é minha confidência, camarada inconfidente.
Será que meus inimigos também te renderão homenagens nesse ano? Ou será que farão apenas finta? Ou será que nem lembrarão de ti, e de tua luta que eu luto?! – Se esquecerem de ti, eu te peço perdão pela ignorância deles.
José Joaquim da Silva Xavier – Tiradentes,
O Sul te saúda: Parabéns ! ! !
(*) CARLOS ZATTI é escritor e historiador gaúcho, membro do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico do Paraná) e Secretário-Geral do Movimento O Sul é o Meu País.
sábado, 4 de junho de 2011
O Passado De Tex

Tex morava com seu pai Ken Willer, seu irmão Sam e o velho Gunny Bill num rancho no sul do Texas a cerca de seis quilômetros de Rock Springs, a alguma distância da nascente do rio Nueces. Ali os quatro criavam gado, domavam cavalos selvagens e tocavam a vida rude dos afazeres do rancho.
Quando havia momentos de folga, o velho Gunny Bill desmontava suas armas e as lubrificava pacientemente, deixando-as como novas, fato que atraía a atenção de Tex. Notando esse entusiasmo, o velho aventureiro (que dizia ter lutado na guerra contra o México) ensinou a Tex muitos truques para puxar o revólver com incrível rapidez e precisão.
Entretanto, o destino quis que um terrível episódio mudasse para sempre a vida de Tex, transformando-o no personagem justiceiro que conhecemos hoje. Num dia como outro qualquer o irmão de Tex retorna ofegante ao rancho para buscar ajuda e com a seguinte notícia: alguns ladrões estavam levando uma partida de gado e Ken havia ficado para trás, num tiroteio feroz com os bandidos (importante frisar que naquela época os ladrões roubavam gado na região com bastante freqüência, uma vez que a fronteira com o México era próxima e do outro lado eles sempre encontravam compradores dispostos a fechar os olhos sobre a procedência do gado).
Partindo a galope rumo ao local onde Ken tiroteava com os ladrões, Tex, Sam e Gunny chegam tarde, já o encontrando morto. Decidido a não deixar os assassinos do pai impunes, Tex parte imediatamente com Gunny no encalço dos bandidos, fazendo vingança com as próprias mãos, mas perdendo na volta o amigo Gunny num confronto com os guardas-rurais mexicanos.
Retornando ao rancho, Tex decide abandonar a vida de vaqueiro que levava. Deixa então a sua parte do rancho para o irmão Sam e parte errante mundo afora, trabalhando primeiramente num rodeio, onde doma o cavalo Dinamite, um mustang selvagem que ninguém conseguia sequer montar e que seria seu companheiro por centenas de pranchas.
TXH-047, editada em abril de 2001, 196 páginas, R$ 6,20, publicada pela Editora Mythos, medindo 13,5cm de largura por 17,7cm de altura. A aventura "O Passado de Tex" contou com texto de G. L. Bonelli e desenhos de Aurelio Galeppini. A capa foi uma ampliação de um quadrinho da história, desenho original de Galep, ampliação e colorização de Hermes Tadeu.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
SEPARATISMO NO JORNAL ZERO HORA
O Jornal Zero Hora, um dos maiores do Sul, publicou no dia de hoje extensa matéria sobre os desmembramentos e criação de novos estados no Brasil. O presidente Nacional do Movimento, Jornalista Celso Deucher, foi um dos entrevistados e deu a sua opinião sobre tal assunto, conforme matéria abaixo.
A Matéria também abriu espaço para discussões no site do grupo RBS e que devem ser bem aproveitadas por aqueles que tem opinião formada sobre o assunto. Veja detalhes e como participar na matéria que publicamos abaixo:
JORNAL ZERO HORA
(Porto Alegre - RS)
Política | 01/06/2011 | 21h13min
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Pol%EDtica&newsID=a3333417.xml
Criação de novos Estados pode colocar em risco os interesses da população, diz separatista
Presidente do movimento O Sul é o Meu País vê benefício apenas para oligarquias políticas
A realização do plebiscito sobre a criação de uma nova unidade da federação — a partir do desmembramento do Pará — é considerada legítima pelo professor e jornalista Celso Deucher, atual presidente do movimento O Sul é o Meu País. A fundação de novos Estados no atual modelo da federação brasileira, no entanto, é vista por ele como um risco aos interesses legítimos da população local e tende a beneficiar apenas a interesses políticos.
— A mudança que a população esperava não vai acontecer, só por um milagre. Pois o estado nacional só vai continuar atendendo o que interessa às oligarquias políticas — afirma.
Apesar da distância física entre Sul e o Norte do País, Deucher aponta diversas semelhanças entre os atuais movimentos de divisão territorial concentrados no Norte e Nordeste e os grupos separatistas organizados nos Estados do Sul. Para ele, independente da região ou da forma como se organizam, estes grupos têm como principal motivador a necessidade de autonomia, ou autoafirmação, como defende o grupo encabeçado por ele.
— O que tem que mudar de verdade é a fórmula como foi feita a federação brasileira. Só poderemos ter algum tipo de autonomia quando adotarmos o estilo existente nos Estados Unidos, ou o estilo suíço de divisão de Estados — aponta Deucher.
É primordial, conforme o professor e jornalista, além do respeito às peculiaridades locais — como a adoção de constituições estaduais, por exemplo — a inversão do sistema de arrecadação tributária, o que aumentaria ainda mais a autonomia dos estados e municípios. Segundo ele, não é justo que hoje 100% do imposto arrecadado vá para Brasília e retorne apenas em parte às unidades da federação. É isso, segundo ele, que coloca lado a lado os movimentos sulistas e os do norte do país.
— Os inimigos deles são os mesmos que os nossos — pondera Deucher.
A realização de um plebiscito para consultar a população do Pará sobre a criação do Estado do Tapajós foi aprovada ontem pelo Senado. Na mesma ocasião, os paraenses vão decidir sobre a respeito da criação de outro estado, o de Carajás, originário da divisão da região sul e sudeste do território do Pará. Pelo menos outros seis projetos de teor semelhante estão em tramitação no Congresso Nacional.
Com a criação do território de Tapajós, o Estado deve ser representado no Congresso Nacional por três senadores e oito deputados federais. A Assembleia Legislativa deverá contar com 28 deputados, representantes dos municípios.
Separatistas
O movimento O Sul é o Meu País tem sede em Santa Catarina, mas engloba todos estados da Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná). O grupo atua diretamente nos municípios, a partir da formação política de seus integrantes por meio da elaboração de estudos e debates livres. Segundo Deucher, os objetivos principais do movimento são a busca pela autoafirmação da Região Sul e da alteração no sistema de arrecadação tributária — a separação da região do restante do país seria, segundo ele, um último recurso, caso o movimento não avance em seus objetivos.
Na década de 1990, o Movimento Pela Independência do Pampa gerou polêmica por defender a restauração da República Rio-Grandense, a partir da separação do estado do Rio Grande do Sul do restante do país. Teve entre seus integrantes Irton Marx, autor do livro Vai Nascer Um Novo País: República do Pampa Gaúcho. Sob a acusação de racismo, Marx foi julgado e inocentado. No ano de 1997, por iniciativa própria, ele deixou o movimento.
ZERO HORA
A Matéria também abriu espaço para discussões no site do grupo RBS e que devem ser bem aproveitadas por aqueles que tem opinião formada sobre o assunto. Veja detalhes e como participar na matéria que publicamos abaixo:
JORNAL ZERO HORA
(Porto Alegre - RS)
Política | 01/06/2011 | 21h13min
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Pol%EDtica&newsID=a3333417.xml
Criação de novos Estados pode colocar em risco os interesses da população, diz separatista
Presidente do movimento O Sul é o Meu País vê benefício apenas para oligarquias políticas
A realização do plebiscito sobre a criação de uma nova unidade da federação — a partir do desmembramento do Pará — é considerada legítima pelo professor e jornalista Celso Deucher, atual presidente do movimento O Sul é o Meu País. A fundação de novos Estados no atual modelo da federação brasileira, no entanto, é vista por ele como um risco aos interesses legítimos da população local e tende a beneficiar apenas a interesses políticos.
— A mudança que a população esperava não vai acontecer, só por um milagre. Pois o estado nacional só vai continuar atendendo o que interessa às oligarquias políticas — afirma.
Apesar da distância física entre Sul e o Norte do País, Deucher aponta diversas semelhanças entre os atuais movimentos de divisão territorial concentrados no Norte e Nordeste e os grupos separatistas organizados nos Estados do Sul. Para ele, independente da região ou da forma como se organizam, estes grupos têm como principal motivador a necessidade de autonomia, ou autoafirmação, como defende o grupo encabeçado por ele.
— O que tem que mudar de verdade é a fórmula como foi feita a federação brasileira. Só poderemos ter algum tipo de autonomia quando adotarmos o estilo existente nos Estados Unidos, ou o estilo suíço de divisão de Estados — aponta Deucher.
É primordial, conforme o professor e jornalista, além do respeito às peculiaridades locais — como a adoção de constituições estaduais, por exemplo — a inversão do sistema de arrecadação tributária, o que aumentaria ainda mais a autonomia dos estados e municípios. Segundo ele, não é justo que hoje 100% do imposto arrecadado vá para Brasília e retorne apenas em parte às unidades da federação. É isso, segundo ele, que coloca lado a lado os movimentos sulistas e os do norte do país.
— Os inimigos deles são os mesmos que os nossos — pondera Deucher.
A realização de um plebiscito para consultar a população do Pará sobre a criação do Estado do Tapajós foi aprovada ontem pelo Senado. Na mesma ocasião, os paraenses vão decidir sobre a respeito da criação de outro estado, o de Carajás, originário da divisão da região sul e sudeste do território do Pará. Pelo menos outros seis projetos de teor semelhante estão em tramitação no Congresso Nacional.
Com a criação do território de Tapajós, o Estado deve ser representado no Congresso Nacional por três senadores e oito deputados federais. A Assembleia Legislativa deverá contar com 28 deputados, representantes dos municípios.
Separatistas
O movimento O Sul é o Meu País tem sede em Santa Catarina, mas engloba todos estados da Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná). O grupo atua diretamente nos municípios, a partir da formação política de seus integrantes por meio da elaboração de estudos e debates livres. Segundo Deucher, os objetivos principais do movimento são a busca pela autoafirmação da Região Sul e da alteração no sistema de arrecadação tributária — a separação da região do restante do país seria, segundo ele, um último recurso, caso o movimento não avance em seus objetivos.
Na década de 1990, o Movimento Pela Independência do Pampa gerou polêmica por defender a restauração da República Rio-Grandense, a partir da separação do estado do Rio Grande do Sul do restante do país. Teve entre seus integrantes Irton Marx, autor do livro Vai Nascer Um Novo País: República do Pampa Gaúcho. Sob a acusação de racismo, Marx foi julgado e inocentado. No ano de 1997, por iniciativa própria, ele deixou o movimento.
ZERO HORA
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Tex, o Grande

Os lenhadores que trabalham para o senhor Thompson estão passando por maus bocados devido à disputa entre ele e uma outra madeireira. Entre os trabalhadores encontra-se Pat Mac Ryan, que pede ajuda a Tex e seus companheiros para dar um fim ao conflito.
TXE-015 - Tex, o Grande, Mythos Editora, março de 2005, 244 páginas, dimensão 18,5 por 27,4 cm. Com roteiro de Claudio Nizzi e desenhos e capa de Guido Buzzelli. Tradução: Julio Schneider. Editor: Dorival Vitor Lopes.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
A GREVE DOS PROFESSORES EM SANTA CATARINA
01 de junho de 2011
Celso Deucher*
“Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro”. (Escritor Nilzo Andrade)
Não estava com vontade de escrever uma linha sequer sobre este assunto, mas a consciência não me permitiu ficar calado. Desde o dia que decidi ser também professor, assumi compromissos com a sociedade que me obrigam a dizer o que penso, mesmo quando parece que a unanimidade afirma o contrário. Entre meu drama como profissional mal remunerado pela atividade que abracei e o de cidadão que não consegue ver uma coisa apenas por um ângulo, decidi que prefiro não me calar diante de certas visões politiqueiras da realidade que cerca a situação da educação neste país, grande em território, mas pequeno na valorização dos seus cidadãos.
Entre outras decisões também decidi que não devo apoiar o peleguismo consciente do Sinte/SC (Sindicato dos trabalhadores em educação de Santa Catarina), exatamente por que ele é um dos principais órgãos que ajudam a mascarar, junto com o governo estadual, uma realidade macabra, no que diz respeito às políticas educacionais no continente brasílico. Esta decisão só veio depois que olhei além da reivindicação momentânea por um piso salarial nacional de R$ 1.187,90 para professores com 40 horas semanais em início de carreira.
Este piso é uma vergonha em qualquer lugar do mundo onde as sociedades pretendem alguma coisa boa para o futuro. Para nós, um devaneio idealista que gera até greve. É como se fossemos os mendigos que se arrastam e se acotovelam embaixo de uma mesa farta. Quando cai uma migalha nos engalfinhamos esfomeados na esperança de que possamos dividir em milhares de pedacinhos e ao menos amenizar a fome que nos consome. Encima da mesa a festança continua e os protagonistas fazem questão de não olhar o que acontece lá embaixo. Afinal tanta coisa melhor que há para se olhar e degustar encima da mesa...
Onde estaria então este tal problema que me refiro e que este bando de covardes (leia-se Sinte/SC e o governo de Santa Catarina) não tem coragem de mexer? O problema está exatamente na arrecadação e na distribuição dos impostos. É neste incompreensível processo de exploração dos povos brasílicos que reside o impasse gerado tanto para o governo, quanto para os professores. Mas, nem um, nem outro, querem mexer neste vespeiro, por que senão tanto um quanto o outro corre o risco de ficar chupando no dedo quando a rainha de plantão no poder central resolver engrossar o caldo. A arrogância imperial do governo central brasileiro tem feito isso desde 1.500 e tem funcionado perfeitamente até nossos dias. Ninguém tem coragem de falar na inversão da arrecadação dos impostos. Ninguém tem coragem para denunciar que de cada R$ 100,00 que Brasília arranca de nossos bolsos aqui no estado, só retornam cerca de 15% para o estado e pouco mais de 8% para o município. Para onde vai o restante desta “grana” é desnecessário dizer, mas se alguém duvidar assista o noticiário diário e veja com seus próprios olhos o que aconteça na capital imperial, Brasília.
Assistindo a um debate entre um deputado governista e uma deputada defensora dos professores (e da base de apoio do governo federal) tive o desprazer de ouvir do deputado, que Santa Catarina teria recolhido para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), algo em torno de 2,1 bilhões no ano de 2010 e que este dinheiro havia sido totalmente enviado ao governo federal e que de lá, teriam retornado para o estado apenas cerca de 1,7 bilhão. Na mesma linha, assinalou o jornalista Moacir Pereira no Diário Catarinense do último dia 25 de maio, apresentando números iguais. Ou seja, Santa Catarina foi roubada, só em 2010 em 400 milhões e apenas neste fundo, o Fundeb.
Imagine-se o quanto Brasília não rouba em relação aos demais fundos e ao restante da arrecadação. “Os dados sobre o Fundeb revelam, mais uma vez, o prejuízo brutal de Santa Catarina continua tendo com a centralização e o escasso retorno federal em relação à arrecadação tributária”, afirma Moacir Pereira, um dos poucos jornalistas do Estado que mantém a sensatez na análise da farsa federalista brasileira. Mas, uma pena, essa conversa nem o governo e nem os nossos amados mestres, meus colegas de sala de aula, conseguem entender. Foram cegados pelo Sinte/SC que prefere manter o foco na politicagem encima do estado, seu desafeto político.
Dito isto, a pergunta que precisamos fazer é a seguinte: Por que os pelegos do Sinte/SC e o governo catarinense não se unem para ao menos questionar este sistema opressor que põe na sarjeta não apenas os professores, mas o povo catarinense como um todo, em especial os mais pobres que pagam cerca de 42% de tudo que produzem de impostos? Por que, tanto governantes quanto entidades que deveriam nos defender, são tão covardes quando se trata de atacar o âmago vermelho da questão?
Quanto ao Sinte/SC já temos a resposta na ponta da língua. Esta entidade está atrelada ao atual governo federal e de modo algum irá mexer na arrecadação tributária, preferindo fazer politicagem aqui pelo estado, contra um governo incompetente que até este momento posiciona-se na oposição ao federal. Por este motivo, não fará absolutamente nada que vá contra as ambições por poder e a roubalheira dos seus “companheiros” lá de cima. Afinal estes R$ 400 milhões podem render na próxima eleição ao menos mais meia dúzia de novos deputados, senadores e outros comparsas que vão engrossar esta verdadeira quadrilha organizada.
Mas e o governo catarinense por que não faz nada se realmente quer o bem da população? Os motivos, salvo melhor juízo, também não são difíceis de se enumerar. Em primeiro lugar, esse jogo de situação e oposição é coisa prá inglês ver. Tanto o governador, quanto seu grupo (estadual e nacional) estão fundando novo partido (o PSD) objetivando ficarem mais “maleáveis” para conjunturas futuras (leia-se, maracutaias e atividades sorrateiras de apoio ao próprio comando do poder central que hoje se dizem oposição). Além do mais é tradição nos governos estaduais uma verborragia oposicionista, mas ao final, sempre caem de joelhos diante da corte numa submissão vergonhosa a Brasília. Nem o ex governador Luiz Henrique da Silveira (hoje senador) que tanto falou em federalismo e descentralização de poder, durante seu mandato, agora lá encima não dá um pio sequer para nos defender ou ao menos discutir a questão da arrecadação tributária.
Em outras palavras, para nós professores e a população em geral, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não se apresenta outra alternativa que não seja ficar, lutar e seja o que Deus quiser. E lutar, neste contexto significa antes de mais nada, mostrar nosso repúdio contra Brasília e suas práticas neocolonialistas. Afinal de que adianta colocar um piso salarial neste valor se é ela que arrecada e não manda o suficiente para que seja pago? Seria para enfraquecer ainda mais o estado e deixá-lo ainda mais vulnerável as suas ordens?
Nós temos que repudiar com veemência a covardia dos poderes estaduais, que se tornaram comparsas do poder central na exploração dos povos brasílicos. Repudiar com todas as forças entidades como o Sinte/SC e outras que se dizem defensoras dos fracos e oprimidos, mas que na verdade cospem na nossa cara toda manhã que entramos em sala de aula. Além dos trocados que os governos nos repassam, não ganhamos mais que o abraço carinhoso dos alunos.
Caso um dia tenhamos realmente um sindicato combativo e lúcido ele irá lutar por um piso salarial de R$ 5.000,00 para educadores com 40 horas semanais. Se faltar bibliografia para a companheirada ler, por favor peguem o estudo que a Unesco divulgou no ano passado fazendo um comparativo em 38 países e onde aparece quanto cada um paga aos seus professores. Adivinhe onde ficamos? Em terceiro lugar, perdendo apenas para a Indonésia (que pega U$ 1.624 por ano) e o Peru (que paga U$ 4.752 por ano) no posto de pior salário. Em média os países mais bem colocados pagam aos seus mestres U$ 33.209 por ano.
Para finalizar vale citar aqui o escritor Nilzo Andrade (in O Líder dos sonhos) que também fez um comparativo no mínimo interessante. Segundo ele, um Juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, que tem título de Ministro, recebe U$ 148 mil por ano. “Quem faz conta de cabeça percebeu que uma pessoa formada para julgar crimes, uma função reativa, ganha quase 30 vezes mais do que uma pessoa formada para educar, uma função preventiva. Temos um sistema que investe menos no profissional que poderia diminuir o trabalho do profissional que existe para resolver coisas acontecidas. Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro”.
*O autor é professor de filosofia, geografia e história na Rede Publica Estadual em Brusque, SC.
Celso Deucher*
“Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro”. (Escritor Nilzo Andrade)
Não estava com vontade de escrever uma linha sequer sobre este assunto, mas a consciência não me permitiu ficar calado. Desde o dia que decidi ser também professor, assumi compromissos com a sociedade que me obrigam a dizer o que penso, mesmo quando parece que a unanimidade afirma o contrário. Entre meu drama como profissional mal remunerado pela atividade que abracei e o de cidadão que não consegue ver uma coisa apenas por um ângulo, decidi que prefiro não me calar diante de certas visões politiqueiras da realidade que cerca a situação da educação neste país, grande em território, mas pequeno na valorização dos seus cidadãos.
Entre outras decisões também decidi que não devo apoiar o peleguismo consciente do Sinte/SC (Sindicato dos trabalhadores em educação de Santa Catarina), exatamente por que ele é um dos principais órgãos que ajudam a mascarar, junto com o governo estadual, uma realidade macabra, no que diz respeito às políticas educacionais no continente brasílico. Esta decisão só veio depois que olhei além da reivindicação momentânea por um piso salarial nacional de R$ 1.187,90 para professores com 40 horas semanais em início de carreira.
Este piso é uma vergonha em qualquer lugar do mundo onde as sociedades pretendem alguma coisa boa para o futuro. Para nós, um devaneio idealista que gera até greve. É como se fossemos os mendigos que se arrastam e se acotovelam embaixo de uma mesa farta. Quando cai uma migalha nos engalfinhamos esfomeados na esperança de que possamos dividir em milhares de pedacinhos e ao menos amenizar a fome que nos consome. Encima da mesa a festança continua e os protagonistas fazem questão de não olhar o que acontece lá embaixo. Afinal tanta coisa melhor que há para se olhar e degustar encima da mesa...
Onde estaria então este tal problema que me refiro e que este bando de covardes (leia-se Sinte/SC e o governo de Santa Catarina) não tem coragem de mexer? O problema está exatamente na arrecadação e na distribuição dos impostos. É neste incompreensível processo de exploração dos povos brasílicos que reside o impasse gerado tanto para o governo, quanto para os professores. Mas, nem um, nem outro, querem mexer neste vespeiro, por que senão tanto um quanto o outro corre o risco de ficar chupando no dedo quando a rainha de plantão no poder central resolver engrossar o caldo. A arrogância imperial do governo central brasileiro tem feito isso desde 1.500 e tem funcionado perfeitamente até nossos dias. Ninguém tem coragem de falar na inversão da arrecadação dos impostos. Ninguém tem coragem para denunciar que de cada R$ 100,00 que Brasília arranca de nossos bolsos aqui no estado, só retornam cerca de 15% para o estado e pouco mais de 8% para o município. Para onde vai o restante desta “grana” é desnecessário dizer, mas se alguém duvidar assista o noticiário diário e veja com seus próprios olhos o que aconteça na capital imperial, Brasília.
Assistindo a um debate entre um deputado governista e uma deputada defensora dos professores (e da base de apoio do governo federal) tive o desprazer de ouvir do deputado, que Santa Catarina teria recolhido para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), algo em torno de 2,1 bilhões no ano de 2010 e que este dinheiro havia sido totalmente enviado ao governo federal e que de lá, teriam retornado para o estado apenas cerca de 1,7 bilhão. Na mesma linha, assinalou o jornalista Moacir Pereira no Diário Catarinense do último dia 25 de maio, apresentando números iguais. Ou seja, Santa Catarina foi roubada, só em 2010 em 400 milhões e apenas neste fundo, o Fundeb.
Imagine-se o quanto Brasília não rouba em relação aos demais fundos e ao restante da arrecadação. “Os dados sobre o Fundeb revelam, mais uma vez, o prejuízo brutal de Santa Catarina continua tendo com a centralização e o escasso retorno federal em relação à arrecadação tributária”, afirma Moacir Pereira, um dos poucos jornalistas do Estado que mantém a sensatez na análise da farsa federalista brasileira. Mas, uma pena, essa conversa nem o governo e nem os nossos amados mestres, meus colegas de sala de aula, conseguem entender. Foram cegados pelo Sinte/SC que prefere manter o foco na politicagem encima do estado, seu desafeto político.
Dito isto, a pergunta que precisamos fazer é a seguinte: Por que os pelegos do Sinte/SC e o governo catarinense não se unem para ao menos questionar este sistema opressor que põe na sarjeta não apenas os professores, mas o povo catarinense como um todo, em especial os mais pobres que pagam cerca de 42% de tudo que produzem de impostos? Por que, tanto governantes quanto entidades que deveriam nos defender, são tão covardes quando se trata de atacar o âmago vermelho da questão?
Quanto ao Sinte/SC já temos a resposta na ponta da língua. Esta entidade está atrelada ao atual governo federal e de modo algum irá mexer na arrecadação tributária, preferindo fazer politicagem aqui pelo estado, contra um governo incompetente que até este momento posiciona-se na oposição ao federal. Por este motivo, não fará absolutamente nada que vá contra as ambições por poder e a roubalheira dos seus “companheiros” lá de cima. Afinal estes R$ 400 milhões podem render na próxima eleição ao menos mais meia dúzia de novos deputados, senadores e outros comparsas que vão engrossar esta verdadeira quadrilha organizada.
Mas e o governo catarinense por que não faz nada se realmente quer o bem da população? Os motivos, salvo melhor juízo, também não são difíceis de se enumerar. Em primeiro lugar, esse jogo de situação e oposição é coisa prá inglês ver. Tanto o governador, quanto seu grupo (estadual e nacional) estão fundando novo partido (o PSD) objetivando ficarem mais “maleáveis” para conjunturas futuras (leia-se, maracutaias e atividades sorrateiras de apoio ao próprio comando do poder central que hoje se dizem oposição). Além do mais é tradição nos governos estaduais uma verborragia oposicionista, mas ao final, sempre caem de joelhos diante da corte numa submissão vergonhosa a Brasília. Nem o ex governador Luiz Henrique da Silveira (hoje senador) que tanto falou em federalismo e descentralização de poder, durante seu mandato, agora lá encima não dá um pio sequer para nos defender ou ao menos discutir a questão da arrecadação tributária.
Em outras palavras, para nós professores e a população em geral, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não se apresenta outra alternativa que não seja ficar, lutar e seja o que Deus quiser. E lutar, neste contexto significa antes de mais nada, mostrar nosso repúdio contra Brasília e suas práticas neocolonialistas. Afinal de que adianta colocar um piso salarial neste valor se é ela que arrecada e não manda o suficiente para que seja pago? Seria para enfraquecer ainda mais o estado e deixá-lo ainda mais vulnerável as suas ordens?
Nós temos que repudiar com veemência a covardia dos poderes estaduais, que se tornaram comparsas do poder central na exploração dos povos brasílicos. Repudiar com todas as forças entidades como o Sinte/SC e outras que se dizem defensoras dos fracos e oprimidos, mas que na verdade cospem na nossa cara toda manhã que entramos em sala de aula. Além dos trocados que os governos nos repassam, não ganhamos mais que o abraço carinhoso dos alunos.
Caso um dia tenhamos realmente um sindicato combativo e lúcido ele irá lutar por um piso salarial de R$ 5.000,00 para educadores com 40 horas semanais. Se faltar bibliografia para a companheirada ler, por favor peguem o estudo que a Unesco divulgou no ano passado fazendo um comparativo em 38 países e onde aparece quanto cada um paga aos seus professores. Adivinhe onde ficamos? Em terceiro lugar, perdendo apenas para a Indonésia (que pega U$ 1.624 por ano) e o Peru (que paga U$ 4.752 por ano) no posto de pior salário. Em média os países mais bem colocados pagam aos seus mestres U$ 33.209 por ano.
Para finalizar vale citar aqui o escritor Nilzo Andrade (in O Líder dos sonhos) que também fez um comparativo no mínimo interessante. Segundo ele, um Juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, que tem título de Ministro, recebe U$ 148 mil por ano. “Quem faz conta de cabeça percebeu que uma pessoa formada para julgar crimes, uma função reativa, ganha quase 30 vezes mais do que uma pessoa formada para educar, uma função preventiva. Temos um sistema que investe menos no profissional que poderia diminuir o trabalho do profissional que existe para resolver coisas acontecidas. Pagamos mais para mudar o passado do que para preparar o futuro”.
*O autor é professor de filosofia, geografia e história na Rede Publica Estadual em Brusque, SC.
terça-feira, 31 de maio de 2011
O Traidor

Tex e Carson são chamados ao Forte Huachuca para decifrarem um mapa indígena que contém indicações sobre o local onde estaria escondido um carregamento de lingotes de ouro avaliado em meio milhão de dólares. O tesouro pertence ao México, que está exigindo a sua devolução. Para evitar um incidente internacional o ranger resolve ajudar e pede auxílio ao chefe apache Cochise para decifrar o mapa. Os rangers recuperam o ouro, mas na volta para o forte eles sofrem uma inominável traição e perdem tudo, tendo até que fugir dos Estados Unidos para não serem presos. Agora Tex e Carson terão que recuperar o ouro, limpar seus nomes e punir os responsáveis pela traição.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
SEPARATISMO NÃO É CRIME
J. Nascimento Franco*
Quando a idéia separatista começou a ganhar impulso, algumas autoridades ensaiaram a repressão com base na Lei n° 7.170, de 1983 , que tem por objetivo punir os crimes contra a segurança nacional, a unidade territorial e a ordem política e social. Durante o Estado Novo, foi editado o Decreto-lei n° 431, de 18.5.38, cujo art. 2°, item 3, cominava a pena de morte para quem tentasse "por meio de movimento armado o desmembramento do território nacional", desde que para reprimi-lo fosse necessário o uso de operações de guerra. Tratava-se, evidentemente, de texto "ad terrorem", porque nenhum movimento armado estava ameaçando a unidade territorial do Brasil. Leis dessa ordem são típicas dos regimes de força. Disfarçando seus verdadeiros objetivos, que é amordaçar a liberdade de opinião e de sua comunicação, o legislador editou a Lei n° 7.170, que, segundo prestigiosas opiniões, ficou revogada pelos incisos seguintes, do art. 5°, da Constituição de 1988: a) IV e IX, que asseguram a livre manifestação de pensamento; b) VIII, segundo o qual ninguém será privado de direitos por motivo de convicção política; c) XVI, XVII e XVIII, respectivamente destinados à tutela do direito de reunião e de associação para fins pacíficos.
Referidos textos constitucionais são mandamentos que têm de ser respeitados e cumpridos. Contra eles é inoponível toda e qualquer disposição infra-constitucional, assim como atos em contrario de qualquer autoridade. Portanto, desde que se utilizem de meios pacíficos, todos os que vivem no território nacional têm direito de propagar suas idéias políticas, entre as quais a do separatismo, resultante da convicção política de que o país atingiu o ponto culminante do insucesso como unidade geográfica e administrativa. Mesmo entre os separatistas mais convictos esse desfecho histórico é constatado com pesar. Contudo, os povos têm direito de aspirar o melhor futuro e isso parece impossível através da unidade nacional de um país que tem, entre seus cento e quarenta milhões de habitantes, trinta e dois milhões de famintos; que apresenta analfabetismo ascendente, impressionante favelização urbana, confesso colapso da malha rodoviária, precaríssimo sistema ferroviário, elevado nível de insalubridade, de miséria, de criminalidade e, sobretudo, institucionalizada corrupção administrativa. E que nada faz com visão e objetividade para que esses fatos sejam superados.
Diante desse quadro, irrompeu a proposta separatista pugnando pelo fracionamento do país em cinco ou seis blocos, a fim de que cada qual possa gerenciar o produto de seu trabalho e cuidar de seu próprio destino. Talvez, segundo alguns, por via de uma confederação real, descompromissada com o passado e com o tal "jeitinho" que costuma ser utilizado como habilidade, mas que não passa de maquinação através da qual "plus ça change plus ça c'est la même chose"...
Pensar e agir pacificamente nesse sentido é direito inderrogável pela malsinada lei federal n° 7.170, de 1983, com a qual o autoritarismo militar pretendeu algemar idéias e nulificar a liberdade individual.
Essa conclusão deflui de sentença proferida, em 31.8.93, pelo juiz José Almada de Souza, da 8ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (inquérito foi mandado à Justiça Federal a pedido do procurador da Justiça Militar, por ele considerado incompetente, uma vez que cogitava de fato que, se criminoso, teria natureza política) na qual o ilustre magistrado determinou o arquivamento de inquérito instaurado pela Policia Federal do Paraná, mediante provocação do Ministério da Justiça. E é importante salientar que referida decisão atendeu a requerimento do próprio Ministério Público, representado pelo Procurador da Justiça, Dr. Jair Bolzani, que se tomou, pela sensatez e serenidade de sua manifestação, credor das homenagens dos homens livres. Em seu pronunciamento, o douto Procurador ponderou: "Primeiramente, há que se ter em conta que a configuração do crime previsto no artigo 11 da Lei n° 7.170/83 depende da ocorrência de um dano efetivo á integridade territorial nacional ou de um dano potencial, isto é, aquele que pode resultar do comportamento do sujeito, conforme prevê o artigo 1° da referida lei. Portanto, não se pode admitir, sob pena de má aplicação de tal lei, que a apreensão de bonés, chaveiros, camisetas, cartazes, adesivos e panfletos com os dizeres "O Sul é o meu Pais" e "Sociedade amigos do Paraná' seja suficiente para perfazer o tipo penal em exame".
Em suma, segundo o ilustre membro do Ministério Público, a utilização de meios pacíficos de difusão do tema separatista não compromete a ordem pública, porque se insere na liberdade de opinião e de sua manifestação, assegurada pela Lei Maior.
Igual entendimento já havia sido sustentado pelo ilustre criminalista Damásio E. de Jesus, ao escrever que os delitos capitulados na Lei n° 7.170 só se tipificam com um concreto "ato executório de tentativa de divisão do país, mediante violência física, grave ameaça, atos de terrorismo, estrutura paramilitar, etc.". Numa síntese, o consagrado criminalista preleciona que "o crime consiste em tentar dividir o país á força" (cf. "O Estado de S.Paulo 18.5.93, pág.3).
Também o ilustre advogado e jornalista Luiz Francisco Carvalho Filho lamentou que o Presidente da República e seu Ministro da Justiça partissem para a intimidação brandindo a famigerada Lei de Segurança Nacional que, sobre ter sido revogada pela Constituição Federal, evoca a fase mais toma da ditadura militar: "Ao reprimir os separatistas do Sul do pais, tentando enquadra-los na Lei de Segurança Nacional", disse o ilustre advogado, o governo "revela desvio autoritário, desconhecimento da lei e falta de inteligência política".
E prossegue, depois de afirmar que se os separatistas haviam ofendido a Constituição, o governo também a tinha violado: "Em primeiro lugar, porque o dispositivo que pune a tentativa de desmembramento do território não é para quem manifesta a idéia, mas para quem tenta dividir o país á força. Os separatistas têm direito de se associar, de defender a convocação de um plebiscito para decidir o desmembramento e difundir o projeto". }
Antecipando-se ás decisões judiciais que viriam trancar os inquéritos contra os separatistas, conclui o jurista: "O que se deve proibir é o ato de violência, é a organização paramilitar. Ao contrário do que pensa o ministro da Justiça, a Constituição assegura a plenitude da liberdade de manifestação do pensamento. E, com efeito, o país tem muitos problemas reais". (Folha de São Paulo, 9.5.93, pág 1-12).
No mesmo sentido disserta Sérgio Alves de Oliveira, em obra sobre o propósito separatista sulino, depois de ponderar que o Estado é um meio e não um fim: "Se o Estado não consegue atender a contento as necessidades e desejos humanos, nos parece que o próprio direito natural coloca nas mãos do homem a faculdade de refazer o Estado dentro desse objetivo". E continua: "Portanto, nenhum crime existe em buscar o bem-estar do povo de uma determinada região mediante o processo separatista, o que é uma das formas admitidas em doutrina para refazer o Estado. E tanto isso é um direito que a própria história registra inúmeras mutações havidas ao longo do tempo em outras nações. Se é tida como válida a emancipação de municípios e de Estados-membros, qual o motivo de não se entender esse mesmo direito a regiões que desejam formar um novo Estado soberano? Se é possível ao individuo, a qualquer momento, desligar-se das sociedades humanas, o que é consagrado inclusive na constituição, como deixar de reconhecer o direito de secessão?" (Independência do Sul, pág 61).
Nos comentários às constituições e cartas constitucionais brasileiras, desde a de 1891 até a outorgada pela ditadura militar em 1964, Pontes de Miranda reprisou sempre que se integram, uma como conseqüência da outra, a liberdade de pensamento e a liberdade de expressa-lo. Segundo o constitucionalista, o aniquilamento de uma importa na inutilidade da outra: "Se o poder público se esforça, se afana, por saber o que no intimo se pensa, o que se diz, não há liberdade de pensar. Tal esmiuçar de palavras, de gestos, para se descobrir o que o individuo pensa, marca um período de estagnação ou de decadência dos povos. A diferença entre liberdade de pensamento e liberdade de emissão do pensamento está como se quer. Nessa, além de tal direito, o de se emitir de público o pensamento. Mas que vale aquela sem essa? Vale o sofrimento de Copérnico esperando a morte, ou o acaso, para publicar a sua descoberta. Vale o sofrimento de todos os perseguidos, em todos os tempos, por trazerem verdades que não servem ás minorias dominantes, essas minorias que precisam considerar coisa, "ontos", as abstrações, para que a maioria não lhes veja falsidade" (Comentários á constituição de 1967, tomo V, págs. 149 in fine e 150).
Fiéis a esses princípios, os juristas se manifestaram contra a repressão aos separatistas e esclareceram que a sustentação da déia secessionista respalda-se no principio constitucional da liberdade de opinião, donde resulta que nenhum crime eles praticam quando as divulgam. Crime é, como se verificou, a utilização de meios violentos e de organização paramilitar.
Nenhum ato desse tipo foi até hoje praticado, nem está na intenção dos que, convencidos da inoperância da união política e territorial brasileira, pregam por meios pacíficos a separação, que pode ser alcançada sem recurso á violência, pelo simples debate das idéias. Porque, já dizia Voltaire, quando um povo começa a pensar ninguém consegue dete-lo. O direito de secessão se concretizará se e quando o momento histórico chegar, tal como aconteceu com o Brasil em relação a Portugal, ou com os Estados Unidos em relação á Inglaterra. Tudo permite admitir que o desate poderá ser feito através de simples reforma constitucional que dará espaço a um plebiscito arejado, amplo e livre. Até lá os separatistas suportarão a pecha de impatriotas. Mas resistirão, lembrando-se de que também De Gaulle e Jean Moulin foram tachados de inimigos da pátria e de subversivos pelo regime de Vichy, quando sozinhos começaram a lutar pela libertação da França; de que Tiradentes foi igualmente apodado de louco e de lesa-pátria pelas autoridades fiéis á Coroa portuguesa, de que os revolucionários de 1932, que o governo federal de então denunciou ao país como inimigos, hoje são reverenciados até pelo Exército, nas comemorações realizadas em cada 9 de Julho...
Compreende-se, portanto, a serenidade e o senso de justiça com que agiram o Ministério Público e o referido Juiz Federal do Paraná, não vislumbrando nenhum matiz delituoso nos atos meramente políticos praticados pelos lideres paranaenses do Movimento "O Sul é o meu Pais". E note-se que ao parecer acolhido pela mencionada sentença, soma-se outra manifestação do Ministério Público Federal reconhecendo o direito à divulgação do ideal separatista e tutelando-o contra ato do chefe da agência da Empresa Brasileira de Correios, na cidade de Laguna, que resolveu interditar a expedição e o recebimento de correspondência pelo Movimento "O Sul é o meu Pais" (O Estatuto do Movimento O Sul é o meu País tem existência legal, pois foi registrado sob n° 363, fls. nº 86, livro A.3, do Registro Especial de Laguna, e está inscrito no CGC-MF nº 80.961 337/0001-02). Em face desse ato, o presidente do Movimento, Dr. Adílcio Cadorin, reclamou perante o Ministério da Justiça, que encaminhou o caso ao Ministério Público Federal, em Florianópolis. Tão logo recebeu o expediente ministerial, o Ministério Público Federal, por seu agente de Florianópolis, impetrou mandado de segurança contra o ato da autoridade coatora. Na sustentação do "writ" impetrado, o Procurador da República, Dr. Marco Aurélio Dutra Aydos, escreveu: "Tratando-se de direito concernente a liberdades públicas, desde logo que se estabeleça um princípio interpretativo: só pode ser ele limitado por lei que defina, precisamente e em toda a sua extensão, o objeto de restrição. A enumeração legal deve ser entendida como de numerus clausus, não podendo ser ampliada por analogia. É principio de direito penal que a lei incriminadora tenha de ser certa, lex certa como ensina FRANCISCO DE ASSIS TOLEDO: "A exigência de lei certa diz com a clareza dos tipos, que não devem deixar margens a dúvidas nem abusar do emprego de normas muito gerais ou tipos incriminadores genéricos, vazios." ("Princípios Básicos de Direito Penal", SP, Saraiva, 1991, p. 29)".
O principio da lex certa é de todo aplicável ao caso em exame, que trata de restrição legal a direito constitucionalmente assegurado. Se a lei restritiva é aberta, vazia, pode o administrador jogar com os seus conceitos para conceder ou negar o direito a seu falante. Expressões com "dizeres injuriosos, ameaçadores, ofensivos à moral, contrários à ordem pública ou aos interesse do país, não são aptas a conferir certeza á norma restritiva de direito. Ao fazer juízo de inconveniência aos interesses do aís e á ordem pública, fundado no art. 13, IV da Lei 6.538/78, a autoridade impetrada não apenas restringiu o direito à correspondência em casos que ela mesma considera "muito complexa", mas antecipou-se á investigação policial e á opinião delicti. O administrador foi polícia, acusador e juiz. No caso concreto, a investigação policial iniciou-se com pedido de busca e apreensão formulado perante o Juízo Federal da Segunda Vara (Processo n° 93.0003779-0). Pode se cogitar da hipótese de o Ministério Público e o Judiciário considerarem a conduta, do ponto de vista da Lei de Segurança Nacional em vigor, licita. Não se pode admitir que a Administração emita tais juízos, restringindo direitos. Sendo penalmente licita ou irrelevante a conduta, não pode o administrador fazer dela juízo de oportunidade e conveniência, a teor do art. 13, IV da Lei 6.538/78, a qual, nessa parte, por criar tipo um vago e incerto para restrição de direito constitucional, afronta a Lei Maior".
Estas considerações e tão lúcidas manifestações do Ministério Público, do Poder Judiciário e dos juristas, deixam claro que qualquer pessoa pode aspirar e pregar a separação de seu Estado, quando convicta de que ele está suficientemente preparado para gerir seus próprios negócios, ou por entender que seus interesses atingiram um ponto de clivagem com os interesses de outras regiões. Conseqüentemente, nada justifica restrição ou punição dos que sustentam o ideal separatista pelos meios de comunicação, desde o rádio até o livro. É claro que, em respeito á Constituição, não deve ser adotado nem insinuado nenhum meio violento. Melhor dizendo, ou sendo mais claramente, ser separatista e debater o separatismo é direito que nenhuma norma legal pode impedir sem desrespeito á Constituição. Trata-se da liberdade de opinião, assegurada pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. Em vez de coagir, cabe às autoridades, em respeito ao princípio de autodeterminação dos povos e á liberdade de opinião, testar a consistência ou a inconsistência da idéia através de um plebiscito cujo resultado deverá ser civilizadamente aceito tanto pelos separatistas quanto pelos adeptos da união. Dir-se-á que a Constituição considera a unidade nacional como "cláusula pétrea" e que, por isso, o plebiscito seja inconstitucional. Ocorre que as "cláusulas pétreas" constituem uma heresia sempre suplantada pela força incoercível da História. Quando o relógio da História bater a hora da separação nenhum dispositivo legal, pétreo ou não, poderá adiá-la.
* O Autor J. Nascimento Franco é Constitucionalista e autor de "Fundamentos do Separatismo", Editora Panartz, São Paulo, 1993.
Quando a idéia separatista começou a ganhar impulso, algumas autoridades ensaiaram a repressão com base na Lei n° 7.170, de 1983 , que tem por objetivo punir os crimes contra a segurança nacional, a unidade territorial e a ordem política e social. Durante o Estado Novo, foi editado o Decreto-lei n° 431, de 18.5.38, cujo art. 2°, item 3, cominava a pena de morte para quem tentasse "por meio de movimento armado o desmembramento do território nacional", desde que para reprimi-lo fosse necessário o uso de operações de guerra. Tratava-se, evidentemente, de texto "ad terrorem", porque nenhum movimento armado estava ameaçando a unidade territorial do Brasil. Leis dessa ordem são típicas dos regimes de força. Disfarçando seus verdadeiros objetivos, que é amordaçar a liberdade de opinião e de sua comunicação, o legislador editou a Lei n° 7.170, que, segundo prestigiosas opiniões, ficou revogada pelos incisos seguintes, do art. 5°, da Constituição de 1988: a) IV e IX, que asseguram a livre manifestação de pensamento; b) VIII, segundo o qual ninguém será privado de direitos por motivo de convicção política; c) XVI, XVII e XVIII, respectivamente destinados à tutela do direito de reunião e de associação para fins pacíficos.
Referidos textos constitucionais são mandamentos que têm de ser respeitados e cumpridos. Contra eles é inoponível toda e qualquer disposição infra-constitucional, assim como atos em contrario de qualquer autoridade. Portanto, desde que se utilizem de meios pacíficos, todos os que vivem no território nacional têm direito de propagar suas idéias políticas, entre as quais a do separatismo, resultante da convicção política de que o país atingiu o ponto culminante do insucesso como unidade geográfica e administrativa. Mesmo entre os separatistas mais convictos esse desfecho histórico é constatado com pesar. Contudo, os povos têm direito de aspirar o melhor futuro e isso parece impossível através da unidade nacional de um país que tem, entre seus cento e quarenta milhões de habitantes, trinta e dois milhões de famintos; que apresenta analfabetismo ascendente, impressionante favelização urbana, confesso colapso da malha rodoviária, precaríssimo sistema ferroviário, elevado nível de insalubridade, de miséria, de criminalidade e, sobretudo, institucionalizada corrupção administrativa. E que nada faz com visão e objetividade para que esses fatos sejam superados.
Diante desse quadro, irrompeu a proposta separatista pugnando pelo fracionamento do país em cinco ou seis blocos, a fim de que cada qual possa gerenciar o produto de seu trabalho e cuidar de seu próprio destino. Talvez, segundo alguns, por via de uma confederação real, descompromissada com o passado e com o tal "jeitinho" que costuma ser utilizado como habilidade, mas que não passa de maquinação através da qual "plus ça change plus ça c'est la même chose"...
Pensar e agir pacificamente nesse sentido é direito inderrogável pela malsinada lei federal n° 7.170, de 1983, com a qual o autoritarismo militar pretendeu algemar idéias e nulificar a liberdade individual.
Essa conclusão deflui de sentença proferida, em 31.8.93, pelo juiz José Almada de Souza, da 8ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (inquérito foi mandado à Justiça Federal a pedido do procurador da Justiça Militar, por ele considerado incompetente, uma vez que cogitava de fato que, se criminoso, teria natureza política) na qual o ilustre magistrado determinou o arquivamento de inquérito instaurado pela Policia Federal do Paraná, mediante provocação do Ministério da Justiça. E é importante salientar que referida decisão atendeu a requerimento do próprio Ministério Público, representado pelo Procurador da Justiça, Dr. Jair Bolzani, que se tomou, pela sensatez e serenidade de sua manifestação, credor das homenagens dos homens livres. Em seu pronunciamento, o douto Procurador ponderou: "Primeiramente, há que se ter em conta que a configuração do crime previsto no artigo 11 da Lei n° 7.170/83 depende da ocorrência de um dano efetivo á integridade territorial nacional ou de um dano potencial, isto é, aquele que pode resultar do comportamento do sujeito, conforme prevê o artigo 1° da referida lei. Portanto, não se pode admitir, sob pena de má aplicação de tal lei, que a apreensão de bonés, chaveiros, camisetas, cartazes, adesivos e panfletos com os dizeres "O Sul é o meu Pais" e "Sociedade amigos do Paraná' seja suficiente para perfazer o tipo penal em exame".
Em suma, segundo o ilustre membro do Ministério Público, a utilização de meios pacíficos de difusão do tema separatista não compromete a ordem pública, porque se insere na liberdade de opinião e de sua manifestação, assegurada pela Lei Maior.
Igual entendimento já havia sido sustentado pelo ilustre criminalista Damásio E. de Jesus, ao escrever que os delitos capitulados na Lei n° 7.170 só se tipificam com um concreto "ato executório de tentativa de divisão do país, mediante violência física, grave ameaça, atos de terrorismo, estrutura paramilitar, etc.". Numa síntese, o consagrado criminalista preleciona que "o crime consiste em tentar dividir o país á força" (cf. "O Estado de S.Paulo 18.5.93, pág.3).
Também o ilustre advogado e jornalista Luiz Francisco Carvalho Filho lamentou que o Presidente da República e seu Ministro da Justiça partissem para a intimidação brandindo a famigerada Lei de Segurança Nacional que, sobre ter sido revogada pela Constituição Federal, evoca a fase mais toma da ditadura militar: "Ao reprimir os separatistas do Sul do pais, tentando enquadra-los na Lei de Segurança Nacional", disse o ilustre advogado, o governo "revela desvio autoritário, desconhecimento da lei e falta de inteligência política".
E prossegue, depois de afirmar que se os separatistas haviam ofendido a Constituição, o governo também a tinha violado: "Em primeiro lugar, porque o dispositivo que pune a tentativa de desmembramento do território não é para quem manifesta a idéia, mas para quem tenta dividir o país á força. Os separatistas têm direito de se associar, de defender a convocação de um plebiscito para decidir o desmembramento e difundir o projeto". }
Antecipando-se ás decisões judiciais que viriam trancar os inquéritos contra os separatistas, conclui o jurista: "O que se deve proibir é o ato de violência, é a organização paramilitar. Ao contrário do que pensa o ministro da Justiça, a Constituição assegura a plenitude da liberdade de manifestação do pensamento. E, com efeito, o país tem muitos problemas reais". (Folha de São Paulo, 9.5.93, pág 1-12).
No mesmo sentido disserta Sérgio Alves de Oliveira, em obra sobre o propósito separatista sulino, depois de ponderar que o Estado é um meio e não um fim: "Se o Estado não consegue atender a contento as necessidades e desejos humanos, nos parece que o próprio direito natural coloca nas mãos do homem a faculdade de refazer o Estado dentro desse objetivo". E continua: "Portanto, nenhum crime existe em buscar o bem-estar do povo de uma determinada região mediante o processo separatista, o que é uma das formas admitidas em doutrina para refazer o Estado. E tanto isso é um direito que a própria história registra inúmeras mutações havidas ao longo do tempo em outras nações. Se é tida como válida a emancipação de municípios e de Estados-membros, qual o motivo de não se entender esse mesmo direito a regiões que desejam formar um novo Estado soberano? Se é possível ao individuo, a qualquer momento, desligar-se das sociedades humanas, o que é consagrado inclusive na constituição, como deixar de reconhecer o direito de secessão?" (Independência do Sul, pág 61).
Nos comentários às constituições e cartas constitucionais brasileiras, desde a de 1891 até a outorgada pela ditadura militar em 1964, Pontes de Miranda reprisou sempre que se integram, uma como conseqüência da outra, a liberdade de pensamento e a liberdade de expressa-lo. Segundo o constitucionalista, o aniquilamento de uma importa na inutilidade da outra: "Se o poder público se esforça, se afana, por saber o que no intimo se pensa, o que se diz, não há liberdade de pensar. Tal esmiuçar de palavras, de gestos, para se descobrir o que o individuo pensa, marca um período de estagnação ou de decadência dos povos. A diferença entre liberdade de pensamento e liberdade de emissão do pensamento está como se quer. Nessa, além de tal direito, o de se emitir de público o pensamento. Mas que vale aquela sem essa? Vale o sofrimento de Copérnico esperando a morte, ou o acaso, para publicar a sua descoberta. Vale o sofrimento de todos os perseguidos, em todos os tempos, por trazerem verdades que não servem ás minorias dominantes, essas minorias que precisam considerar coisa, "ontos", as abstrações, para que a maioria não lhes veja falsidade" (Comentários á constituição de 1967, tomo V, págs. 149 in fine e 150).
Fiéis a esses princípios, os juristas se manifestaram contra a repressão aos separatistas e esclareceram que a sustentação da déia secessionista respalda-se no principio constitucional da liberdade de opinião, donde resulta que nenhum crime eles praticam quando as divulgam. Crime é, como se verificou, a utilização de meios violentos e de organização paramilitar.
Nenhum ato desse tipo foi até hoje praticado, nem está na intenção dos que, convencidos da inoperância da união política e territorial brasileira, pregam por meios pacíficos a separação, que pode ser alcançada sem recurso á violência, pelo simples debate das idéias. Porque, já dizia Voltaire, quando um povo começa a pensar ninguém consegue dete-lo. O direito de secessão se concretizará se e quando o momento histórico chegar, tal como aconteceu com o Brasil em relação a Portugal, ou com os Estados Unidos em relação á Inglaterra. Tudo permite admitir que o desate poderá ser feito através de simples reforma constitucional que dará espaço a um plebiscito arejado, amplo e livre. Até lá os separatistas suportarão a pecha de impatriotas. Mas resistirão, lembrando-se de que também De Gaulle e Jean Moulin foram tachados de inimigos da pátria e de subversivos pelo regime de Vichy, quando sozinhos começaram a lutar pela libertação da França; de que Tiradentes foi igualmente apodado de louco e de lesa-pátria pelas autoridades fiéis á Coroa portuguesa, de que os revolucionários de 1932, que o governo federal de então denunciou ao país como inimigos, hoje são reverenciados até pelo Exército, nas comemorações realizadas em cada 9 de Julho...
Compreende-se, portanto, a serenidade e o senso de justiça com que agiram o Ministério Público e o referido Juiz Federal do Paraná, não vislumbrando nenhum matiz delituoso nos atos meramente políticos praticados pelos lideres paranaenses do Movimento "O Sul é o meu Pais". E note-se que ao parecer acolhido pela mencionada sentença, soma-se outra manifestação do Ministério Público Federal reconhecendo o direito à divulgação do ideal separatista e tutelando-o contra ato do chefe da agência da Empresa Brasileira de Correios, na cidade de Laguna, que resolveu interditar a expedição e o recebimento de correspondência pelo Movimento "O Sul é o meu Pais" (O Estatuto do Movimento O Sul é o meu País tem existência legal, pois foi registrado sob n° 363, fls. nº 86, livro A.3, do Registro Especial de Laguna, e está inscrito no CGC-MF nº 80.961 337/0001-02). Em face desse ato, o presidente do Movimento, Dr. Adílcio Cadorin, reclamou perante o Ministério da Justiça, que encaminhou o caso ao Ministério Público Federal, em Florianópolis. Tão logo recebeu o expediente ministerial, o Ministério Público Federal, por seu agente de Florianópolis, impetrou mandado de segurança contra o ato da autoridade coatora. Na sustentação do "writ" impetrado, o Procurador da República, Dr. Marco Aurélio Dutra Aydos, escreveu: "Tratando-se de direito concernente a liberdades públicas, desde logo que se estabeleça um princípio interpretativo: só pode ser ele limitado por lei que defina, precisamente e em toda a sua extensão, o objeto de restrição. A enumeração legal deve ser entendida como de numerus clausus, não podendo ser ampliada por analogia. É principio de direito penal que a lei incriminadora tenha de ser certa, lex certa como ensina FRANCISCO DE ASSIS TOLEDO: "A exigência de lei certa diz com a clareza dos tipos, que não devem deixar margens a dúvidas nem abusar do emprego de normas muito gerais ou tipos incriminadores genéricos, vazios." ("Princípios Básicos de Direito Penal", SP, Saraiva, 1991, p. 29)".
O principio da lex certa é de todo aplicável ao caso em exame, que trata de restrição legal a direito constitucionalmente assegurado. Se a lei restritiva é aberta, vazia, pode o administrador jogar com os seus conceitos para conceder ou negar o direito a seu falante. Expressões com "dizeres injuriosos, ameaçadores, ofensivos à moral, contrários à ordem pública ou aos interesse do país, não são aptas a conferir certeza á norma restritiva de direito. Ao fazer juízo de inconveniência aos interesses do aís e á ordem pública, fundado no art. 13, IV da Lei 6.538/78, a autoridade impetrada não apenas restringiu o direito à correspondência em casos que ela mesma considera "muito complexa", mas antecipou-se á investigação policial e á opinião delicti. O administrador foi polícia, acusador e juiz. No caso concreto, a investigação policial iniciou-se com pedido de busca e apreensão formulado perante o Juízo Federal da Segunda Vara (Processo n° 93.0003779-0). Pode se cogitar da hipótese de o Ministério Público e o Judiciário considerarem a conduta, do ponto de vista da Lei de Segurança Nacional em vigor, licita. Não se pode admitir que a Administração emita tais juízos, restringindo direitos. Sendo penalmente licita ou irrelevante a conduta, não pode o administrador fazer dela juízo de oportunidade e conveniência, a teor do art. 13, IV da Lei 6.538/78, a qual, nessa parte, por criar tipo um vago e incerto para restrição de direito constitucional, afronta a Lei Maior".
Estas considerações e tão lúcidas manifestações do Ministério Público, do Poder Judiciário e dos juristas, deixam claro que qualquer pessoa pode aspirar e pregar a separação de seu Estado, quando convicta de que ele está suficientemente preparado para gerir seus próprios negócios, ou por entender que seus interesses atingiram um ponto de clivagem com os interesses de outras regiões. Conseqüentemente, nada justifica restrição ou punição dos que sustentam o ideal separatista pelos meios de comunicação, desde o rádio até o livro. É claro que, em respeito á Constituição, não deve ser adotado nem insinuado nenhum meio violento. Melhor dizendo, ou sendo mais claramente, ser separatista e debater o separatismo é direito que nenhuma norma legal pode impedir sem desrespeito á Constituição. Trata-se da liberdade de opinião, assegurada pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. Em vez de coagir, cabe às autoridades, em respeito ao princípio de autodeterminação dos povos e á liberdade de opinião, testar a consistência ou a inconsistência da idéia através de um plebiscito cujo resultado deverá ser civilizadamente aceito tanto pelos separatistas quanto pelos adeptos da união. Dir-se-á que a Constituição considera a unidade nacional como "cláusula pétrea" e que, por isso, o plebiscito seja inconstitucional. Ocorre que as "cláusulas pétreas" constituem uma heresia sempre suplantada pela força incoercível da História. Quando o relógio da História bater a hora da separação nenhum dispositivo legal, pétreo ou não, poderá adiá-la.
* O Autor J. Nascimento Franco é Constitucionalista e autor de "Fundamentos do Separatismo", Editora Panartz, São Paulo, 1993.
domingo, 29 de maio de 2011
Lucio Filippucci confirmado na primeira GIBICON
Conforme já anunciamos diversas vezes nos últimos tempos aqui, irá realizar-se na cidade de Curitiba entre os dias 15 e 17 de Julho, a primeira Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, a GIBICON, se bem que oficialmente será a edição número zero, como uma espécie de preliminar para os eventos que comemorarão em 2012 os 30 anos da Gibiteca de Curitiba, a mais antiga de toda a América Latina.
Evento que como também já anunciamos, contará com uma exposição dedicada ao TEX, contendo material enviado pela Sergio Bonelli Editore e terá inclusive a presença de Fabio Civitelli. Mas o consagrado desenhador italiano que esteve presente no 17º Fest Comix de São Paulo realizado em Outubro passado não será o único autor de Tex presente, pois podemos anunciar também a presença de Lucio Filippucci, vencedor do Prémio ANAFI como melhor desenhador em 2005 e que se estreou em Tex, depois de longos anos a desenhar Martin Mystère, ilustrando o Tex Gigante “Seminoles“ escrito pelo falecido Gino D’Antonio, história essa publicada na Itália em Junho de 2008.
Mas nem tudo são boas notícias, isto porque infelizmente e por motivos estritamente pessoais Giovanni Ticci e Ernesto Garcia Seijas que tinham aceite o convite para estarem presentes no evento curitibano, acabaram por ter que desistir da sua viagem, desiludindo com isto certamente muitos dos seus fãs que contavam ter o enorme prazer de os conhecer pessoalmente e de conviver com estes dois nomes da banda desenhada mundial. Mas de modo algum a sua desistência retirará brilho ao evento no que diz respeito a Tex até porque a organização de pronto encontrou uma excelente alternativa e para além disso podemos dizer já confirmada a realização de uma mesa redonda com os dois ilustres convidados (Civitelli e Filippucci) e com a presença do Julio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora.
Quanto à mega exposição vinda da Itália sobre o TEX, será realizada no Memorial de Curitiba sendo inaugurada no dia 15 de Julho e junto haverá também uma exposição tributo ao TEX com trabalhos feitos por desenhadores nacionais.
Mas o evento de Curitiba não está, obviamente, somente relacionado com o nosso Tex e o blogue do Tex pode informar que estarão nesta primeira Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba os desenhadores Joe Bennett, Eddy Barrows, Bá e Moon, Carlos Magno Ibraim Roberson Ivan Reis e Joe Prado. Quanto a grande homenageado da Gibicon Curitiba será o falecido desenhador Claudio Seto com uma Exposição intitulada Seto o Samurai de Curitiba a realizar no Museu da Fotografia, mas em breve o site da organização estará On Line trazendo todas as informações sobre este acontecimento que ficará registado a letras de ouro na história de Tex, por isso, fiquem atentos a www.gibicon.com.br e não deixem de prestigiar o evento, comparecendo em Curitiba entre os dias 15 e 17 de Julho.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)
Evento que como também já anunciamos, contará com uma exposição dedicada ao TEX, contendo material enviado pela Sergio Bonelli Editore e terá inclusive a presença de Fabio Civitelli. Mas o consagrado desenhador italiano que esteve presente no 17º Fest Comix de São Paulo realizado em Outubro passado não será o único autor de Tex presente, pois podemos anunciar também a presença de Lucio Filippucci, vencedor do Prémio ANAFI como melhor desenhador em 2005 e que se estreou em Tex, depois de longos anos a desenhar Martin Mystère, ilustrando o Tex Gigante “Seminoles“ escrito pelo falecido Gino D’Antonio, história essa publicada na Itália em Junho de 2008.
Mas nem tudo são boas notícias, isto porque infelizmente e por motivos estritamente pessoais Giovanni Ticci e Ernesto Garcia Seijas que tinham aceite o convite para estarem presentes no evento curitibano, acabaram por ter que desistir da sua viagem, desiludindo com isto certamente muitos dos seus fãs que contavam ter o enorme prazer de os conhecer pessoalmente e de conviver com estes dois nomes da banda desenhada mundial. Mas de modo algum a sua desistência retirará brilho ao evento no que diz respeito a Tex até porque a organização de pronto encontrou uma excelente alternativa e para além disso podemos dizer já confirmada a realização de uma mesa redonda com os dois ilustres convidados (Civitelli e Filippucci) e com a presença do Julio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora.
Quanto à mega exposição vinda da Itália sobre o TEX, será realizada no Memorial de Curitiba sendo inaugurada no dia 15 de Julho e junto haverá também uma exposição tributo ao TEX com trabalhos feitos por desenhadores nacionais.
Mas o evento de Curitiba não está, obviamente, somente relacionado com o nosso Tex e o blogue do Tex pode informar que estarão nesta primeira Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba os desenhadores Joe Bennett, Eddy Barrows, Bá e Moon, Carlos Magno Ibraim Roberson Ivan Reis e Joe Prado. Quanto a grande homenageado da Gibicon Curitiba será o falecido desenhador Claudio Seto com uma Exposição intitulada Seto o Samurai de Curitiba a realizar no Museu da Fotografia, mas em breve o site da organização estará On Line trazendo todas as informações sobre este acontecimento que ficará registado a letras de ouro na história de Tex, por isso, fiquem atentos a www.gibicon.com.br e não deixem de prestigiar o evento, comparecendo em Curitiba entre os dias 15 e 17 de Julho.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)
sábado, 28 de maio de 2011
OS DANÇARINOS DE DOM PEDRITO
28 de maio de 2011
Sérgio Alves de Oliveira*
O orgulho do sistema foi acertado nos culhões quando seis ou sete jovens soldados do exército dançaram ao som do hino nacional em Dom Pedrito - RS. A “indignação” causada por esse fato foi parecida com a que ocorreu quando durante seus estudos, alunos da Academia Militar de Porto Alegre elogiaram Hitler, como estrategista militar.
Resta saber como esses fatos se comunicam e, caso afirmativo, em que dimensão. Ambos os fatos se deram com jovens militares. Os da Academia Militar quase foram linchados ao verem e escreverem as virtudes meramente militares do “Fuhrer”; os soldados gaúchos deram-se mal quando “inovaram” uma dança, apesar de estarem em serviço, ao som musical do hino nacional do Brasil, um dos “símbolos” da pátria, ao lado da bandeira.
Portanto: uns contaram os méritos daquele que perdeu a guerra e acabou erguido a demônio do sistema vencedor, apesar da justa condenação nas práticas desumanas que que Hitler ordenou e permitiu. Já os soldados dançarinos, inversa e exclusivamente aos olhos do Sistema, faltaram com o “respeito”a um dos símbolos nacionais.
Mas o elogio ao demônio e a atitude pouco respeitável ao hino são acontecimentos absolutamente normais na juventude que ainda não pegou os vícios petrificados dos generais, dentre os quais esconder a verdade e somente prestar continência ante os símbolos de um país que não deu certo e que ainda existe somente como obra de arte dos safados e cegos.
Os jovens militares falaram a língua do povo, apesar do entendimento contrário emprestado pela mídia servil ao Sistema. Duvido que os recrutas dançassem "funk" se fosse tocado o hino rio-grandense.
Em ambos os casos, quem pregou e prega moral, não tem nenhuma moral para pregar e deveria dirigir toda essa indignação e toda essa energia contestatória para os sucessivos e estarrecedores escândalos oficialmente acobertados. Como acabará essa história?
Certamente seu final será a condenação dos soldados e o “arquivamento” dos processos contra os corruptos.
*Sérgio Alves de Oliveira é autor de “A Independência do Sul” (Martins Livreiro Editor – 1986) e membro fundador do GESUL (Grupo de Estudos Sul Livre).
Sérgio Alves de Oliveira*
O orgulho do sistema foi acertado nos culhões quando seis ou sete jovens soldados do exército dançaram ao som do hino nacional em Dom Pedrito - RS. A “indignação” causada por esse fato foi parecida com a que ocorreu quando durante seus estudos, alunos da Academia Militar de Porto Alegre elogiaram Hitler, como estrategista militar.
Resta saber como esses fatos se comunicam e, caso afirmativo, em que dimensão. Ambos os fatos se deram com jovens militares. Os da Academia Militar quase foram linchados ao verem e escreverem as virtudes meramente militares do “Fuhrer”; os soldados gaúchos deram-se mal quando “inovaram” uma dança, apesar de estarem em serviço, ao som musical do hino nacional do Brasil, um dos “símbolos” da pátria, ao lado da bandeira.
Portanto: uns contaram os méritos daquele que perdeu a guerra e acabou erguido a demônio do sistema vencedor, apesar da justa condenação nas práticas desumanas que que Hitler ordenou e permitiu. Já os soldados dançarinos, inversa e exclusivamente aos olhos do Sistema, faltaram com o “respeito”a um dos símbolos nacionais.
Mas o elogio ao demônio e a atitude pouco respeitável ao hino são acontecimentos absolutamente normais na juventude que ainda não pegou os vícios petrificados dos generais, dentre os quais esconder a verdade e somente prestar continência ante os símbolos de um país que não deu certo e que ainda existe somente como obra de arte dos safados e cegos.
Os jovens militares falaram a língua do povo, apesar do entendimento contrário emprestado pela mídia servil ao Sistema. Duvido que os recrutas dançassem "funk" se fosse tocado o hino rio-grandense.
Em ambos os casos, quem pregou e prega moral, não tem nenhuma moral para pregar e deveria dirigir toda essa indignação e toda essa energia contestatória para os sucessivos e estarrecedores escândalos oficialmente acobertados. Como acabará essa história?
Certamente seu final será a condenação dos soldados e o “arquivamento” dos processos contra os corruptos.
*Sérgio Alves de Oliveira é autor de “A Independência do Sul” (Martins Livreiro Editor – 1986) e membro fundador do GESUL (Grupo de Estudos Sul Livre).
sexta-feira, 27 de maio de 2011
O Grande Rei

Tex e seu filho Kit começam a investigar um caso de armas que chegam aos índios do norte dos Estados Unidos e descobrem que essas armas são fornecidas por um negro que os índios chamam de "O Grande Rei" e que seu objetivo é armar os índios para promover uma grande revolução contra os brancos.
Sabendo que uma revolução deste tipo acabaria com os índios, Tex decide visitar as tribos para convencer os grandes chefes a não aceitarem as propostas do Grande Rei, enquanto seu filho continua na pista dos traficantes.
Para conseguir o apoio dos Mohicanos, o grande Rei, numa manobra astuta, ordena que seus homens façam desaparecer o totem que estes dizem ser o Olho de Manitu, pois, uma vez destruído, os índios acreditariam que deveriam ficar do lado do Grande Rei.
Os homens a serviço do negro louco roubam e jogam num lago o totem. Assim que Tex chega à aldeia dos Mohicanos, descobre que o totem desapareceu e decide investigar, conseguindo depois recuperá-lo e convencer os índios a não se aliarem ao Grande Rei.
Enquanto isso, depois de muitos perigos e adversidades, Kit descobre quem são os traficantes, mas não sabe que haverá uma grande e emocionante batalha para a captura do Grande Rei.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Movimento promove Curso de Formação Política para região Oeste de Santa Catarina
Já está marcado para o dia 6 de agosto de 2011 a realização do Curso de Formação Política do Movimento O Sul é o Meu País para a região Oeste de Santa Catarina. O evento terá como local o município de São Miguel do Oeste e a programação será semelhante ao 1º Curso realizado em Navegantes no início deste ano, além de contemplar outros temas.
De acordo com o presidente do Movimento, Celso Deucher, a promoção de mais um Curso de Formação, desta vez no Oeste de Santa Catarina, vai beneficiar além daquela região, também as regiões fronteiriças dos Paraná e do Rio Grande do Sul, já que existem mais de 30 municípios que são bastante próximos. "Para aquela realidade preparamos um Curso especifico que vai abordar num primeiro momento as propostas defendidas pelo Movimento O Sul é o Meu País, para depois entrar na questão da necessidade e no papel das organizações municipais do Movimento, suas ações e metas a curto, médio e longo prazo. Num segundo momento, certamente na parte da tarde do dia 6 de agosto, vamos abordar a necessidade do Movimento lançar candidatos aos executivos e legislativos municipais. Faremos, juntamente com estas análises, um breve estudo dos partidos políticos brasileiros e as normas da legislação eleitoral para quem quiser concorrer nas eleições de 2012. Por fim, pretendemos delinear e debater com os participantes as estratégias de luta política do Movimento O Sul é o Meu País", explica Deucher.
A coordenação do evento está a cargo da direção do Movimento O Sul é o Meu País de Bandeirante, na pessoa do seu presidente Marcelo Alex Berti e desde já os interessados podem fazer suas inscrições pelo e-mail: marceloalexberti2009@hotmail.com ou ainda diretamente com a Comissão Nacional no e-mail: celsodeucher@hotmail.com Outras informações sobre o Curso serão repassadas nas próximas semanas.
De acordo com o presidente do Movimento, Celso Deucher, a promoção de mais um Curso de Formação, desta vez no Oeste de Santa Catarina, vai beneficiar além daquela região, também as regiões fronteiriças dos Paraná e do Rio Grande do Sul, já que existem mais de 30 municípios que são bastante próximos. "Para aquela realidade preparamos um Curso especifico que vai abordar num primeiro momento as propostas defendidas pelo Movimento O Sul é o Meu País, para depois entrar na questão da necessidade e no papel das organizações municipais do Movimento, suas ações e metas a curto, médio e longo prazo. Num segundo momento, certamente na parte da tarde do dia 6 de agosto, vamos abordar a necessidade do Movimento lançar candidatos aos executivos e legislativos municipais. Faremos, juntamente com estas análises, um breve estudo dos partidos políticos brasileiros e as normas da legislação eleitoral para quem quiser concorrer nas eleições de 2012. Por fim, pretendemos delinear e debater com os participantes as estratégias de luta política do Movimento O Sul é o Meu País", explica Deucher.
A coordenação do evento está a cargo da direção do Movimento O Sul é o Meu País de Bandeirante, na pessoa do seu presidente Marcelo Alex Berti e desde já os interessados podem fazer suas inscrições pelo e-mail: marceloalexberti2009@hotmail.com ou ainda diretamente com a Comissão Nacional no e-mail: celsodeucher@hotmail.com Outras informações sobre o Curso serão repassadas nas próximas semanas.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Linchamento

Execução capital, não autorizada, por estrangulamento. A primeira aplicação dessa forma de “Justiça Espontânea” foi atribuída a Charles Lynch, da Virgínia, que fez enforcar os escravos negros fugitivos, quando o comportamento Oficial, dito pela Lei, lhe parecia muito lento e burocrático. No Oeste selvagem, onde o movimento de colonização precedeu a instauração de uma Autoridade central, o linchamento era geralmente o único e o mais eficaz método para punir os delinquentes. Em muitos casos, a mais próxima Corte de Justiça, encontrava-se a mais de 100 milhas de distância.
Prisões não existiam. Assim aos homens daquele tempo, o código de honra e a possibilidade de punir as violações daquele mesmo código mediante o ostracismo do criminal ou a sua execução capital, era tudo, portanto o que restava na espera que fosse instaurada uma Autoridade socialmente válida, e também nos casos no qual o direito vigente era considerado muito fraco ou indulgente, tomava-se a Lei nas próprias mãos, liberava-se com a força o homem custodiado pela Lei e o justiçava.
Geralmente eram os assassinos, os ladrões de gado e de cavalos. Normalmente a “Companhia da Gravata”, conduzia a sua vítima, com mãos e pés amarrados, na garupa de um cavalo, debaixo de um ramo de árvore, ou outra forca improvisada. Escutava-se o último pedido do desgraçado, ao qual se dava o direito de falar o que quisesse. O nó do laço era feito solidamente na corda. Em oposição a “Justiça dos Vigilantes”, que podia exercer tudo dentro da regularidade, o linchamento era um puro acto de violência por parte dos linchadores e não deixava nenhuma opção de fuga ao condenado. Na maioria dos casos, a vítima era verdadeiramente culpada do facto, mas houve também vários casos, com pessoas totalmente inocentes, que foram enforcadas.
Geralmente essas ocasiões serviam de grande humorismo aos presentes. O ladrão de cavalos Craig Matthews fumou um cigarro e colocou a pirisca em seu bolso, por puro nervosismo, causando verdadeiras gargalhadas dos seus linchadores. Em 1868 o pastor “Irmão Van” foi perseguido em plena pradaria, por um grupo de linchadores que estavam no rasto de um ladrão de cavalos. O homem afirmou de ser o conhecido “Irmão Van”, mas todos o consideraram um mentiroso e colocaram o laço em seu pescoço.
Somente no último instante, um dos linchadores recordou-se de ter ouvido, ao longe, certa vez o “Irmão Van” cantando, num coral. Ele convidou o ladrão de cavalos a cantar novamente aquela mesma canção. Então o linchador reconheceu a voz do pastor, o “Irmão Van”, e foi desamarrado e deixado livre, para alívio do indiciado. Duas horas depois, o “Homem de Deus”, viu o corpo de um enforcado pendurado numa velha árvore. Nunca foi apurado, se aquele fosse realmente o verdadeiro ladrão de cavalos, tão procurado.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Movimento ‘O Sul é o meu país’ faz pesquisa em Jaraguá
Integrantes defendem modelo que proporcione maior autonomia aos estados e municípios.
Publicado 20/05/2011 às 07:00:00 - Atualizado em 19/05/2011 às 20:08:28
http://www.ocorreiodopovo.com.br/politica/movimento-o-sul-e-o-meu-pais-faz-pesquisa-em-jaragua-5575704.html
O movimento ‘O Sul é o meu país’ fará consultas populares para saber como a opinião pública vê as propostas apresentadas pelo grupo.
A pesquisa será desenvolvida em cidades com mais de 100 mil habitantes, e o próximo município a receber a ação deve ser Blumenau, em agosto. De acordo com o coordenador do movimento em Jaraguá do Sul, Celso Orlando Pirmann, a mesma consulta deve ser realizada na nossa região. “Não somos um movimento radical, o que queremos é uma autonomia maior de cada Estado e município, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos como Estados Unidos, por exemplo. Propomos a descentralização dos poderes políticos e econômicos”, esclarece. Ainda de acordo com ele, pelo menos cem pessoas já aderiram ao movimento em Jaraguá do Sul.
No modelo sugerido pelo grupo, 60% de todos os impostos arrecadados ficariam no município e outros 40% seriam destinados ao Estado. Já o Estado, por sua vez, teria de repassar à União 40% de tudo que arrecadasse. “Não trata-se de discriminação com outros estados. Ganharíamos em agilidade e em poder de investimento para realizar as obras que necessitamos”, resume. Segundo Pirmann, hoje a região Sul recebe de volta somente 14% de todos os impostos que envia à União.
Para o sociólogo, Victor Danich, a proposta não é viável. “Para o nosso modelo político e econômico, é inviável. O problema do país é a má distribuição da renda, que está concentrada nas mãos de uma minoria. É isso que precisamos mudar”, opina.
Quem quiser conhecer mais sobre o movimento pode entrar em contato através do e-mail cp0564@hotmail.com ou através do site www.patria-sulista.org.
Publicado 20/05/2011 às 07:00:00 - Atualizado em 19/05/2011 às 20:08:28
http://www.ocorreiodopovo.com.br/politica/movimento-o-sul-e-o-meu-pais-faz-pesquisa-em-jaragua-5575704.html
O movimento ‘O Sul é o meu país’ fará consultas populares para saber como a opinião pública vê as propostas apresentadas pelo grupo.
A pesquisa será desenvolvida em cidades com mais de 100 mil habitantes, e o próximo município a receber a ação deve ser Blumenau, em agosto. De acordo com o coordenador do movimento em Jaraguá do Sul, Celso Orlando Pirmann, a mesma consulta deve ser realizada na nossa região. “Não somos um movimento radical, o que queremos é uma autonomia maior de cada Estado e município, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos como Estados Unidos, por exemplo. Propomos a descentralização dos poderes políticos e econômicos”, esclarece. Ainda de acordo com ele, pelo menos cem pessoas já aderiram ao movimento em Jaraguá do Sul.
No modelo sugerido pelo grupo, 60% de todos os impostos arrecadados ficariam no município e outros 40% seriam destinados ao Estado. Já o Estado, por sua vez, teria de repassar à União 40% de tudo que arrecadasse. “Não trata-se de discriminação com outros estados. Ganharíamos em agilidade e em poder de investimento para realizar as obras que necessitamos”, resume. Segundo Pirmann, hoje a região Sul recebe de volta somente 14% de todos os impostos que envia à União.
Para o sociólogo, Victor Danich, a proposta não é viável. “Para o nosso modelo político e econômico, é inviável. O problema do país é a má distribuição da renda, que está concentrada nas mãos de uma minoria. É isso que precisamos mudar”, opina.
Quem quiser conhecer mais sobre o movimento pode entrar em contato através do e-mail cp0564@hotmail.com ou através do site www.patria-sulista.org.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
A Grande Sede

Em Phoenix, no Arizona, barragens, canais e rios desviados de seu curso natural subtraem preciosos recursos hídricos aos campos cultivados, em benefício da cidade grande, cada vez mais populosa e desenvolvida. Tex e Carson encontram-se assim a defender os agricultores indígenas da tribo dos Pima das agressões dos camponeses brancos, seus rivais. Mas o verdadeiro responsável por esta guerra entre pobres é Bill Lansdale, um especulador desonesto que fez de um bem público como a água um lucrativo negócio particular...
Nas terras áridas em torno de Phoenix, Arizona, Tex e Carson estão envolvidos em uma guerra pela água, entre lavradores brancos imigrantes e os índios pimas. A famosa represa do inescrupuloso Bill Lansdale vai ser inaugurada e terá início o “seqüestro” das águas dos pimas e dos pequenos lavradores. Mas Tex tem outras idéias e todos se surpreenderão com o final explosivo.

TEX-487 - A Grande Sede, 116 páginas, R$ 5,90, publicado em maio de 2010 pela Mythos Editora, medindo 13,5cm de largura por 17,7cm de altura. Texto de Manfredi, desenhos de Civitelli e capa de Claudio Villa. Editor: Dorival V. Lopes. Tradução: Paulo Guanaes. Letras: Marcos Maldonado.
TEX-488 - Jogos de Poder, 116 páginas, R$ 5,90, publicado em junho de 2010 pela Mythos Editora, medindo 13,5cm de largura por 17,7cm de altura. Texto de Manfredi, desenhos de Civitelli e capa de Claudio Villa. Editor: Dorival V. Lopes. Tradução: Paulo Guanaes. Letras: Marcos Maldonado.
domingo, 22 de maio de 2011
Brasil: "Pátria Madrasta Vil"
22 de maio de 2011
Esta redação corre os quatro cantos do mundo via internet e tem sido base de acalorados debates, já que foi uma das vencedoras de um concurso da UNESCO. A autora, Clarice Zeitel Vianna Silva, estudante de direito, 26 anos, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários e devido a profundidade das suas colocações o texto já foi inclusive publicado num livro da organização (disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001576/157625m.pdf).
Para ganhar um concurso deste naipe, alguma coisa de muito especial deve haver nas suas afirmações. Confira abaixo o que ela disse e reflita o quanto tudo isso tem haver com os ideais de um Sul Livre que defendemos.
"Patria Madrasta Vil"
Clarice Zeitel Viana Silva
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência… Exagero de escassez… Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?
Esta redação corre os quatro cantos do mundo via internet e tem sido base de acalorados debates, já que foi uma das vencedoras de um concurso da UNESCO. A autora, Clarice Zeitel Vianna Silva, estudante de direito, 26 anos, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários e devido a profundidade das suas colocações o texto já foi inclusive publicado num livro da organização (disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001576/157625m.pdf).
Para ganhar um concurso deste naipe, alguma coisa de muito especial deve haver nas suas afirmações. Confira abaixo o que ela disse e reflita o quanto tudo isso tem haver com os ideais de um Sul Livre que defendemos.
"Patria Madrasta Vil"
Clarice Zeitel Viana Silva
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência… Exagero de escassez… Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?
sábado, 21 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Pago Dileto
Pago Dileto
Os Monarcas
Eu parto por longos caminhos meu pai minha mãe atenção
Entendam a este pedido do filho do teu coração
Não vendam os bois da carreta criados com estimação
Não peguem as coisas que eu deixo guardadas no velho galpão
Não mexam na ponte da serra tem muitos bichinhos por lá
A toca do muro de pedra lembranças dos tempos de piá
Não quebrem os pés de pinheiro moradas de muitos irapuás
Não cortem as lindas palmeiras lugar do cantor sabiá
Não tirem o verde dos campos belezas que a muitos consola
Não colham as flores das matas as quais o perfume se enrola
Não deixem armar arapucas as aves não querem gaiolas
Seu canto nos traz melodias que rimam ao som da viola
Daqui alguns tempos Deus queira que eu volte sem mágoas e mais
Que eu possa abraçar novamente os velhos queridos meus pais
Que eu sinta meu pago dileto feliz a cantar madrigais
Que eu veja meu mundo de outrora com todas as coisas iguais
Os Monarcas
Eu parto por longos caminhos meu pai minha mãe atenção
Entendam a este pedido do filho do teu coração
Não vendam os bois da carreta criados com estimação
Não peguem as coisas que eu deixo guardadas no velho galpão
Não mexam na ponte da serra tem muitos bichinhos por lá
A toca do muro de pedra lembranças dos tempos de piá
Não quebrem os pés de pinheiro moradas de muitos irapuás
Não cortem as lindas palmeiras lugar do cantor sabiá
Não tirem o verde dos campos belezas que a muitos consola
Não colham as flores das matas as quais o perfume se enrola
Não deixem armar arapucas as aves não querem gaiolas
Seu canto nos traz melodias que rimam ao som da viola
Daqui alguns tempos Deus queira que eu volte sem mágoas e mais
Que eu possa abraçar novamente os velhos queridos meus pais
Que eu sinta meu pago dileto feliz a cantar madrigais
Que eu veja meu mundo de outrora com todas as coisas iguais
quinta-feira, 19 de maio de 2011
VII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja’2011 (que terá um pin OFICIAL dedicado a Tex) é notícia no site da Sergio Bonelli Editore
O VII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja’2011 a realizar na maravilhosa cidade alentejana que remonta à Idade do Ferro, entre os dias 28 de Maio e 12 de Junho de 2011, é hoje notícia no site da Sergio Bonelli Editore, na sua rubrica das notícias flash em primeiro plano integrada na secção Comics News.
Tal facto não é alheio à presença do consagrado desenhador Ivo Milazzo, um dos principais autores presentes no certame alentejano deste ano e que terá uma exposição individual onde não faltarão algumas páginas ORIGINAIS do seu Tex Gigante: Sangue no Colorado.

28 de Maio
Festival Internacional de Beja
De 28 de Maio a 12 de Junho, a cidade de Beja torna-se a capital portuguesa da banda desenhada, graças à sétima edição do Festival Internacional de BD de Beja, manifestação rica de exposições, encontros, workshops, concertos, projecções e apresentações que oferecem uma ampla panorâmica sobre a banda desenhada mundial.
Entre as exposições assinalam-se aquelas dedicadas a Ivo Milazzo, ao sérvio Aleksandar Zograf, ao inglês Liam Sharp, ao francês Loustal e aos talentos locais como por exemplo Ricardo Cabral, Fernando Relvas e Rui Lacas.
Para descobrir todos os apontamentos da manifestação, visitem o site oficial do evento: http://www.festivalbdbeja.net/
Tal facto não é alheio à presença do consagrado desenhador Ivo Milazzo, um dos principais autores presentes no certame alentejano deste ano e que terá uma exposição individual onde não faltarão algumas páginas ORIGINAIS do seu Tex Gigante: Sangue no Colorado.

28 de Maio
Festival Internacional de Beja
De 28 de Maio a 12 de Junho, a cidade de Beja torna-se a capital portuguesa da banda desenhada, graças à sétima edição do Festival Internacional de BD de Beja, manifestação rica de exposições, encontros, workshops, concertos, projecções e apresentações que oferecem uma ampla panorâmica sobre a banda desenhada mundial.
Entre as exposições assinalam-se aquelas dedicadas a Ivo Milazzo, ao sérvio Aleksandar Zograf, ao inglês Liam Sharp, ao francês Loustal e aos talentos locais como por exemplo Ricardo Cabral, Fernando Relvas e Rui Lacas.
Para descobrir todos os apontamentos da manifestação, visitem o site oficial do evento: http://www.festivalbdbeja.net/
quarta-feira, 18 de maio de 2011
A MARCHA DOS MENDIGOS
18 de maio de 2011
Celso Deucher*
Entre os dias 10 e 12 de maio passado prefeitos do Brasil inteiro arrancaram uns trocados dos combalidos caixas municipais para gastar em uma “marcha” até a metrópole da América Portuguesa. Foram mais de 4 mil mandatários municipais e outros milhares de legisladores locais que enveredaram-se até Brasília sem muito o que fazer e sem muito o que dizer, já que as questões cruciais para que o Brasil realmente seja um país “de todos” sequer foram aventadas durante o evento.
Nos nossos dicionários de língua portuguesa a palavra “Mendigo” é grafada e explicada como sendo “o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo garantir a sua sobrevivência com meios próprios”. Os prefeitos brasileiros, em relação a metrópole brasiliana e as entidades municipais que representam, não passam de Mendigos que vagam pelos escaninhos de Brasília de pires na mão. Maltrapilhos e sem um centavo no bolso, arrastam-se pelos palácios da metrópole em busca de migalhas “oferecidas gentilmente” pelo poderoso ou poderosa de plantão.
Nesta XIV Marcha a Brasília “em defesa dos municípios” os prefeitos, digo, “os mendigos”, apenas gastaram sola de sapato e o suado dinheirinho dos impostos municipais, pois absolutamente nada conseguiram. O resumo é de que tudo continuará como “dantes no quartel de Abrantes”. Brasília e suas quadrilhas organizadas jamais cederão a qualquer tentativa de tornar este amontoado de estados numa verdadeira federação. Ao menos isso alguém lá no meio da multidão alertou e na Carta final da Marcha o título faz uma tímida denuncia: “Brasil: uma federação incompleta”.
É tímida por que não dedica sequer uma linha sequer para ao menos tentar discutir esta aberração federalista imposta aos povos brasílicos. A Carta não uma palavra sequer sobre a autonomia real dos estados e municípios. Muito pelo contrario, afaga o ego das quadrilhas que comandam o saque do povo brasileiro: “Presidência da República, Congresso Nacional e especialmente os líderes partidários e às mesas diretoras do Senado Federal e da Câmara dos Deputados”.
É a esta gente que os mendigos foram ajoelhar-se e pedir encarecidamente para que defendam os municípios brasileiros. É como se as galinhas fossem “bater um papo” com as raposas pedindo encarecidamente que elas “cuidassem” do galinheiro, preservando a integridade física das penosas. Parece óbvio que nenhuma raposa vai se compadecer e aceitar a proposta. É isso que está acontecendo e hoje a qualquer horário que der na telha das raposas, elas continuarão assaltando o galinheiro e sem dó nem piedade, a matança continuará. É instinto.
Além de vazia e sem o menor nexo, a Carta da Marcha deixa claro que dentro dos municípios brasileiros há não apenas um bando de mendigos, mas também de covardes protetores do poder central. Chamar os prefeitos de covardes é ser parceiro, pois as palavras certas seria “criminosos mendigos”, já que quem não faz nada ao presenciar um crime, torna-se cúmplice.
Os prefeitos brasileiros tem contas a acertar conosco, cidadãos produtores das riquezas engolidas pela metrópole. Nós esperávamos muito mais destes cidadãos, legítimos representantes dos povos brasílicos. Nós esperávamos por exemplo que ao menos uma meia dúzia deles levassem faixas e cartazes denunciando esta farsa federalista onde estados e municípios não tem a mínima autonomia em relação ao poder central; Nós esperávamos que ao menos meia dúzia destes homens públicos organizasse um protesto lá no coração da metrópole denunciando este neocolonialismo existente na América Portuguesa; Nós esperávamos que estes prefeitos denunciassem esta aberração tributária que sanguinariamente arranca dos mais pobres quase 42% dos seus vencimentos... Esperávamos tanta coisa e nada aconteceu.
Esperávamos por exemplo que ao menos um prefeito “com aquilo roxo” subisse a um dos vários palanques espalhados pela Meca Brasiliana, para propor a inversão tributária (e conseqüentemente) deixando para os municípios 70% dos impostos arrecadados e mandando para o estado e para a uniãoos 30% restantes. Afinal, teria a seu favor o mais concreto argumento: é no município que vive os cidadãos geradores de toda esta riqueza. Mas não... Isto também não aconteceu...
O que aconteceu foi que chamaram as raposas para discursar e fazer comício dentro do galinheiro. E como as mais imbecis das galinhas acreditaram em tudo que Dilma Roussef e os nossos “honoráveis senadores e deputados” prometeram. Isso não tem perdão. Se fosse uma platéia formada por nós “povinho sem consciência” (como eles gostam de falar) seria, digamos, normal. Mas esta platéia que estava lá era para ser de gente politizada, consciente das suas obrigações. Homens da elite política nacional. Mandatários dos verdadeiros donos deste país: o povo. Nada... Calaram-se covardemente e aplaudiram a rouca voz das raposas que prometeram mundos e fundos, incluindo-se uma morte rápida e não dolorosa...
Aqui embaixo, na plebe, resta-nos a resignação e o sentimento de impotência diante de tudo isso. Resta-nos alimentar o sonho de liberdade... O sonho que aos poucos vai se tornando maior e tomando as ruas do nosso Sul. O sonho de um dia nos livrarmos deste sistema covardemente opressor... O sonho de o mais breve possível tornar o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul um verdadeiro país. Transformar nosso território numa grande Confederação Municipalista onde as riquezas fiquem nos seus locais de origem e sejam efetivamente investidas no bem estar do Povo Sul-Brasileiro. Afinal, falem o que quiserem, mas nós temos a obrigação de ter ao menos ter vergonha na cara e dar uma basta a Brasília.
Senhores e senhoras da Corte, saibam com todas as letras que os integrantes do Movimento O Sul é o Meu País já não sonham mais sozinhos...
* O autor é Jornalista, professor e presidente do Movimento O Sul é o Meu País e Secretário Geral do Gesul (Grupo de Estudos Sul Livre). E-MAIL: celsodeucher@hotmail.comEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo - SITE: http://www.patria-sulista.org BLOGS: www.celsodeucher.blogspot.com
Celso Deucher*
Entre os dias 10 e 12 de maio passado prefeitos do Brasil inteiro arrancaram uns trocados dos combalidos caixas municipais para gastar em uma “marcha” até a metrópole da América Portuguesa. Foram mais de 4 mil mandatários municipais e outros milhares de legisladores locais que enveredaram-se até Brasília sem muito o que fazer e sem muito o que dizer, já que as questões cruciais para que o Brasil realmente seja um país “de todos” sequer foram aventadas durante o evento.
Nos nossos dicionários de língua portuguesa a palavra “Mendigo” é grafada e explicada como sendo “o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo garantir a sua sobrevivência com meios próprios”. Os prefeitos brasileiros, em relação a metrópole brasiliana e as entidades municipais que representam, não passam de Mendigos que vagam pelos escaninhos de Brasília de pires na mão. Maltrapilhos e sem um centavo no bolso, arrastam-se pelos palácios da metrópole em busca de migalhas “oferecidas gentilmente” pelo poderoso ou poderosa de plantão.
Nesta XIV Marcha a Brasília “em defesa dos municípios” os prefeitos, digo, “os mendigos”, apenas gastaram sola de sapato e o suado dinheirinho dos impostos municipais, pois absolutamente nada conseguiram. O resumo é de que tudo continuará como “dantes no quartel de Abrantes”. Brasília e suas quadrilhas organizadas jamais cederão a qualquer tentativa de tornar este amontoado de estados numa verdadeira federação. Ao menos isso alguém lá no meio da multidão alertou e na Carta final da Marcha o título faz uma tímida denuncia: “Brasil: uma federação incompleta”.
É tímida por que não dedica sequer uma linha sequer para ao menos tentar discutir esta aberração federalista imposta aos povos brasílicos. A Carta não uma palavra sequer sobre a autonomia real dos estados e municípios. Muito pelo contrario, afaga o ego das quadrilhas que comandam o saque do povo brasileiro: “Presidência da República, Congresso Nacional e especialmente os líderes partidários e às mesas diretoras do Senado Federal e da Câmara dos Deputados”.
É a esta gente que os mendigos foram ajoelhar-se e pedir encarecidamente para que defendam os municípios brasileiros. É como se as galinhas fossem “bater um papo” com as raposas pedindo encarecidamente que elas “cuidassem” do galinheiro, preservando a integridade física das penosas. Parece óbvio que nenhuma raposa vai se compadecer e aceitar a proposta. É isso que está acontecendo e hoje a qualquer horário que der na telha das raposas, elas continuarão assaltando o galinheiro e sem dó nem piedade, a matança continuará. É instinto.
Além de vazia e sem o menor nexo, a Carta da Marcha deixa claro que dentro dos municípios brasileiros há não apenas um bando de mendigos, mas também de covardes protetores do poder central. Chamar os prefeitos de covardes é ser parceiro, pois as palavras certas seria “criminosos mendigos”, já que quem não faz nada ao presenciar um crime, torna-se cúmplice.
Os prefeitos brasileiros tem contas a acertar conosco, cidadãos produtores das riquezas engolidas pela metrópole. Nós esperávamos muito mais destes cidadãos, legítimos representantes dos povos brasílicos. Nós esperávamos por exemplo que ao menos uma meia dúzia deles levassem faixas e cartazes denunciando esta farsa federalista onde estados e municípios não tem a mínima autonomia em relação ao poder central; Nós esperávamos que ao menos meia dúzia destes homens públicos organizasse um protesto lá no coração da metrópole denunciando este neocolonialismo existente na América Portuguesa; Nós esperávamos que estes prefeitos denunciassem esta aberração tributária que sanguinariamente arranca dos mais pobres quase 42% dos seus vencimentos... Esperávamos tanta coisa e nada aconteceu.
Esperávamos por exemplo que ao menos um prefeito “com aquilo roxo” subisse a um dos vários palanques espalhados pela Meca Brasiliana, para propor a inversão tributária (e conseqüentemente) deixando para os municípios 70% dos impostos arrecadados e mandando para o estado e para a uniãoos 30% restantes. Afinal, teria a seu favor o mais concreto argumento: é no município que vive os cidadãos geradores de toda esta riqueza. Mas não... Isto também não aconteceu...
O que aconteceu foi que chamaram as raposas para discursar e fazer comício dentro do galinheiro. E como as mais imbecis das galinhas acreditaram em tudo que Dilma Roussef e os nossos “honoráveis senadores e deputados” prometeram. Isso não tem perdão. Se fosse uma platéia formada por nós “povinho sem consciência” (como eles gostam de falar) seria, digamos, normal. Mas esta platéia que estava lá era para ser de gente politizada, consciente das suas obrigações. Homens da elite política nacional. Mandatários dos verdadeiros donos deste país: o povo. Nada... Calaram-se covardemente e aplaudiram a rouca voz das raposas que prometeram mundos e fundos, incluindo-se uma morte rápida e não dolorosa...
Aqui embaixo, na plebe, resta-nos a resignação e o sentimento de impotência diante de tudo isso. Resta-nos alimentar o sonho de liberdade... O sonho que aos poucos vai se tornando maior e tomando as ruas do nosso Sul. O sonho de um dia nos livrarmos deste sistema covardemente opressor... O sonho de o mais breve possível tornar o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul um verdadeiro país. Transformar nosso território numa grande Confederação Municipalista onde as riquezas fiquem nos seus locais de origem e sejam efetivamente investidas no bem estar do Povo Sul-Brasileiro. Afinal, falem o que quiserem, mas nós temos a obrigação de ter ao menos ter vergonha na cara e dar uma basta a Brasília.
Senhores e senhoras da Corte, saibam com todas as letras que os integrantes do Movimento O Sul é o Meu País já não sonham mais sozinhos...
* O autor é Jornalista, professor e presidente do Movimento O Sul é o Meu País e Secretário Geral do Gesul (Grupo de Estudos Sul Livre). E-MAIL: celsodeucher@hotmail.comEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo - SITE: http://www.patria-sulista.org BLOGS: www.celsodeucher.blogspot.com
terça-feira, 17 de maio de 2011
Pôster Tex Nuova Ristampa 162

Mais uma belíssima ilustração produzida por Claudio Villa para a galeria de Tex Nuova Ristampa, onde desta vemos Tex Willer no areal da baía de Portobelo (um dos mais importantes centros de recolha de ouro, prata e outros metais preciosos que os conquistadores apanhavam do México e do Peru) e com as ruínas do Forte Santiago de la Gloria ao fundo, lutando contra um índio da tribo Guaymi, que se aprestava para fugir de canoa após ter matado dois marines que escoltavam o fotógrafo O’Sullivan na visita ao forte.
Desenho INÉDITO em países lusófonos e inspirado na história “Il solitario del West” de Guido Nolitta e Giovanni Ticci (Tex italiano #250 a #252).
(Para aproveitar a extensão completa do pôster, clique no mesmo)
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Arrocho fiscal ontem e hoje
“A história se repete, mas a força deixa a estória mal contada” (Humberto Gessinger)
Aproximadamente mil anos Antes de Cristo, o povo de Israel passou a ser governado por reis. Em 1.050 AC sobre ao trono o primeiro deles, Saul. Quarenta anos depois, assume o trono o lendário Rei David (do David x Golias), que reinou também por quarenta anos. Em 970 AC seu filho Salomão o substituiu, reinando até 931 AC. Este Salomão é aquele que foi considerado o homem mais sábio da Terra, o mesmo das “minas do Rei Salomão”.
Aproximadamente mil anos Antes de Cristo, o povo de Israel passou a ser governado por reis. Em 1.050 AC sobre ao trono o primeiro deles, Saul. Quarenta anos depois, assume o trono o lendário Rei David (do David x Golias), que reinou também por quarenta anos. Em 970 AC seu filho Salomão o substituiu, reinando até 931 AC. Este Salomão é aquele que foi considerado o homem mais sábio da Terra, o mesmo das “minas do Rei Salomão”.
Durante seu reinado, Salomão aumentou em muito os tributos cobrados do povo. Porém, como foi um reino de paz e prosperidade, o povo agüentou calado. Em 931 AC ele morre, e seu filho Roboão assume o trono. O povo, então, encabeçado por um líder de oposição chamado Jeroboão, vai até o novo rei e lhe pede que reduza os encargos, e eles lhe seriam fiéis aliados. O rei pediu-lhes um prazo de três dias para dar uma resposta, até porque ele não sabia exatamente o que fazer.
Durante o prazo pedido, o rei procurou os antigos ministros de seu pai, em busca de orientação. Eles o aconselharam a ouvir o povo, e assim os teriam fiéis durante todo o reinado. Em seguida, o rei chamou seus novos ministros, amigos de balada, de faculdade, e fez a mesma consulta. Eles o aconselharam a seguir direção oposta à dos antigos ministros, dizendo: “Meu dedo mínimo é mais grosso que os lombos de meu pai. (...) Meu pai vos castigou com açoites, eu porém, vos castigarei com escorpiões”. O rei optou pelo conselho dos mais jovens, e o resultado foi catastrófico: o reino de Israel acabou dividido em duas nações, e o líder da oposição, Jeroboão, assumiu o reino da parte dividida – curiosamente, a maior parte. Assim, a Roboão com toda a sua arrogância, restou governar um país bem menor do que o herdado de seu pai.
O que acontece em nossos dias não é diferente: os tributos sobem, sobem, sobem; quando vem um “super simples” com a promessa de diminuição da carga tributária, descobrimos que os tributos na verdade estarão subindo. E, quando o governo pode fazer algo para aliviar a carga do povo, decide manter a CPMF permanentemente.
É a história de três milênios atrás se repetindo... Ou o governo abre os olhos, alivia a carga tributária e todas as suas obrigações assessórias, ou não se sabe onde esta situação nos levará.
Um abraço, e até a próxima!
(Os fatos narrados constam na Bíblia Sagrada, no capítulo 12 do Livro das Crônicas dos Reis de Israel).
Aproximadamente mil anos Antes de Cristo, o povo de Israel passou a ser governado por reis. Em 1.050 AC sobre ao trono o primeiro deles, Saul. Quarenta anos depois, assume o trono o lendário Rei David (do David x Golias), que reinou também por quarenta anos. Em 970 AC seu filho Salomão o substituiu, reinando até 931 AC. Este Salomão é aquele que foi considerado o homem mais sábio da Terra, o mesmo das “minas do Rei Salomão”.
Aproximadamente mil anos Antes de Cristo, o povo de Israel passou a ser governado por reis. Em 1.050 AC sobre ao trono o primeiro deles, Saul. Quarenta anos depois, assume o trono o lendário Rei David (do David x Golias), que reinou também por quarenta anos. Em 970 AC seu filho Salomão o substituiu, reinando até 931 AC. Este Salomão é aquele que foi considerado o homem mais sábio da Terra, o mesmo das “minas do Rei Salomão”.
Durante seu reinado, Salomão aumentou em muito os tributos cobrados do povo. Porém, como foi um reino de paz e prosperidade, o povo agüentou calado. Em 931 AC ele morre, e seu filho Roboão assume o trono. O povo, então, encabeçado por um líder de oposição chamado Jeroboão, vai até o novo rei e lhe pede que reduza os encargos, e eles lhe seriam fiéis aliados. O rei pediu-lhes um prazo de três dias para dar uma resposta, até porque ele não sabia exatamente o que fazer.
Durante o prazo pedido, o rei procurou os antigos ministros de seu pai, em busca de orientação. Eles o aconselharam a ouvir o povo, e assim os teriam fiéis durante todo o reinado. Em seguida, o rei chamou seus novos ministros, amigos de balada, de faculdade, e fez a mesma consulta. Eles o aconselharam a seguir direção oposta à dos antigos ministros, dizendo: “Meu dedo mínimo é mais grosso que os lombos de meu pai. (...) Meu pai vos castigou com açoites, eu porém, vos castigarei com escorpiões”. O rei optou pelo conselho dos mais jovens, e o resultado foi catastrófico: o reino de Israel acabou dividido em duas nações, e o líder da oposição, Jeroboão, assumiu o reino da parte dividida – curiosamente, a maior parte. Assim, a Roboão com toda a sua arrogância, restou governar um país bem menor do que o herdado de seu pai.
O que acontece em nossos dias não é diferente: os tributos sobem, sobem, sobem; quando vem um “super simples” com a promessa de diminuição da carga tributária, descobrimos que os tributos na verdade estarão subindo. E, quando o governo pode fazer algo para aliviar a carga do povo, decide manter a CPMF permanentemente.
É a história de três milênios atrás se repetindo... Ou o governo abre os olhos, alivia a carga tributária e todas as suas obrigações assessórias, ou não se sabe onde esta situação nos levará.
Um abraço, e até a próxima!
(Os fatos narrados constam na Bíblia Sagrada, no capítulo 12 do Livro das Crônicas dos Reis de Israel).
domingo, 15 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
Referendo sobre independência da Catalunha
“A Catalunha organizará um dia um referendo sério sobre a independência mas neste momento o mais provável será a convocação de uma consulta sobre o pacto fiscal”, disse o ex-presidente da Generalitat (governo autônomo da Catalunha), Jordi Pujol.
Segundo ele, algum dia terá de realizar-se na Catalunha um referendo sério, porque agora estão sendo feitas consultas que não são um referendo. Não têm apoio oficial, financiamento, não têm reconhecimento, não são vinculativas. “Foram uma espécie de prova e muito importante, porque votou muita gente. Mas um dia será necessário fazer um referendo”, considerou o líder nacionalista catalão, que em junho completa 81 anos, numa referência às recentes consultas sobre a independência organizadas por grupos da sociedade civil.
Para ele, é possível que o referendo seja sobre o tema de independência, mas é possível que, previamente, seja convocado um referendo sobre certos aspetos da atual situação. “O atual presidente da Generalitat, Artur Mas, quer que seja feita uma consulta ao povo da Catalunha sobre a questão do que é designado por pacto fiscal”, disse Pujol em entrevista à agência Lusa e à margem das Conferências do Estoril, que debateram até sexta-feira os novos desafios globais.
Segundo ele, algum dia terá de realizar-se na Catalunha um referendo sério, porque agora estão sendo feitas consultas que não são um referendo. Não têm apoio oficial, financiamento, não têm reconhecimento, não são vinculativas. “Foram uma espécie de prova e muito importante, porque votou muita gente. Mas um dia será necessário fazer um referendo”, considerou o líder nacionalista catalão, que em junho completa 81 anos, numa referência às recentes consultas sobre a independência organizadas por grupos da sociedade civil.
Para ele, é possível que o referendo seja sobre o tema de independência, mas é possível que, previamente, seja convocado um referendo sobre certos aspetos da atual situação. “O atual presidente da Generalitat, Artur Mas, quer que seja feita uma consulta ao povo da Catalunha sobre a questão do que é designado por pacto fiscal”, disse Pujol em entrevista à agência Lusa e à margem das Conferências do Estoril, que debateram até sexta-feira os novos desafios globais.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
O Signo Da Serpente

Tex, seu filho Kit e Jack Tigre estão cavalgando ao noroeste da reserva navajo quando de longe enxergam o velho índio Ko-Hocei que escondera sob um punhado de terra um estranho amuleto: o signo da serpente, que consistia numa cascavel espetada numa flecha preta. Curioso, Tex descobre que Pah-uan, filho do índio encontrado, nunca mais voltaria à aldeia, pois havia sido designado para viver eternamente do reino de Mah-Shai, a poderosa feiticeira do Colorado, a senhora dos poderes das sombras.
Vendo que algo na história cheirava mal, Tex obriga o índio a falar e este lhe revela que cerca de três ou quatro vezes por ano é realizada uma cerimônia religiosa durante uma noite inteira. Ao amanhecer, em frente de uma das tendas da aldeia estará o signo da serpente e aquele que encontrar o signo deverá mandar um de seus filhos mais jovens na direção do sol poente. O filho predestinado deverá levar o signo na mão e víveres para uma longa viagem e daquele instante em diante nunca mais voltará à aldeia. Já o pai do jovem desaparecido, ao nascer do novo sol, deverá seguir a pista do filho até encontrar o signo de Mah-Shai e depois de tê-lo queimado, poderá voltar para junto dos seus, onde, daquele instante em diante, gozará do favor do curandeiro e passará a fazer parte do conselho dos anciãos.
Tex resolve investigar, descobrindo que Mah-Shai usava os rapazotes para fazê-los descer por uma corda na terra do abismo, uma fenda no chão localizada na Vale dos Grandes Ossos, fenda que conduzia a um lugar subterrâneo onde havia feras pré-históricas e onde nascia a flor da magia que a tornava poderosa. Os rapazotes desciam e coletavam as flores, colocavam na cesta e esta era içada por Mah-Shai, que, retirando a corda, condenava os jovens índios a nunca mais voltar.
Tex, Tigre e Kit seguem a trilha de Mah-Shai e depois de derrotar a feiticeira, resolvem seguir a pista das terras do abismo, na tentativa de salvar os jovens indígenas que foram condenados a habitar na misteriosa fenda. Mas acontece que, descendo os três nas terras do abismo, não tardam a encontrar uma estranha e gigantesca criatura que, mortalmente ferida pelos tiros de suas Winchesters, enrosca-se na corda pela qual os três desceram, rebentando-a e condenando também nossos três heróis a não mais voltarem das terras do abismo, pois além de lutarem contra as terríveis feras, ainda terão que lutar com todas as suas forças contra os makandras, o povo do abismo...
TEX 001 - O Signo da Serpente, 2ª edição, editada em abril de 1977, 132 páginas, Cr$ 6,00, publicada pela Editora Vecchi, medindo 13,5cm de largura por 17,7cm de altura. Texto de G. L. Bonelli e desenhos de Aurelio Galeppini. O número 1 da primeira edição saiu em fevereiro de 1971
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